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Europa alterizada: hotéis de luxo para os invasores

James Orr é professor associado de Filosofia da Religião na Universidade de Cambridge. Ele preside a Fundação Edmund Burke da Inglaterra, entidade de defesa dos princípios do nacional-conservadorismo nos países ocidentais eou democráticos.

Ele foi nomeado, recentemente, presidente da comissão consultiva de um novo grupo de reflexão em pró do reformismo britânico, o Centre for a Better Britain. Ele avalia que o Reform UK seja a única força política britânica com chance real de sucesso que “ainda acredita na nação”. Nosso companho Zoltán Kottász encontrou-se com James Orr na cidade húngara de Esztergom, durante a MCC Feszt de 2025.

 

Numa recente entrevista dada à BBC, Vossia declarou que o Centre for a Better Britain movia-se “pelo impulso da ambiência do pós-Brexit, favorável à nação, à soberania, à Inglaterra“. Isso significa que os recentes governos britânicos não se moviam pelo impulso dessas mesmas causas?

Prof. James Orr: há no seio do Partido Conservador grupo que adora posar como os “One Nation Tories (conservadores de uma só nação), uma evocação de Disraeli e seu Sybil. Mas eles não são conservadores de uma só nação; são, isto sim, conservadores sem nenhuma nação (e noção). Esse grupo não acredita mais na nação; eles acreditam nas estruturas supranacionais às quais querem subordinar nossa soberania.

O Partido Trabalhista, uma das lâminas da tesoura que arruinou a Inglaterra durante 25 anos, consta de uma clientela repartida em três classes: a classe formada pelo setor público, fiel ao erário; a classe do assim chamado “rainbow people”, ou seja, os hiperliberais progressistas da libido, que preconizam a política identitária das minorias; e há a classe do “Crescente”, o islamismo político, sempre mais ousado, que rejeita totalmente a soberania do Estado-nação. Nenhuma dessas classes é fiel à Inglaterra enquanto nação.

A razão de não ser possível salvar a Inglaterra sob o poder desse duopólio é que eles não reconhecem a Inglaterra, eles não amam a Inglaterra, eles renegam a Inglaterra, renegam a herança inglesa, a história inglesa, o povo inglês. O Reform UK, em contrapartida, resta como a única força política com chance de sucesso que ainda acredita na nação.

 

O que foi que aconteceu com os partidos conservadores tradicionais como os tories na Inglaterra e o CDU na Alemanha?

Prof. James Orr: a mim me parece que os partidos conservadores não sejam sempre capazes de mudar radicalmente sua visão e sua política, quando a realidade muda. No entanto, ao longo dos últimos 25 anos, deparamos desafios sem precedentes: o suicídio do saldo líquido zero de emissões, a loucura das políticas de energia, a imigração massiva fora de controle, a desintegração social e cultural. Os tories tentam recuperar sua credibilidade ante suas próprias elites. Eles se preocupam mais com sua boa recepção num elegante jantar de liberais no norte de Londres do que com serem aclamados num botequim em Wolverhampton.

Por isso é que alguém como Nigel Farage goza de tão boa reputação pública. Ele fica à vontade entre as pessoas comuns. Faz um ano, vivi momento maravilhoso numa importante partida de futebol disputada pela seleção inglesa. Keir Starmer não queria ser visto torcendo pela Inglaterra. Achava que isso não seria comportamento adequado para um primeiro-ministro britânico. Então, alguém da comitiva lhe disse para “pelo menos vestir camisa branca”. O conselho foi acatado ― a contragosto.

Essa imagem de homem “que não é gente nossa” importa muito na visão dos eleitores. Não se trata apenas de questão de imagem publicitária. Quando Nigel Farage veste a camisa da Inglaterra num botequim, em meio a dezenas de torcedores, todos sorrindo de orelha a orelha, isso faz ver que ele está em seu lugar.

Atualmente, há muita vitalidade intelectual à direita. Do lado esquerdo, porém, não há nenhuma energia intelectual. Desesperada, a esquerda lança mão dos recursos de que ainda dispõe em termos de influência, de poder estatal e midiático, tentando sustentar projeto fadado ao fracasso, que já afunda. Isso lembra a União Soviética dos anos oitentas, quando a troika tinha perdido contato com a realidade.

 

Outro incidente envolvendo Keir Starmer ocorreu quando ele retirou a papoula, símbolo da rendição alemã na I Guerra, do seu paletó, antes de discursar sobre o mês de conscientização da islamofobia. Na ocasião, por sua vez, os dirigentes alemães declararam que o islã era parte da Alemanha. Que mensagem tudo isso passa?

Prof. James Orr: os dirigentes alemães só podem pensar o islã como constitutivo da Alemanha, porque já não têm a mínima noção do que seja a identidade nacional alemã. Evidentemente, a rápida islamização da Alemanha está correta em termos de descrição demográfica. De fato, a Alemanha está em via de se tornar, em razão dessa islamização, um dos países mais antissemitas do mundo e certamente o mais antissemita da Europa. Uma ideologia fundada no projeto de apagar e inverter tudo o que foi a Alemanha nos anos trintas resultou exatamente nessa transformação.

Como pensa que seria um governo dirigido por Nigel Farage?

Prof. James Orr: primeiramente, ele acabaria com a catástrofe econômica do saldo líquido zero. Só isso já elevaria enormemente a produtividade do país.

Depois, ele atacaria o problema da imigração: sairia do Tribunal Europeu do Direitos Humanos, deixaria Strasbourg, escapando à jurisdição de tribunal estrangeiro. O Brexit tinha por objetivo resgatar nossa soberania, particularmente sobre nossas fronteiras.

No entanto, continuamos sob a jurisdição de um tribunal forâneo, que determina quem podemos ou não podemos acolher em nosso país, quem podemos ou não podemos expulsar, e por que razão. Um absurdo! Nós firmamos numerosos tratados que agora devemos denunciar. Nós devemos restaurar a soberania parlamentar: o Parlamento deve retomar o controle, e a Corte suprema deve ser dissolvida.

Em matéria de tributação e empresarismo, a Inglaterra é um dos países mais pesadamente tributados do mundo desenvolvido. Criar uma empresa custa caro e envolve muita complicação. O partido Reform UK deve, portanto, revisar profundamente a estrutura fiscal e a situação dos incentivos fiscais.

O governo atual não faz outra coisa senão deteriorar a condição do país. Isso reforçará o apoio ao Reform UK. E sempre que os tories se insinuarem novamente, todo o mundo vai se lembrar dos catorze anos do seu governo desastroso, o que também fortalecerá o Reform UK. Eu tenho certeza que, daqui até 2029, o Reform UK estará em condições de conseguir uma maioria eleitoral esmagadora.

 

O Reform UK não é o único partido nacional-conservador em plena ascensão na Europa: há o Rassemblement National, de Marine Le Pen, na França, como também, por exemplo, o Alternative für Deutschland (AfD) na Alemanha. Essas forças políticas estão na iminência de se tornarem dominantes?

Prof. James Orr: desde as ondas migratórias de 2013 a 2015, o empoderecimento dos partidos soberanistas e nacionalistas tem sido extraordinário. A única resistência que deparam é a do aparelho do Estado, da guerra jurídica, da espionagem, da demonização midiática. Apesar disso tudo, tem havido sucessos eleitorais incríveis, estando os eleitores cada vez mais frustrados com a quase nula influência de seu voto, que não tem correspondido à nenhuma responsabilidade democrática.

Ainda assim ou por isso mesmo, partidos como o Vox na Espanha, o Chega em Portugal, a Liga e o Irmãos da Itália, o AfD, o Rassemblement National, o Vlaams Belang [Interesse Flamengo] na Bélgica, Geert Wilders na Holanda, o Fidesz na Hungria ― todos estão ganhando terreno. O Reform UK representa essa mesma tendência. Eu penso que o futuro pertence à direita em toda a Europa. O caminho, porém, será doloroso. Haverá casos chocantes de tentativas de exclusão de políticos populares. Haverá declarações de inconstitucionalidade contra partidos ― como já sofre o AfD. Haverá ativismo judiciário ― como já sofre [a primeira-ministra italiana], [Giorgia] Meloni, desde que tentou mudar a política migratória, conforme prometera aos eleitores que, por isso mesmo, a elegeriam. Acredito que a direita acabará por se impor, que veremos uma virada radical para a direita nos próximos cinco ou dez anos.

 

A migração é um dos principais temas abordados pelo Reform. O que os eleitores pensam dessa questão?

Prof. James Orr: a migração é hoje, e de longe, a questão mais importante para os eleitores britânicos. E se considerarmos as outras questões relacionadas a ela, veremos que todas são agravadas pela imigração massiva. É o caso, por exemplo, da saúde, da educação, da habitação. Nós importamos milhões de pessoas, mas poucas passam a trabalhar no sistema público de saúde, ao contrário do que sempre alegam os liberais para “justificar” a imigração massiva e descontrolada. Por outro lado, ― que “surpresa”! ― os migrantes também ficam doentes. Na verdade, os seus problemas de saúde costumam ser mais complexos que os dos etnobritânicos.

Quanto à educação, há vastas áreas em Londres onde as crianças nativas não podem estudar, porque lá, simplesmente, o inglês não é mais falado. Nesses lugares, em havendo crianças etnobritânicas, elas aprendem a detestar o seu país, a odiar sua herança cultural e a ter vergonha de tudo quanto os seus pais admiravam no passado.

Todo o país fica angustiado com a imigração. O Times começou a publicar os números desproporcionais sobre as agressões sexuais cometidas por estrangeiros, por migrantes. As estatísticas são, absolutamente, assombrosas. E, depois, há as gangues de proxenetas, há os estupros coletivos de meninas inglesas por violadores estrangeiros vindos de culturas moralmente atrasadas. Durante décadas, recebemos e hospedamos esses agressores e bandidos.

Os ingleses estão furiosos. A raiva nessa situação não vem da direita ou da esquerda. Vem de uma reação humana. O partido da reforma é a única força política que já se mostrou disposto a agir seriamente contra tudo isso.

 

A longo prazo, qual é o efeito da imigração na sociedade?

Prof. James Orr: a imigração nos impede de utilizar o pronome da primeira pessoa do plural. Fica impossível dizer “Nós, o povo”. Eu não tenho nada em comum com os violadores de Oxford, de Totherham, de Telford. Eu não quero nada com eles. Eu quero que eles sumam deste país o mais rápido possível. Eles não são ingleses, eles não são britânicos, eles não têm nenhum direito de pertencer à nossa família nacional. E, no entanto, os liberais me obrigam a fingir que eles sejam tão britânicos quanto eu. Não, quando pronuncio a palavra “Nós”, eu não penso nesse tipo de gente. Tampouco penso nas centenas de migrantes que todo dia desembarcam nas praias de Dôver e que, como por magia, conseguem passaporte daí a cinco ou dez anos. Esse tipo de empatia que nos forçam a sentir por todos os povos, exceto o nosso próprio povo, é tóxico, é antinatural. Eis aí um modo de pensar totalmente estranho para nós. Nenhuma civilização jamais convidou invasores, nunca os hospedou em hotéis de luxo e lhes deu todo o dinheiro que poderiam desejar.

 

E qual efeito terá a outra crise ― a guerra, na Europa?

Prof. James Orr: Vossoria se refere ao conflito eslávico entre a Rússia e a Ucrânia?

 

Vossia não pensa que se trate de uma guerra?

Prof. James Orr: eu não chamaria aquilo de “a” guerra. Antes se trata de um conflito que se desenvolve no mundo e que não me interessa muito.

 

Não obstante, aquele é conflito que se desenvolve bem perto de nossas fronteiras. Não passamos por nada disso desde a Iugoslávia dos anos noventas. Isso leva as nações da Europa à corrida das armas.

Prof. James Orr: se a Inglaterra estivesse em melhor situação, talvez os políticos pudessem se preocupar mais com Kieve do que com Kent. Por enquanto, eu me preocupo com Kent. Nós não somos nem capazes de proteger Kent contra os invasores ilegais ― por que, então, deveríamos nos preocupar com Kieve? Vamos primeiro resolver os problemas de Kent e, depois, poderíamos tratar de Kieve.

Ninguém duvida que [o presidente russo] Putin seja perigoso, malevolente, mas ele não é louco. Putin não é irracional. Nós achamos que ele seja Hitler, que a Ucrânia seja a Polônia e Kieve seja Varsóvia e nós aderimos, então, à teoria do dominó. Esta teoria reza que, depois de tomar a Ucrânia, ele atacará os países bálticos e, a seguir, atacará a Polônia. Essas premissas levam à conclusão de que deveríamos partir para o rearmamento. A meu ver, tudo isso é, simplesmente, uma loucura. Putin não cometeria a insanidade de ignorar o artigo 5.o e partir para a guerra contra a Otan.

Há toda sorte de razões pelas quais a Rússia tem os olhos postos sobre a Ucrânia. A expansão contínua da Otan desde 1991 foi provocação. A Otan é aliança militar que só passou a existir por uma razão: defender a Europa ocidental contra o Pacto de Varsóvia. O Pacto de Varsóvia se dissolveu, mas não a Otan. E quando a Rússia deu lembrança disso ao Ocidente, James Baker respondeu, em 1991, que a Otan não se deslocaria “nem um dedo” para leste. Apesar da bonita promessa, sabemos que os anos noventas testemunharam avanço da Otan na direção oriental de bem mais do que “um dedo”. E a expansão otaniana continua.

Isso não justifica as ações de Putin. Por outro lado, está ficando claro não ser verossímil que a invasão da Ucrânia prenuncie a invasão do restante da Europa. Não por essa bobagem, pois, deveríamos todos nos unir para a guerra.

Considero como dever mais fundamental de qualquer país o ser capaz de autodefesa. Não importa se liberal, marxista ou de extrema direita, o contrato social tem na segurança o seu elemento primacial. Ocorre, porém, que nós investimos muito pouco em defesa. Agora, depois de oitenta anos, os Estados Unidos fazem bem ao advertirem a Europa de que deve crescer e voar pelas próprias asas. Já é hora de começar a ganhar algum dinheiro e conquistar certa independência. O conflito entre a Rússia e a Ucrânia teve o efeito positivo de fazer ver à Europa que não pode mais seguir contando sempre com o tio Sam.

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Fonte: Breizh-info | Autoria: James Orr | Título original: Professeur James Orr: “Aucune civilisation n’a jamais invité des envahisseurs et les a logés dans des hôtels quatre étoiles”. | Data de publicação: 17 de agosto de 2025 | Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.

 

Patrick J. Deneen: intolerância: consequência lógica do liberalismo

Patrick J. Deneen, professor de Ciência Política na Universidade de Notre Dame e autor do influente livro Why liberalism failed [Por que o liberalismo falhou], impôs-se como uma das vozes mais críticas contra o paradigma político estabelecido depois da Segunda Guerra Mundial. Sua tese central é que o liberalismo, longe de garantir uma verdadeira diversidade, forçou a aceitação de molde ideológico destinado a subordinar as identidades e as tradições ao consumo e à eficácia econômica.

Nesta altura em que o mundo passa por completa reconfiguração, marcada pelo empoderecimento de novas nações, por tensões culturais internas e por crescente ceticismo quanto ao modelo mundialista, Deneen defende as lealdades locais, as raízes religiosas e as tradições nacionais como essenciais à saúde política das nações. Ele considera que a chamada “intolerância liberal” não consiste numa anomalia, mas sim numa consequência lógica de um sistema que, se não domestica as convicções profundas, recorre à coerção direta contra elas.

Sua leitura da política americana e europeia rompe com as categorias clássicas de esquerda e direita. Segundo ele, o novo plano de clivagem política aparta uma elite transnacional ― educada, cosmopolita e corporativista ― de uma classe trabalhadora que, paradoxalmente, deveio a principal força conservadora. A entrevista, realizada quando foi da MCC Feszt, resume suas ideias sobre a mudança de paradigma, os limites da tolerância progressista e o conceito de bem comum nas sociedades fragmentadas.

Nosso colega Javier Villamor entrevistou-o para The European Conservative. A tradução [do inglês para o francês] é nossa [da Breizh-info].

O paradigma direita-esquerda mudou?

Patrick J. Deneen: sim, fundamentalmente. Depois da Segunda Guerra Mundial, a esquerda defendia a classe trabalhadora, inspirada nas tradições socialistas e mesmo marxistas, enquanto a direita representava as elites financeiras. Atualmente, ocorre o inverso: o Partido Democrata americano é o partido das grandes empresas, da gente de alta renda e daqueles com escolaridade superior; seus principais doadores são as universidades, as corporações transnacionais e as grandes instituições. O Partido Republicano tornou-se o partido da classe trabalhadora. Isso desmantela a ideia de que os trabalhadores sejam sempre favoráveis às soluções de esquerda. O próprio Marx acreditava que a classe trabalhadora, sendo mais conservadora do que a elite, valorava a estabilidade, a ordem e as tradições.

Há um pensamento mundial monolítico que nos confronta em nome da diversidade?

Patrick J. Deneen: a diversidade foi sempre um desafio; não se trata de invenção moderna. O liberalismo contemporâneo sugere que não busquemos o bem comum, mas antes aquilo que nos der na veneta, observado um pacto de não agressão. Porém, isso pressupõe que todos sejamos sobretudo liberais; depois, se quisermos, poderemos escolher ser católicos ou judeus ou muçulmanos ou … Destarte, a diversidade pressuposta acaba por se dissolver numa homogeneidade formada de consumidores materialistas. A escolha forçada empobrece a vida humana, privando-nos de elementos essenciais, como a amizade, a família, a busca da verdade, sem o que nos perdemos num vazio de sentido.

Como o liberalismo reage àqueles que resistem à imposição de seu projeto?

Patrick J. Deneen: a princípio, por meios indiretos, econômicos, principalmente: para não ser marginalizado, é preciso deixar de lado as próprias crenças ou valores tradicionais, em nome da eficácia. Entretanto, quando a resistência passa a envolver aspectos fundamentais ― como a visão do homem e da mulher, o casamento ou Deus ― o liberalismo lança mão de meios diretos. Daí emerge o que eu chamo de “intolerância liberal” ou “liberalismo iliberal”. Não se trata de um desvio, mas sim da consequência lógica do próprio desenvolvimento liberal.

A avançada liberal tem limites?

Patrick J. Deneen: sim, a negação da realidade biológica chegou a um ponto de ruptura. Pretender que os homens e as mulheres não existam ou chamar as mulheres de “pessoas dotadas de útero” desencadeou uma reação popular. Todos aqueles que apoiaram Trump não o fizeram por afinidade pessoal, antes buscaram responder ao radicalismo progressista.

O liberalismo está, inevitavelmente, destinado a chegar ainda mais longe?

Patrick J. Deneen: seu movimento explica-se por sua lógica ínsita. O liberalismo busca subverter novas realidades, sempre no intento de plenificar a liberdade individual, razão pela qual ele toma o fato de alguém ser homem ou mulher, pai ou criança, como algo arbitrário, uma simples convenção social que se pode e deve mudar, conforme a livre vontade de cada pessoa. A realidade não se deixa substituir pelo desejo, mas a dinâmica revolucionária não arrefece. Nós estamos sofrendo as consequências terminais da lógica liberal, sendo o mesmo dizer que estamos submetidos à opressão liberal.

A verdade tem proteção?

Patrick J. Deneen: a realidade tende a se manifestar, porque ela faz parte da nossa natureza humana. Isso inclui o reconhecimento dos papéis distintos do homem e da mulher, mas também o fato de fazermos parte da natureza. Nessa questão, a direita retoma suas posições: não se trata só de alarmismo climático, mas de saber como viver sem transgredir os limites do planeta. Há uma tensão entre o otimismo tecnológico, que busca ultrapassar esses mesmos limites, chegando até Marte, e um conservadorismo mais terra-a-terra, valorador da agricultura, da comunidade local e da moderação no consumo.

Como a sua pessoa definiria o bem comum?

Patrick J. Deneen: a palavra “Comum”, em inglês, significa, simultaneamente, “Compartido” e “Ordinário”. Uma maneira de perceber o bem comum consiste em observar como se comportam as pessoas medianas, o homem da rua. Essa gente ascende ou declina? JD Vance, o atual vice-presidente dos Estados Unidos, tem origem nesse meio social e sabe o quanto dói vê-lo devastado por políticas socioeconômicas desacertadas. Uma sociedade bem-ordenada deve permitir às crianças das famílias comuns que disponham de oportunidades reais, mesmo sem as regalias da elite.

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Fonte: Breizh-info | Autor: Patrick J. Deneen | Título original: L’intolérance du libéralisme n’est pas une déviation, mais la conséquence logique de son développement. | Data de publicação: 16 de agosto de 2025 | Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho

 

Os jacarés do Haiti

Coitado do cachorro! Dia desses um jacaré matou um cachorro que brincava com o seu dono no Parque das Águas, agradável recanto na capital de Mato Grosso, Estado da Região Centro-Oeste do Brasil. No período chuvoso, as enxurradas levaram o réptil para o lago do Parque. Matar o monstro ou removê-lo dali parece a coisa óbvia a ser feita. “Não!”, dizem os “ecoanjinhos”, para quem deveríamos compartir o mundo com os animais, de igual para igual. Afinal, homens e animais somos todos filhinhos da mamãe-terra, conforme pensam. Foi dado o nome de “César” ao jacaré. Considerada a questão de perspectiva mais aprofundada, fica evidente que não se trata apenas de um problema zoológico. Na verdade, César coloca a questão da presença do outro em nossas vidas. De fato, com o fim das fronteiras estatais por força da globalização, todo imigrante sente-se como um imperador em boa parte do mundo ocidental. Na enxurrada da imigração, milhares de Césares vieram do Haiti. O que fazer com tantos jacarés?
Os corregedores políticos não aceitam a expulsão dos jacarés. Uma brutalidade, forma injusta de discriminação na santa opinião deles. Não faltam advogados para defender jacarés, cobras e lagartos. (Além de seus honorários, claro, porque ninguém é de ferro.) Esses paladinos, amantes da fraternidade universal estão sempre à espreita. Sondam as palavras para identificar as ideologias e notícias falsas, os pareceres errados, os desacordos públicos, os crimes de consciência. Então enredam juridicamente toda desconformidade, extorquem os divergentes, demonizam-nos. E os inconformados passam a ser os “reis do ódio”, o “lixo branco”.
Pesam sobre nós a cultura e a política da submissão total à alteridade. O alterismo significa nova forma de ditadura. A ditadura alteritária é pior do que qualquer regime autoritário, pois os ditadores alteritários acreditam-se legitimados simplesmente por sobrepor o “Alter” ao “Auto”, ou seja, sobrepor os outros a cada um, mesmo quando o outro for um jacaré (literalmente).
Cuiabá deve reagir! Os cuiabanos não podemos esperar nada das autoridades. Ninguém entre aqueles no governo do município tem a coragem de dizer alguma coisa contra jacarés ou imigrantes indesejados. A própria Prefeitura opera contra nossa cidade: ela só contrata empresas que tenham empregados negros, geralmente haitianos. Ali predominam os interesses pessoais, familiares, eleitorais, negociais… Quem ousaria desafiar a Nova Ordem Mundial, opondo-se à invasão imigratória? Quem poderia afrontar sem temor as forças avassaladoras do globalismo? Quem se arriscaria a quebrar a moldura institucional que na mídia, na educação, na Igreja, na Maçonaria, na OAB, no STF como em todo o aparato jurídico do Brasil e de todo o Ocidente cerceia a livre expressão do pensamento, quando não politicamente correta? Como são cretinos os censores! Fomentar a censura a título de defender a democracia é muita cretinice, sem dúvida, a não ser para os próprios cretinos. E por que os violadores da liberdade de expressão calam as vozes da dissidência ideológica, política, cultural e até científica? A resposta é que o fazem para acumular poder. Aqueles que distribuem as raças concentram poder.
Foi preciso uma guerra mundial para que a imigração pudesse destruir a Alemanha, transformando-a numa “jurisdição” internacional de africanos, asiáticos, muçulmanos, todos devidamente obedientes ao poder judaico. Aliás, parece ter havido uma troca: os judeus deram a Europa para os árabes, que deram a Palestina para os judeus. No nosso caso, não será preciso mais uma guerra para a reafricanização de Cuiabá. Os negros são soldados da elite globalista na guerra híbrida. Sob o disfarce de refugiados ou imigrantes, eles cruzam fronteiras sem que precisem disparar nenhum tiro. Os paraguaios não conseguiram tomar Cuiabá, mas os haitianos estão conseguindo, dissimulada e impunemente. A mídia do estabilismo fez dos invasores seres intocáveis. Os intrusos são jacarés que vêm do Haiti, intocáveis como César.
Cuiabá também será deles, nós estamos perdendo Cuiabá. A capital de Mato Grosso foi entregue ao Haiti, como todo o Brasil. A nova lei da imigração faz do Brasil uma terra de ninguém, porque dá a qualquer bangalafumenga do mundo acesso ao que era o nosso território. Não, os legisladores responsáveis por tanta generosidade não são benfeitores da humanidade, não são imitadores de Cristo, embora assim se apresentem, aquando de eleições. Muitos deles, o principal deles inclusive, o mentor dessa lei antinacional, o senador Aloysio Nunes, são do PSDB, o partido de Aécio Neves, que não tem o psicograma exato de um santo. Na verdade, são canalhas, são traidores, são homens de negócio travestidos de políticos. Para esses idiotas, a mão de obra não tem cor. Se barata, se obediente, interessa. A transformação da nossa classe trabalhadora numa casta racial de negros não lhes diria respeito.
O animal humano pode ser pior do que qualquer outro. Quem já teve a propriedade invadida por sem-terras sabe que invasores humanos soem ser mais perigosos e destrutivos do que jacarés. Eis por que devemos controlar as fronteiras do Brasil da forma como controlamos as portas de nossa casa. O verdadeiro e fundamental planejamento é o da população, o qual teve buscar a unidade, não a diversidade. A política que permite o tráfico negreiro para o Brasil em pleno século XXI é suicídio étnico, é crime de lesa-pátria. Seus promotores ainda haverão de balançar na ponta de uma corda como traidores do Brasil. Mais negros significa mais desigualdade, mais conflito, mais racismo, mais criminalidade e mais cotas, muita cota. A solução para o problema do negro é muito simples: assimilação ou extermínio. Agora, na África do Sul, os brancos estão sendo exterminados, como o foram há mais de dois séculos no Haiti. Na República Dominicana, os negros levaram a pior (Massacre da Salsinha).
Quem não quisesse a guerra não deveria estar promovendo a alteridade racial de forma nenhuma. Aqueles que a favorecem fazem-no por ignorância ou ingenuidade. Mas também há, em altas e obscuras esferas do poder internacional, os que agem maliciosamente por interesses políticos inconfessáveis: desagregar sociedades, subverter a coesão social, inviabilizar o desenvolvimento de povos em formação, maquinando sempre a fragmentação étnica, para dividir e dominar. Devemos reagir ou acabaremos devorados pelo monstro da alteridade, que os globalistas criam como seu animal de estimação.
Vereadores tratam de empregar apaniguados na Prefeitura, empresários tacanhos buscam contratos superfaturados com o Município, autoridades da própria Prefeitura repicam o chavão da diversidade como “riqueza”. Inaceitável! Enquanto idiotas e traidores assim procedem, os jacarés continuam a chegar e se multiplicam. Perdemos a paz, mas podemos ganhar a guerra. Não há alternativa: sem luta, acabaremos como aquele pobre cachorro do Parque das Águas.
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Autoria: Chauke Stephan Filho: mato-grossense nascido em Cuiabá em 1960. Estudou Sociologia e Política na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio), Português e Literatura Brasilesa na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e cursou também Educação (pós-graduação) na Universidade de Cuiabá (Unic). Dedica-se ao estudo da sociologia do racismo e de conflitos afins como servidor da Prefeitura de Cuiabá. Nesta mesma Prefeitura, presta serviços como revisor de textos.

Oração pela salvação da Alemanha

— Alemanha!
— Presente.
— Alemanha!
— Aqui.
— Oh Alemanha, respondei!
— Nós estamos aqui.
— Sobrevivestes, então. Mas estais aí no chão, humilhada, ensanguentada, pisoteada, dilacerada, violentada. E rastejais entre botas e sapatos de luxo. Traidores falam por vós. Que incrível! Eles mesmos censuram vossa voz. Vosso território foi tomado, vosso espírito, quase destruído, sobrevive envenenado. Agora abraçais os invasores. Estais irreconhecível. Turcos, árabes, negros e homens femininos tomam vossas ruas. Esses serão os novos alemães? Serão esses os sucessores dos supersoldados e patriotas da Wehrmacht?
— Não! Não pode ser! Haveremos de renascer. Alemã outra vez, a Alemanha há de ser.
— O incêndio do bandido Churchill, o que restou da Pátria que Wotan levantou?
— Restamos nós, os alemães que a derrota não venceu. Nosso espírito não se rendeu à mídia do hebreu. Ante o inimigo não nos curvamos, e na resistência contra-atacamos. Somos os filhos leais de nosso Povo. Não trocaremos nosso lar pelo telefone celular. Resgataremos outros irmãos, milhões. Oh Mãe caída desta Europa, sem vós tão daninha, voltareis a ser rainha.
— A besta Stálin…
— Maldito seja!
— O assaltante Roosevelt…
— Maldito seja!
— E Angela Merkel, quem é?
— A traidora. A cadela, mas vai chegar a hora dela.
— Merkel merece o quê?
— A forca! A forca! A forca!
— Bendita corda que nos acorda.
— E o Führer?
— O Führer caiu para não vivermos de joelhos. Nele está a glória da história.
— O espírito de Hitler, onde está?
— Ele está entre nós.
— Amém!
— Amém!
— Salve a Alemanha livre!
— Salve!
— Salvemos a Alemanha! Oh Alemanha, espírito de ordem e poder. Oh Alemanha, matriz de arte e saber. Alemães, levantai-vos da prostração, pela Alemanha, vossa Mãe! A Pátria alemã não se pode perder, mesmo derrotadas suas armas, porque a vitória habita vosso espírito. Escutai a voz de vossa natureza. As bandeiras ao alto, onde estão? Ah, vosso entusiasmo se abateu, vosso futuro se perdeu. Alemães, que foi feito de vós?! Antes, tão altivos, agora tão submissos!? A marcha, o passo de ganso, a cara ao sol, por que tudo cessar, se a história é guerrear? Serão vossos filhos, lacaios de vossos inimigos? E vossas filhas, as mulheres de violadores? Demônios dizem “Alemanha, morra! Alemães, adeus!” e sorriem ao destruir vossos símbolos, ao pisar as bandeiras que antes drapejavam ao alto. Vossos velhos aliados choram de dor e raiva, esperando ouvir de vossa boca o chamado da vingança. “Adeus” à pátria dourada e gloriosa!? Ah, que dizem!? Que fazem, esses malditos, contra vós!? Alemães, não respondais ao adeus de vossos inimigos, nem digais adeus a vós mesmos. Não podeis desaparecer assim, como se nada se perdesse para o mundo. Vós, que tanto canhão destroçastes, tão fácil podeis lançar ao chão antenas de televisão. Com alguns trancos podeis derrubar sinagogas e bancos. Buscai no passado nova vida. Invocai o espírito de vossos mortos! Ver caída a Alemanha, quem aguenta? Que volte o tempo a 1940. Oh Tempo, volta! E traga de volta a Alemanha, amada e armada outra vez.

— Chamemos os nossos soldados, clamemos por nossos maiores!
— Hermann!
— Volta!
— Jodr!
— Volta!
— Keitel!
— Volta!
— Eva Brown!
— Volta!
— Bormann!
— Volta!
— Blonde, você também!
— Vem, vem!
— Von Paulus!
— Volta! E desta vez rasga como seda a inimiga defesa!

— Alemães, já fostes grandes, fostes os maiores, ninguém como vós será grande, nas letras ou nos números, no pensar ou no agir, na paz ou na guerra. Vossa grandeza feria a alma mesquinha de vossos inimigos. Eles vos agrediram. Lançaram-se sobre vós, porque a Alemanha se levantava, porque vossa Pátria se libertava do jugo bretão, porque desmascarada estava a maquinação do candelabro contra vós. Graças ao Führer, o gigante ariano estava de pé. Então os anões à sua sombra quiseram derrubá-lo. Pretenderam manter a vós, os filhos da raça superior, como cachorros no quintal de seu mundo colonial. Hitler insurgiu-se ante tamanha indignidade. Libertar a Alemanha significaria libertar o mundo da cabala judia. Por tamanha ousadia, nunca seríeis perdoados.

Contra vós moveram todo o poder do metal maldito e das armas, das palavras e da mentira. Perdestes a guerra. Porque a Alemanha perdeu, o mundo perdeu. Derrota mundial. Quantos e quão vis eram os inimigos de vossa raça-senhora! Lutastes em duas frentes, até o fim. Vossa obediência, vossa disciplina, vossa lealdade à Mãe-pátria, isso fez de vossos bravos os mais bravos de todos os bravos. Fica para sempre na história vossa marca de super-homens, para assombro e exemplo dos séculos vindouros.

Milênios durou a vossa glória. Brilháveis já no atropelo das tribos árias que deixavam a fria tundra da Ásia hiperbórea, rumo ao Ocidente, em marcha arrebatadora. Viestes até a Gália, onde vos estabelecestes, sob os olhos vigilantes da guarda do Reno. Os primeiros na barbárie, seríeis também os primeiros na civilização.

Perdida a guerra, perdestes o território, perdestes os vossos bravos, perdestes a memória, perdestes o Führer. Agora, perdeis a vós mesmos, perdeis a própria identidade. O inimigo transformou milhões de vossos irmãos em janízaros. Os invasores ditam normas, mudam vosso comportamento, demarcam territórios, obedecem à própria lei, desafiam a vossa autoridade, violam vossas mulheres. Tudo decai, todos se humilham. Eles tomaram a Alemanha dos alemães. A raça de Lutero, Wagner e Nietzsche tornou-se estranha na própria Alemanha e obedece ao mando de usurpadores.

Os invasores transfiguram vosso corpo, apossam-se de vossa alma. Que covarde ataque! Vossos inimigos querem destruir-vos para sempre. Tombastes no campo de honra, abatendo os chacais da usura e seus torpes aliados. E vossos inimigos alçaram-se no campo da infâmia, da mentira, da propaganda que em corpos de homens incute o espírito de crianças e mulheres suicidas. E quantos de vós mesmos acreditastes! Fizeram-vos crer em vossa fictícia culpa. Não, não sois culpados, não há culpa, não errastes. Vosso único erro foi perder a guerra. Vossa superioridade, vossa força, vosso orgulho, vede agora transformados em crime.

Assim é que continuou o holocausto alemão. O genocídio estendeu-se para além da vossa derrota. Aos soldados inimigos seguiram-se povos que também perderam suas pátrias para os mesmos fingidos conquistadores. Gente mais fraca que só pode compartir convosco a própria miséria. A guerra continua, mas agora se chama paz. Os portões da velha e nobre fortaleza alemã estão sendo abertos por dentro. Quem mais devia zelar pela solidez de seus muros trabalha afanosamente para solapá-los. Os inimigos do Führer, aqueles que o empurraram para a guerra, têm a Alemanha em seu poder e a dirigem contra si mesma.

Mais uma vez a gloriosa Alemanha está sendo traída. A louca Merkel à frente da quinta-coluna tangeu a Alemanha para o abismo. E muitos irmãos tudo aceitam, quais suicidas. Décadas e décadas de mentiras voltaram a consciência alemã contra o corpo alemão. O inimigo empoderou-se da mente alemã. Por isso Angela Merkel ganhou eleições, mas no cadafalso devia terminar a vida e a farsa dessa falsa, pela salvação da Alemanha verdadeira.

Sabiam os inimigos que, enquanto houvesse alemães na Alemanha, a derrota da pátria ariana jamais seria permanente. Não lhes bastou, por isso, derrotar o Führer. Não lhes satisfez a queda do nacional-socialismo. Perceberam que apenas cortavam ramos de uma grande árvore. Havia mais e pior a fazer contra a Alemanha. E foi que decidiram, então, dissolver o próprio povo alemão, de cujo seio partiam as raízes do colosso. Eis como do povo alemão, antes o mais poderoso da Europa, fizeram rebanho, gado humano tangido para o matadouro por burocratas e agiotas, servos do bezerro, lacaios da talassocracia anglossionista.

Alemães, acordai! Despertai do sono inerme. Atenção! Toda a Europa estará perdida, se perdida for a Alemanha, e para sempre. O perigo não poderia ser maior, a ameaça é mortal: da forma mais radical possível, a Alemanha pode desaparecer: está sendo desbaratada a sua herança genética. Em busca desse fim opera a oligarquia da Nova Ordem Mundial, toda ela do caos constituinte. Para o vosso território ela lança o exército migrante de invasores. A infame Merkel deu-lhes as boas-vindas. A infame Merkel fez da Alemanha uma colônia aberta para todo o mundo, mas fechada para os próprios alemães. A infame Merkel deve pagar com a vida a enormidade de seu crime.

Não! Não podeis ter fim, oh povo glorioso! Dizia o poeta que quando tudo parece perdido tudo está para ser salvo. Seja o momento de vosso fim o instante de vossa salvação. Sirva o perigo de vossa extinção à revolta pela vida. Não se pode extinguir a raça de soldados, filósofos, técnicos, sacerdotes e artistas. Não desapareçais! Esperamos vossa volta, queremos vossa reação. Recuperai vosso poder! Peça cada alemão ao martelo de Thor, à espada de Odim: “Seja por mim!”. Defendei vossos limes! Expulsai os invasores! Justiçai os traidores! A Alemanha, ninguém vo-la pode tomar. Seja a Alemanha para os alemães. Agora e sempre, amém!
— Amém!
— Amém!
— Amém!
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Autoria: Chauke Stephan Filho: mato-grossense nascido em Cuiabá em 1960. Estudou Sociologia e Política na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio), Português e Literatura Brasilesa na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e cursou também Educação (pós-graduação) na Universidade de Cuiabá (Unic). Dedica-se ao estudo da sociologia do racismo e de conflitos afins como servidor da Prefeitura de Cuiabá. Nesta mesma Prefeitura, presta serviços como revisor de textos.

27 de janeiro: o dia internacional da memória do Holocausto

“Sonhos de crianças judias de Theresienstadt em exposição de desenhos”. Esta era a manchete da matéria de 26 jan. 2019, na revista digital Conexão Política. Que bonito! Que lindo! Oh! Quantas emoções…

Não só no 27 de janeiro, senão também por todo o ano, por todos os meios de comunicação, somos “gaseados” pelas lembranças do sempre badalado “Holocausto”. Essa tal “exposição” na Sinagoga (do diabo) de Pinkas, em Praga (Chéquia), é mais uma das famosas histórias de campos de concentração. Seu teor é de pieguice e mentira em altas doses. Tais histórias abundam na mídia e muita gente ainda acredita nelas. Santa ingenuidade!

Os judeus são os maiores mestres na arte da dissimulação, não apenas em termos das técnicas de camuflagem militar. Agora mesmo estão no Brasil para desenterrar os mortos do desastre da represa que se rompru em Brumadinho. “Um povo de bom coração!”, já disse alguém comovido por tanta “solidariedade”. “Bom coração” ?! Humm… Será?

Não!! Os judeus desenterram os mortos no Brasil, mas enterram os vivos na Palestina.

A intenção declarada das histórias do tipo “Anne Frank” não poderia ser mais edificante: cultuar a memória da violência racial para que não se repita. A repressão, a perseguição e morte massivas de minorias são associadas à “intolerância” das maiorias. Em milhares de anos de história, utopias continuam não tendo lugar neste “vale de lágrimas”. Será que se as minorias estivessem no poder o mundo seria melhor?

Na verdade, as minorias não fazem o mundo melhor. Tomemos, por exemplo, o caso das minorias judaicas. Os judeus tomaram o poder na Alemanha, e os alemães estão desaparecendo. Os judeus tomaram o poder na África do Sul e os africânderes estão desaparecendo. Os judeus tomaram o poder na Palestina, e os palestinos estão desaparecendo.

Não restará nenhum gói, a não ser como escravo, quando for completo o controle do mundo pelos sábios de Sião. E por quê? Porque nós somos maus, nós somos intolerantes, nós somos racistas, porque queremos fechar fronteiras e porque eles são os “ditadores da virtude”, que abraçam as minorias e querem dar o mundo a elas. O mundo! Mas não “Israel”. Então o Estado judeu existirá como ilha de ordem e unidade étnica em meio a um oceano de caos e “diversidade”. Aí, finalmente, nada nem ninguém haverá que poderá resistir ao poder absoluto de Sião.

Como se sabe, o território conquistado pela entidade sionista têm fronteiras móveis, tendentes à expansão perpétua, sendo muito bem vigiadas com o emprego de aparato eletrônico de alta tecnologia. Bilhões de dólares são investidos nas condições políticas, econômicas, sociais, diplomáticas, geográficas, militares e psicológicas mais favoráveis à manutenção da pureza racial do judeu. Em “Israel” os “migrantes” palestinos não poderiam se estabelecer mesmo se para lá fossem cantando aquela canção de John Lennon (Imagine) e ferindo o céu com o signo tão alegre da bandeira septicolor. Os judeus conquistaram o seu espaço vital, e quase todo o resto do mundo resta num espaço mortal.

Entre os investimentos da entidade sionista na projeção de seu poder em qualquer parte do mundo, nas diversas áreas de seu interesse, como espionagem, sabotagem, guerra, genocídio, direitos humanos, ongues, assassinatos etc., estão as inversões na chamada “indústria do holocausto” (Norman Finkelstein). O holocausto, também conhecido como “holoconto” ou “holofraude”, consiste na gigantesca calúnia contra os alemães, que já dura mais de setenta anos, atribuindo-lhes a prática de atrocidades nos campos de concentração, como seria o caso da suposta execução de seis milhões de judeus em “câmaras de gás”.

A indústria do holocausto vale-se da mídia para disseminar tais lorotas. Jornalistas e escritores emprestam o seu talento ficcional para criação de dramas sentimentais com base nos “testemunhos” de “sobreviventes” dos “campos de extermínio” do “endemoninhado” Hitler. Depois da criação literária da culpa, depois de apontados os culpados, que podem ser indivíduos ou povos inteiros, entram em cena os advogados para cobrar as indenizações e, claro, os seus “honorários”.

Se há um holocausto verdadeiro, é o que ocorre na Palestina ocupada, onde as atrocidades que perpetra o exército infanticida judeu, todo dia, banalizam o terror, como se a frieza diabólica dos dirigentes sionistas fosse coisa normal, conforme vista por seus cúmplices e lacaios ocidentais. A propósito, quais seriam os sonhos das crianças palestinas? Na verdade, enquanto as crianças judias “sonham”, as crianças palestinas têm pesadelos, sofrem, são queimadas, soterradas, despedaçadas… em “legítima defesa”! Os assoladores judeus, na sua farra de sangue, sua sanha de poder e no gozo da impunidade, fazem que às crianças palestinas pareça invejável a vida de Anne Frank.

“Eretz Israel Hashlema”, o Grande Israel, o território sionista estendido do Nilo ao Eufrates. Eis o verdadeiro sonho judeu. Um sonho nada infantil cujas sangrentas consequências a memória do holocausto mantém no esquecimento.

Autoria: Chauke Stephan Filho: nasceu em Cuiabá no ano de 1960. Com formação em sociologia e política (PUC/RJ), português e literatura (UFMT) e educação (Unic), dedica-se ao estudo da sociologia do racismo como servidor da Prefeitura de Cuiabá, onde também serve como revisor. Colabora com The Occidental Observer.

A ONU, a imigração, a tolerância e o prefeito de Cuiabá

Parece que a Organização das Nações Unidas (ONU) substituiu a Santa Sé como centro de representação do Bem neste mundo tão mau e censurável. O último preceito anunciado da bem-aventurança que nos chega de Nova Iorque (!) já mereceu destaque de editorial num jornalãozinho de Cuiabá. Trata-se da pregação em favor da “Tolerância” ante o “necessário” acolhimento das massas de migrantes que a elite global tange como a um rebanho conforme seus interesses. A campanha de manipulação psicossocial integra-se na estratégia de criação de uma ordem supranacional para plasmar o mundo à imagem e semelhança da casta global. O projeto de poder envolve uma espécie de cristandade invertida de legebetistas, toxicômanos, “antirracistas” e toda sorte de grupos minoritários de marginais e descontentes capazes de produzir desagregação social. No trono de São Pedro pós-moderno estaria assentado o especulador judeu George Soros, o “bom burguês” dos esquerdizoides. Para a dissimulação desses diabólicos desígnios, a Unesco associa a tudo isso, muito natural e candidamente, a data de 16 de novembro como o “Dia Internacional da Tolerância”.

Entrementes, na realidade do cotidiano do Brasil, como em todo o planeta, todo o mundo é racista. O racismo não é só coisa de branco ou moreno, mas também, e principalmente, de negros. O racismo negro é teoricamente antibranco, quando formulado em termos teóricos na academia. Os “representantes” de movimentos negros cultuam a memória lendária de Zumbi, buscam exaltar a “consciência negra”, negam que haja diferenças inatas entre as raças, dizem que o negro é lindo… mas se casam com gente branca!

Ora, por que um país de consciência branca deveria se preparar para “acolher” populações negras? Por que a hipocrisia de intelectuais universitários, militantes diversos e editorialistas da imprensa deveria ser imposta à população da capital de Mato Grosso, a todo o Brasil, à Europa, ao mundo inteiro? Respondem os santarrões politicamente corretos que assim se comportam as pessoas boazinhas. Dizem também que o Lobo Mau é racista. Querem nos fazer acreditar que todo imigrante é Chapeuzinho Vermelho. Sabemos, entretanto, o que Chapeuzinho fez com o Lobo Mau no Haiti, por volta de 1800.

Vem da ONU o apelo para que vivamos todos juntos, fraternalmente, no seio de Pachamama, num mundo sem fronteiras. Uma pregação linda, espiritualmente muito elevada, tão elevada que acaba no mundo da Lua. Essa mesma mensagem, por incrível que pareça, é veiculada em toda parte, por todos os meios, o tempo todo e a pretexto de tudo. Está nos livros, nos cinemas, na televisão, nos caixas eletrônicos, nos cartazes de rua, está no editorial de A Gazeta, jornal de Cuiabá, do dia 22 de novembro de 2018. O texto representa um tapa na cara dos leitores desse jornal. É como pedir a palestinos para que se convertam ao judaísmo. Nossa sensibilidade psicossocial recebe a invasão alógena como a carne recebe a faca. A carne não pode tolerar a faca. (Felizmente Bolsonaro não morreu.)

A ONU, o que é, afinal? A ONU é um clube dos vencedores da Segunda Guerra Mundial para continuar a guerra por outros meios. A propaganda diz que seu objetivo é manter a paz e a harmonia entre as nações. Eles querem a paz, realmente, mas fica faltando esclarecer um “detalhe”: a paz só se justifica como condição de manutenção do poder deles. Por isso não defendem a paz na Líbia, nem na Síria, tampouco no Irã ou em tantos outros lugares onde a guerra pode ser mais atraente. Pela mesma razão não quiseram a paz que lhes ofereceu Hitler em 1939, depois de tomar a Polônia. Se aceitassem, a Guerra teria começado e terminado com a invasão da Polônia. Não queriam a paz; queriam o mundo todo para si.

Os mentidos mentores da ONU passaram a querer a paz só em 1945. Nesta triste data os donos do mundo venceram a Guerra. Então enforcaram seus inimigos, depois de devidamente diabolizados, e ainda transformaram a poderosa Alemanha de Hitler na colônia judaica que sionistas ainda hoje parasitam. Transcorridos mais de 50 anos de doutrinação antinacional na Alemanha, a própria dirigente (anti)alemã, Angela Merkel, entrega as mulheres de seu país aos estupradores de todo o mundo na farra da imigração.

Agora os porta-vozes de George Soros em Cuiabá pedem que acolhamos os invasores do Haiti em nome da “tolerância”. Tanta abertura à diversidade não deve sair barato. Aliás, quanto a Prefeitura dá para os haitianos da Pastoral dos Migrantes? Os municipários ganhamos tão pouco. Em vez de mandar recurso público para o Haiti, o prefeito deveria empregá-lo para pagar melhores salários aos seus servidores.

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Autoria: Chauke Stephan Filho: mato-grossense nascido em Cuiabá em 1960. Estudou Sociologia e Política na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio), Português e Literatura Brasilesa na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e cursou também Educação (pós-graduação) na Universidade de Cuiabá (Unic). Dedica-se ao estudo da sociologia do racismo e de conflitos afins como servidor da Prefeitura de Cuiabá. Nesta mesma Prefeitura, presta serviços como revisor de textos. É colaborador de The Occidental Observer.

 

Marshall Yeats: Carl Jung e os judeus

Na verdade, o próprio judeu incita o antissemitismo no seu afã de acusá-lo em toda parte.
(Carl Jung ― 1934)

Desde há bastante tempo, eu sinto forte interesse pela obsessão do judeus em relação a personalidades históricas já falecidas que fizeram comentários não muito lisonjeiros sobre a raça deles. Quanto mais famoso e talentoso o publicista, maior a intensidade da obsessão. Aqui mesmo, em The Occidental Observer, já foram indicadas algumas dessas obstinações, como no caso da vindita judia contra T. S. Eliot e contra o seu contemporâneo Ezra Pound. Anthony Julius, em T. S. Eliot, anti-Semitism and Literary Form, por exemplo, escreve que os leitores judeus da poesia de Eliot reagem, ao mesmo tempo, com “horror e admiração”.[1] Horror, porque percebem como injustificada a crítica ao seu grupo étnico, que se torna mais incisiva por causa da sensibilidade etnocêntrica deles. Admiração, por outro lado, porque eles apreciam, apesar de si mesmos, o talento desse escritor que os ameaça e é atacado. A “atração” pela qual eles sempre voltam a lidar com o escritor-alvo é decorrência do desejo de desconstruir e rebaixar aquele talento e, assim, vingar ou mitigar a crítica.

Os judeus estão presos, também, e firmemente, a um medo ou paranoia de raízes na história. Para os judeus, o passado está sempre presente, levando-os a comportamentos perigosos e extremamente agressivos contra as populações inclusivas. A expressão perfeita dessa paranoia pode ser encontrada num recente artigo saído em The Guardian escrito pelo jornalista judeu Barney Ronay. Quando escreveu o texto, Ronay estava na Alemanha, cobrindo o Campeonato Europeu de Futebol, mas ele não consegue fazer parecer que o seu foco está no esporte. Ele informa a seus leitores que “gostou de estar neste caloroso, amigável lugar para a Euro 2024, um tipo de volta ao lar. Mas nada nesta casa evita que eu me sinta aterrorizado aqui”. E ele continua nos seguintes termos:

Aqui vai, a título de exemplo, uma lista não exaustiva das coisas alemãs que são medonhas  para mim, começando pelo meu primeiro dia aqui, quando uma feliz mulher alemã ria às gargalhadas num trem que passava pelo bosque na periferia de Munique, uma cena que me deu medo pelo riso solto alemão de doido feliz. Os trens alemães são medonhos. Os ramais das ferrovias alemãs são medonhos. Há muita vibração negativa aqui, que me esgota. Uma floresta alemã é medonha, principalmente no lugar das clareiras. Um parque alemão vazio ao anoitecer é medonho. Qualquer praça de uma cidadezinha alemã é medonha … E o que mais? A mobília alemã de madeira escura. Uma fileira de bicicletas alemãs estacionadas. (Para onde iriam? Será que precisarei de uma?) As escadas alemãs, os corredores, as malas. A maioria dos sapatos alemães. Os sapatos alemães descartados.

Muitos desses medos têm origem em histórias contadas às crianças judias e são reforçados por grupos culturais e políticos judeus. O medo é uma peça-chave no mecanismo que mantém o etnocentrismo judeu, daí a ADL investir fortunas em pesquisas sobre o antissemitismo como forma de amedrontar e tanger o rebanho étnico para a ação unitária. No caso de Ronay, “um mito da família reza que um tio distante foi retirado de um trem e baleado. A bala atravessou o pescoço, ele ficou caído um tempinho, mas logo se levantou e voltou a lutar pela resistência”. Eu aplaudo o emprego da palavra “Mito” aqui, mas existem centenas de milhares de famílias judias que acolhem essas contos de bicho-papão como fatos históricos. E o medo judaico, o etnocentrismo judaico têm necessidade de bichos-papões, e destes o mais óbvio é Hitler, havendo também outros mais persistentes em termos culturais como Eliot ou Pound ― figuras de que ainda se pode tratar em público com respeito e admiração. Entre essas figuras está Carl Jung.

Carl Jung e The Culture of Critic

Embora (ou por isso mesmo) Jung já tenha sido associado à psicanálise ― uma “ciência” tão judaica que consta em The Culture of Critic, o livro de Kevin MacDonald sobre os movimentos intelectuais judaicos ― o psiquiatra suiço vem se tornando, cada vez mais, alvo de condenação, desconstrução e crítica nos últimos anos. No recém-publicado Anti-Semitism and Analytical Psychology: Jung, Politics and Culture, o acadêmico judeu Daniel Burston escreve isto:

No mundo atual da psicoterapia, ninguém pode ser junguiano sem dever responder à acusação de que Jung foi nazista e antissemita. […] Suas declarações sobre os valores supermaterialistas da psicologia judaica de efeitos corrosivos na natureza espiritual da psique foram feitas nos anos trintas. […] Psicanalistas deixaram de estudar Jung por causa disso; pela mesma razão outros intelectuais lançam Jung ao descrédito.[2]

Num parágrafo que mais parece o de uma novela de terror, Jung é figurado como bicho-papão, e o antissemitismo, explicado como fenômeno misterioso, fantasmagórico e aterrorizante:

Depois da leitura deste livro, talvez os junguianos compreendam por que tantos judeus veem o antissemitismo como o inimigo metamórfico e imortal sempre presente nos recônditos das culturas cristã e islâmica; um oponente que jaz dormente por curtos ou longos períodos, mas que sempre se levanta para voltar a nos atormentar ao longo dos séculos.

“Inimigo metamórfico e imortal”… Deus me livre e guarde!

Burston estabelece uma distinção entre o que ele chama de antissemitas de “baixo nível e alta intensidade” e antissemitas de “alto nível e baixa intensidade”. Ele menciona, abertamente, Kevin MacDonald como exemplo de alguém na segunda dessas categorias, na qual também inclui Jung. Burston alega que “intelectuais antissemitas” como MacDonald e Jung, embora não sendo violentos, “darão cobertura ou apoio para os antissemitas menos cultos e mais explícitos, quando for o caso”. A tentativa de difamação aí é, pois, dizer que homens como MacDonald e Jung são, na essência, bandidos vestidos de terno.

Burston reporta o pensamento de Jung ao movimento neoconservador dominante no seu tempo de universidade, com Jung sendo pintado como alguém sob a influência de certo germanismo quase bárbaro:

Ele rejeitou o naturalismo e foi atraído para o simbolismo e o irracionalismo. Na política, ele questionou a democracia e rejeitou o socialismo, maisquerendo o elitismo nietzschiano. […] Jung adotou a crítica [de Eduard von Hartmann] à modernidade, [incluindo sua] preocupação com a “judaização” da sociedade moderna. […] Para Jung, Freud tinha se tornado o representante de uma mundivisão racionalística e “desencantada”.[3]

Nos anos vintes e trintas, adeptos de Freud e Jung viam-se como oponentes numa batalha pela civilização conforme cada um dos lados a definia. Em virtude de seu antimaterialismo e de suas críticas a muitas das mais perversas teorias de Freud, os freudianos ― na maioria judeus, tinham Jung em conta de um antissemita e, mais tarde, de um “arauto do barbarismo fascista e nazista”. Mantendo esse mesmo viés, Burston diz existir “uma significativa e perturbadora ligação entre a dinâmica do antissemitismo no decorrer dos séculos e a psicologia e política de Carl Jung”.

O maior problema dos judeus do passado e do presente quanto a Jung é que ele se atreveu a refletir e fixar o olhar analítico sobre os próprios judeus. Quando toda a psicanálise parecia girar em torno do que Kevin MacDonald chamaria de “uma crítica radical da sociedade gentia”, com a elaboração em causa própria de teorias sobre o antissemitismo, Jung desenvolveu uma incisiva crítica aos judeus e ao que chamou de “o anticristianismo judaico”, sendo muitas das suas observações resultantes da experiência do autor no próprio meio social da psicanálise judaica. Em outras palavras, Jung colocou os charlatães judeus “no divã”. Numa carta a um colega datada de maio de 1934, Jung dá a seguinte explicação:

O complexo crístico do judeu favorece uma atitude geral meio histérica […] que se fez mais visível para mim por causa dos ataques anticristãos que venho sofrendo. O simples fato de eu falar da diferença entre as psicologias judaica e cristã basta para que qualquer um se sinta autorizado pelo preconceito a me acusar de antissemita. […] Como tu sabes, Freud me acusou de antissemitismo porque eu não pude dar a minha aprovação ao materialismo desalmado dele. Na verdade, o próprio judeu incita o antissemitismo no seu afã de acusá-lo em toda parte. Por que não pode um judeu, como todo pretenso cristão, aceitar críticas pessoais quando confrontado com a opinião alheia sobre ele? Por que se presume sempre que a intenção do crítico seja condenar todos os judeus?

Por causa dessa afronta, Jung é visto pelos judeus como alguém perigoso que não merece perdão. Burston está longe de ser o único a querer desacreditar Jung por causa de sua visão sobre os judeus. Nos últimos anos do século XX, o acadêmico judeo-britânico Andrew Samuels envidou esforço nesse mesmo sentido, chegando a fazer a afirmação de que “em C. G. Jung, o nacionalismo encontrou o seu psicólogo”. A resposta de Samuels para Jung foi dizer que era Jung quem se encontrava preso ao medo dos judeus. Samuels tentou colocar Jung “no divã” e psicologizar as suas atitudes para com os judeus, explicando-as como consequência dos sentimentos de alguém inseguro diante de supostas ameaças. Samuels:

Na minha percepção, as ideias de nação e de diferença nacional são tópicos que o fenômeno hitleriano e a psicologia analítica de Jung compartilham. Pois, enquanto psicólogo das nações, também Jung sentir-se-ia ameaçado pelos judeus, essa estranha assim chamada nação sem terra. Também Jung sentir-se-ia ameaçado pelos judeus, esta estranha nação sem formas culturais  ― ou seja, sem formas de cultura nacional ― de si mesma, daí, nas palavras de Jung ditas em 1933, requerer “nações hospedeiras”. O que ameaça Jung, em particular, pode ser posto à luz pelo exame do que ele diz, com frequência, ser a “psicologia judia’.

Ainda nos primeiros anos deste século XXI, parecia haver uma divisão entre os acadêmicos não judeus ― ansiosos para manter Jung na mira do público, e os acadêmicos judeus ― ansiosos para deixá-lo na sarjeta. Numa carta para o New York Times em 2004, um tal de “Henry Friedman” atacou Robert Boynton (Univ. de N. Iorque) e Deirdre Bair (biógrafa ganhadora do National Book Award) em virtude da concordância destes quanto a Jung não ser “nem pessoalmente antissemita nem politicamente astuto”, pelo que absolviam Jung de algumas das piores acusações assacadas contra ele pelos críticos judeus desejosos de associá-lo com as ideias do nacional-socialismo. Friedman chamou isso de “uma contribuição a mais para a enganosa tentativa de minimizar a importância do racismo antissemita de Jung e sua colaboração com as políticas genocidas do III Raiche”. Friedman continua:

Não há como desculpar Jung do seu virulento racismo e da importância que teve no movimento nazista. Pior ainda é que as suas ideias sobre a psicanálise terão servido ao desejo de Hitler e Göring de expurgar a psicanálise dos conceitos de Freud ― especialmente a noção do complexo de Édipo, que parecia ofender a sensibilidade de Hitler.   A declaração de que Martin Heidegger colaborou mais com Hitler do que Jung só serve para desviar a atenção do sério envolvimento de Jung com a propaganda antissemita dos nazistas. Pode não proceder a conclusão de que Jung tenha sido maior criminoso do que Heidegger, mas como alguém que escrevia artigos sobre a inferioridade dos judeus, Jung merece grande condenação, não as desculpas esfarrapadas de Bair e Boynton para ele.

As atitudes de Jung para com os judeus

Os textos profissionais e privados de Jung contêm quantidade significativa de material sobre os judeus, e seu conteúdo é, com frequência, altamente crítico. Por causa disso, não surpreende que os judeus vejam Jung como formidável oponente. Jung fez muitas afirmações que parecem corroborar o juízo de Kevin MacDonald quanto a ser a psicanálise de Freud um movimento intelectual judeu. Em 1934, Jung recebeu muitas críticas por um artigo que publicou com o título “The State of Psychotherapy Today, dizendo que a psicanálise era “uma psicologia judia”. Defendendo-se das acusações de racismo pelas indicações de que judeus e europeus têm diferentes psicologias, Jung explicou:

As diferenças psicológicas existem entre todas as nações e raças, até mesmo entre os habitantes de Zurique, Basileia e Berna. (De onde mais viriam as boas gozações?) Ocorrem, de fato, diferenças entre famílias e indivíduos. Por essa razão, em ataco toda psicologia niveladora que pretenda validade universal como, por exemplo, as de Freud e Adler. […] Todos os ramos da humanidade somam-se numa corrente maior ― sim, mas o que seria do rio sem os afluentes? Por que esse ridículo melindrismo quando alguém se atreve a dizer alguma coisa sobre a diferença psicológica entre judeus e cristãos? Até uma criança pode perceber que as diferenças existem.

Jung acreditava que os judeus, como todos os povos, têm uma personalidade característica, e ele salientava a necessidade de levar em consideração essa personalidade. Na sua própria área de especialização, Jung advertia que “as psicologias de Freud e Adler eram especificamente judias e, por isso, não se justificava sua aplicação a arianos”.[4] Conforme Jung, um fator formativo da personalidade judia foi o desenraizamento dos judeus e a persistência da Diáspora. Jung argumentou que aos judeus faltava uma “qualidade telúrica”, significando que “o judeu […] sofre grave carência daquela qualidade dos homens que os enraíza na terra de onde vem a sua força”.[5] Jung escreveu essas palavras em 1918, mas elas conservam relevância mesmo depois da criação do Estado de Israel, porque a vasta maioria dos judeus vive fora de Israel. Os judeus continuam sendo um povo em diáspora, e muitos seguem a ver essa sua condição diaspórica como força. Dada a dispersão e o desenraizamento deles, no entanto, Jung dizia que os judeus desenvolveram modos de prosperar no mundo mais dependentes da exploração das fraquezas de outros povos do que da dominação explícita pela própria força. No dizer de Jung, “os judeus têm uma particularidade em comum com as mulheres; fisicamente mais fracos, eles concentram os seus golpes nas fendas da armadura de seus adversários”.[6]

Jung cria que judeus eram incapazes de operar efetivamente sem estar numa sociedade hospedeira e que, assim, eles sempre buscavam se enxertar nos sistemas de outros povos a fim de neles medrar. Em The State of Psychotherapy Today, Jung escreveu: “O judeu, que é uma espécie de nômade, nunca criou uma forma cultural dele mesmo e, tanto quanto podemos ver, nunca o fará, uma vez que todos os seus instintos e talentos demandam uma nação mais ou menos civilizada que lhe sirva de anfitriã para o seu crescimento”. Nesse processo de desenvolvimento grupal, eles “concentram os seus golpes nas fendas da armadura de seus adversários”, recorrendo também a outras flexíveis estratégias.[7]

Jung ainda acreditava (no que foi corroborado pelo trabalho de Kevin MacDonald) que havia certa agressividade nos judeus como decorrência parcial de mecanismos internos ao judaísmo. Numa série notável de observações pressagiosas nos anos cinquentas, Jung expressou o seu desagrado com o comportamento das mulheres judaicas e prenunciou a emergência do feminismo como sintoma da patologia da judia. Segundo Jung, os homens judeus eram “noivas de Iavé”, por causa do que as mulheres judias devieram obsoletas sob o judaísmo. Em consequência disso, no começo do século XX, continua Jung, as mulheres judias passaram a expressar as suas frustrações, agressivamente, contra a natureza androcêntrica do judaísmo (e contra a sociedade hospedeira como um todo), ao tempo que conservavam em si as características da psicologia judia e as correspondentes estratégias. Escrevendo para Martha Bernays, a mulher de Freud, ele certa vez observou, a propósito das mulheres judias, que “muitas delas são espalhafatosas, não são?”, acrescentando em seguida que havia tratado de “muitas mulheres judias ― e todas sofriam perda de individualidade, muita ou pouca perda. Mas a compensação é sempre pela falta. Ou seja, não é a atitude correta”.[8]

Jung, naquele tempo, mantinha-se cauteloso quanto às acusações de antissemitismo e era “um crítico da hipersensibilidade do judeu ao antissemitismo”, com o parecer de que “ninguém podia criticar um indivíduo judeu sem ter a sua crítica transformada num ataque antissemita”.[9] Não dá para acreditar que Jung, argumentando, basicamente, que os judeus têm um perfil psicológico singular e desenvolveram um método singular de se darem bem no mundo, pudesse discordar da quase idêntica premissa fundamental da trilogia de Kevin MacDonald. Na verdade, segundo Jung, o papel de vítima que o judeu se atribui e representa, a par das acusações de antissemitismo que lança contra os seu críticos, isso tudo consiste em simples parte da estratégia judaica ― trata-se de conveniente cobertura da sua ação etnocêntrica concertada para “golpear as fendas da armadura de seus adversários”. Por exemplo, depois da guerra, numa carta de 1945 para Mary Mellon, ele escreveu: “É difícil, entretanto, mencionar o anticristianismo dos judeus depois das coisas horríveis acontecidas na Alemanha. Mas, afinal, os judeus não eram criaturas tão inocentes ― o papel dos intelectuais judeus na Alemanha de antes da guerra seria interessante objeto de pesquisa”.[10] Com efeito, MacDonald nota:

Um traço saliente do antissemitismo entre os social-conservadores e antissemitas raciais na Alemanha de 1870 a 1933 era acreditar que os judeus eram instrumento para a criação de ideias que solapavam as atitudes e crenças da Alemanha tradicional. Os judeus estavam super-representados como editores e escritores na Alemanha dos anos vintes, e “a causa mais geral da expansão do antissemitismo foi a forte e infeliz tendência dos dissidentes judeus para atacar as instituições e os costumes nacionais tanto nas publicações socialistas quanto nas não socialistas”. (Gordon, 1984, 51) Essa “violência midiática” dirigida contra a cultura alemã por publicistas judeus como Kurt Tucholsky ― que “tinha o coração subversivo sempre na boca” (Pulzer, 1979, 97) — era amplamente reportada pela imprensa antissemita.(Johnson, 1988, 476-477)

Os judeus não se encontravam apenas super-representados nos meios de jornalistas, intelectuais e “produtores de cultura” na Alemanha de Weimar. Mais do que isso, eles é que criaram esses movimentos, basicamente. “Eles atacavam com violência qualquer coisa tendo a ver com a sociedade alemã. “Eles detestavam o exército, o judiciário e a classe média em geral”. (Rothman & Lichter 1982, 85). Massing (1949, 84) notou que o antissemita Adolf Stoecker tinha em conta a “falta de deferência da parte dos judeus para com o mundo cristão-conservador”. (The Culture of Critique, Ch. 1)

Esses sentimentos correspondiam aos comentários de Jung feitos a Esther Harding, com quem compartiu a sua opinião sobre os judeus em novembro de 1933. Segundo o psicólogo, os judeus haviam se aglomerado na Alemanha de Weimar, porque eles tendiam a ser “pescadores de águas turvas”. Pela alegoria, Jung significava a propensão da judiaria de se congregar e prosperar nos meios sociais em processo de dissolução. Ele referiu haver observado pessoalmente judeus da Alemanha bebendo champagne em Montreaux (Suiça), enquanto “os alemães morriam de fome”. Ainda assim, “muito poucos foram expulsos”, “as suas lojas em Berlim seguiam funcionando normalmente”. E se a situação ficou difícil para os judeus na Alemanha, foi porque “a maioria deles mereceu isso”.[11] Um aspecto dos mais interessantes na discussão sobre por que os judeus ganharam tanta influência tem a ver com as cotas estabelecidas em 1944, sob a supervisão de Jung, para a admissão de judeus na Associação de Psicologia analítica de Zurique. As cotas (um generoso quinhão de 10% para membros de pleno direito e outro de 25% para membros convidados) foram introduzidas num apêndice secreto do estatuto e estiveram em vigência até 1950.[12] Só se pode presumir que, como outras cotas adotadas mundo a fora em vários períodos, o objetivo aqui era limitar ou, ao menos, manter alguma medida de controle sobre  a influência judia numérica e diretiva naquela Associação.

Jung atuava, evidentemente, num tempo quando a consciência racial era aguda de todos os lados. Kevin MacDonald explica em The Culture of Critique que havia na psicanálise uma clara compreensão entre os judeus da pertença racial ariana de Jung e de sua resistência a entrar em plena comunhão com os membros e dirigentes judeus. MacDonald escreve:

Desde o início do relacionamento deles, Freud mantinha suspeitas quanto a Jung, eram “preocupações motivadas pela herança cristã de Jung, pelos seus preconceitos antijudaicos, pela incerta capacidade de ele, como não judeu, compreender e aceitar plenamente a própria psicanálise”. Antes do rompimento, Freud descreveu Jung como de “forte e independente personalidade teutônica”. Depois que Jung deveio diretor da Associação Internacional de Psicanálise, um colega de Freud ficou preocupado porque “considerados como uma raça”, Jung e os gentios eram “completamente diferentes de nós, vienenses”. (The Culture of Critique, Ch. 4)

Conclusão

Na medida em que a psicanálise continua a existir como movimento ou, pelo menos, como um nicho na academia e na cultura, fica claro que Jung, o “teutão”, continua a assombrar os judeus com os seus comentários e as suas críticas. E, agora, de certa forma, persiste a clivagem que separou Jung e Freud um do outro, há um século. A cisão, talvez, comprove o fato de que a psicanálise tenha sido, desde a sua concepção, uma ferramenta de emprego no conflito racial. Creio que, se Jung voltasse a viver hoje, ele iria rir de ainda figurar na psique dos judeus como um medonho bicho-papão com o terrível riso solto de um alemão. Isso, porém, não seria nenhuma surpresa para Jung.


[1] A. Julius, T.S. Eliot, anti-Semitism and Literary Form (Thames & Hudson, 2003), 40.

[2] D. Burston, Anti-Semitism and Analytical Psychology: Jung, Politics and Culture (Routledge: New York, 2021).

[3] G. Cocks (2023). [Review of the book Anti-Semitism and Analytical Psychology: Jung, Politics and Culture, by Daniel Burston]. Antisemitism Studies 7(1), 215-222.

[4] B. Cohen, “Jung’s Answer to Jews,” Jung Journal: Culture and Psyche, 6:1 (56–71), 59.

[5] Ibid, 58.

[6] Ibid.

[7] T. Kirsch, “Jung’s Relationship with Jews and Judaism,” in Analysis and Activism: Social and Political Contributions of Jungian Psychology (London: Routledge, ), 174.

[8] Ibid, 177.

[9] T. Kirsch, “Jung and Judaism,” Jung Journal: Culture and Psyche, 6:1 (6-7), 6.

[10] S. Zemmelman (2017). “Inching towards wholeness: C.G. Jung and his relationship to Judaism.” Journal of Analytical Psychology, 62(2), 247–262.

[11] See W. Schoenl and L. Schoenl, Jung’s Evolving View of Nazi Germany: From the Nazi Takeover to the End of World War II (Asheville: Chiron, 2016).

[12] S. Frosh (2005). “Jung and the Nazis: Some Implications for Psychoanalysis.”Psychoanalysis and History, 7(2), (253–271), 258.

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Fonte: The Occidental Observer | Autor: Marshall Yeats | Título original: Carl Yung and the Jews | Data de publicação: 29 de junho de 2024 | Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.