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A psicologia social é merda antibranca

Para mim, a coisa mais assustadora no 1984, de George Orwell, não é aquele grupo de “homens de uniforme preto” que impiedosamente espanca Winston Smith num recinto do Ministério do Amor, usando os “pulsos”, “cacetetes”, “barras de metal” e “botas de ferradura”. Tampouco é a máquina silenciosa que o inquisidor O’Brien usa para fazer Winston “sentir dor” “a qualquer momento e na medida desejada pelo torturador”. Não é nada disso, trata-se de outra coisa, uma coisa que não faz Winston sentir nenhuma dor:

Duas macias almofadas, meio úmidas, foram fixadas sobre as têmporas de Winston. Ele tremeu. A dor estava para vir, mas de novo tipo. O’Brien pousou sua mão sobre a de Winston, de forma quase gentil, como que para encorajá-lo.

— Desta vez eu não vou machucar você — ele disse. — Fique olhando para os meus olhos.

Nesse momento houve uma devastadora explosão, ou alguma coisa parecida com uma explosão, embora fosse incerto que tivesse havido algum barulho. Ocorreu, sem dúvida, um lampejo ofuscante. Winston não foi ferido, apenas foi prostrado. Embora ele já estivesse em decúbito dorsal quando a coisa aconteceu, ele teve uma curiosa sensação de que fora forçado àquela posição. Um terrível golpe, mas sem dor, deixara-o completamente abatido. Também alguma coisa tinha acontecido dentro de sua cabeça. Enquanto seus olhos recuperavam a nitidez e ele se relembrava de quem era e de onde estava, reconheceu a face que a sua própria face confrontava; mas aqui ou ali havia um vazio, como se alguma parte tivesse sido extraída de seu cérebro. […]

O’Brien levantou os dedos da mão esquerda, escondendo o polegar.

— Estou mostrando cinco dedos para você. Você está vendo cinco dedos?

— Sim.

E ele os viu mesmo, rapidamente, antes que a configuração de sua mente mudasse. Ele viu cinco dedos, sem nenhuma distorção. Depois tudo voltou ao normal de novo, e o velho medo, o ódio e a confusão prevaleceram mais uma vez. Mas houve um momento — ele não sabia quanto havia durado, trinta segundos talvez — de luminosa certeza, quando cada nova sugestão de O’Brien preenchia completamente o vazio, fazendo-se de verdade total, e quando dois mais dois dava três ou, também facilmente, dava cinco, se assim fosse necessário.

— Você percebe agora — disse O’Brien, que de qualquer forma é possível.

— Sim — disse Winston. (1984, parte 3, cap. 2.)

Não era “um novo tipo de dor”, era um novo tipo de horror: a ideia de que o Estado possa penetrar sua cabeça e interferir diretamente na sua mente. Quando 1984 foi publicado pela primeira vez em 1949, essa ideia era só um pesadelo da literatura de ficção. Entretanto, a cada ano passado desde então, o pesadelo de Orwell vai ficando mais perto da realidade.

E que não haja dúvida quanto a isto: hoje existe gente totalitária nos países ocidentais que adoraria usar uma máquina de reorganização cognitiva contra os criminosos intelectuais como esses articulistas do The Occidental Observer. De fato, dia desses eu topei com um desses manipuladores mentais. Trata-se da psicóloga social chamada Amy R. Krosch, da Universidade de Cornell, recentemente “designada” “Rising Star” da Associação Americana de Psicologia (ASA).

O repugnante espírito da maldade branca

Krosch revela na sua rede social que ela é “legebete” e gosta dos pronomes “her ou they”. Também diz que se casou com  “uma mulher e um buldogue”. A psicologia americana percorreu longo caminho: de classificar o lesbianismo como tipo de desordem mental passou a atribuir o status de “Rising Star” a uma fanática lésbica.

E Krosch é mesmo fanática. Uma fanática antibranca, para ser preciso, e por isso mesmo a ASA orgulha-se tanto dessa sua criatura. Krosch não concorda com as famosas palavras atribuídas à rainha Elizabeth I da Inglaterra (1533–1603): “Eu não abriria janelas para a alma dos homens”. Amy Krosch quer abrir janelas na alma das pessoas. Mas só em se tratando das almas de pessoas brancas, e desde que aquilo a ser encontrado nessas almas sirva ao seu propósito de fomentar o ódio à raça branca:

A discriminação pode ocorrer tão rapidamente quanto um piscar de olhos, especialmente durante períodos de crise econômica, segundo revela um novo estudo da Universidade de Cornell. “A influência da escassez na mente pode de fato exacerbar a discriminação”, afirmou Amy Krosch, professora-assistente de Psicologia em Cornell. “Demonstramos que a mínima mudança na fisionomia de grupos minoritários sob condições de escassez resulta em aumento da discriminação.”

No primeiro experimento, 71 estudantes de graduação em Psicologia de uma universidade particular — nenhum dos quais identificado com negro ou afro-americano — foram solicitados a olhar para fotografias de homens brancos e negros expostas numa tela. Os estudantes, então, deveram premiar cada uma das pessoas representadas pelas faces com até US$ 10, conforme o merecimento de cada uma das figuras, de acordo com a “sutil percepção dos estudantes”.

Um grupo de controle foi informado de que cada face poderia receber US$ 10, no máximo. Mas os sujeitos do grupo experimental acreditavam haver recebido US$ 10 de forma aleatória de um total de US$ 100 de que disporiam para as premiações, o que suscitava neles um sentido de escassez.

Eletrodos colocados no couro cabeludo mensuraram o tempo que cada sujeito levou para perceber as figuras como distintas faces humanas. Este processo subconsciente liga-se à atividade cerebral do giro fusiforme e normalmente leva apenas 170 milissegundos, ou seja, menos do que dois décimos de segundo.

No grupo de controle, os sujeitos levaram o mesmo tempo para processar as faces de cada raça e para distribuir igualitariamente o dinário. Mas no grupo para o qual o recurso era escasso, a pesquisa mostrou que os participantes levaram em média “tempo significativamente mais longo” para processar as faces negras do que as faces brancas. Os pesquisadores também mostraram que essa detença perceptiva estava relacionada a preconceito antinegro, razão por que os sujeitos deram menos dinário para as faces negras.

“Eles levaram mais tempo para reconhecer uma face negra como uma face, e essa diferença dá a medida do quanto eles discriminam os indivíduos negros”, disse Krosch.

A equipe de Krosch realizou um segundo conjunto de experiências envolvendo imagens da atividade cerebral para confirmar se o processamento visual alterado das faces negras decorria da desestima dessas faces, ou seja, de comportamento preconceituoso.

O registro neuroimagiológico revelou atividade menos intensa no corpo estriado, região do cérebro responsável pelo processamento de avaliações e recompensas. Isso sugeriu que os sujeitos possam não ter visto as faces negras como faces ou, pelo menos, que as viram, como faces, num certo sentido, menos humanas. A menor atividade do giro fusiforme e do estriado estava correlacionada com a menor quantidade de dinário recebida pelas faces negras. Este estudo foi financiado pela National Science Foundation. (When money is scarce, biased behavior happens faster, ScienceDaily, 29th October 2019).

Essa foi a reportagem sobre o trabalho de Krosch intitulado Scarcity disrupts the neural encoding of Black faces: A socioperceptual pathway to discrimination” (escrito em colaboração com David M. Amodio, da Universidade de Nova Iorque). E esta é uma interessante passagem da reportagem: ”…estudantes de graduação em Psicologia de uma universidade particular — nenhum dos quais identificados como negro ou afro-americano…”. Krosch não quis correr o risco de que se lhe deparasse alguma coisa desagradável no cérebro de negros, assim ela os excluiu do estudo. Eu acho que a pesquisa dela era (e é) motivada pela hostilidade para com os brancos e sua intenção era (e é) a de gerar ainda mais hostilidade. Atente-se na frase “nenhum dos quais”, decerto ditada por Krosch ou alguém do pessoal dela. A frase deveria ser “nenhuma dessas pessoas”, porque os estudantes são seres humanos, não animais ou coisas. Será que a escolha de termos mais reificantes estaria a indicar que alguém da equipe de Krosch despreza os estudantes, vendo-os, “num certo sentido, como menos humanos”? É bem possível.

Festival de “punins”

E se o leitor desejar conhecer a equipe de Krosch, ofereço uma seleção de “punins” (no singular: “punim”, palavra iídiche significando“face” ) postada no Social Perception and Intergroup Inequality Laboratory, ou, abreviadadmente, Krosch Lab :

Festival de punins: membros do Krosch Lab

A Sra. Krosch está na extrema direita (da fotografia, claro), mas seu punim merece registro mais de perto. Aqui está outra foto dessa fascinante acadêmica:


Amy Krosch, Rising Star da Associação Americana de Psicologia (com Greta Thunberg para comparação)

A ampla punim testosteronizada de Krosch é semelhante àquela da belatriz sueca da cruzada ecológica, a santa Greta Thunberg. Aliás, eu fui repreendido em comentários ao meu último artigo para o TOO por “chamar atenção para mínimas deficiências de beleza física” das jornalistas Stephen Daisley e Tanya Gold, mas não creio que a censura seja procedente. Como o grande Chateau Heartiste [blogue politicamente incorreto] tem ensinado frequentemente: “O fisionomismo é real.” A feiura do esquerdismo como ideologia corresponde, muitas vezes, à feiura do esquerdista enquanto pessoa. Eu também concordo com um artigo fascinante saído na National Vanguard argumentando que “Os judeus são repulsivos e, em geral, um povo feio” e que “Os judeus enquanto grupo opõem-se à beleza”. De fato, o Talmude aconselha os judeus a não considerar a beleza física como importante no casamento: “A graça é falsa e a beleza é vã. Tenha em conta a boa educação, pois a finalidade do casamento está na procriação”. (Tanit 26b e 31a).

Todo o espectro da diversidade humana

Amy Krosch é judia? Não tenho como provar que seja, mas vou adaptar ao caso dela o que eu disse a propósito da jornalista Stephen Daisley no “Jeremy’s Jackboots.” Uma coisa é certa: ela se comporta tal qual um judeu, por sua indefectível hostilidade antibranca e por sua convicção de que a culpa pelos fracassos dos não brancos é dos brancos. E a Sra. Krosch, obviamente, tem recrutado colaboradores para o Krosch Lab pelo critério do ódio. Os candidatos preferenciais são aqueles que mais ódio sentem da raça branca:

Nosso laboratório respeita e valoriza todo o espectro da diversidade humana quanto a raça, etnicidade, religião, identidade e expressão de gênero, orientação sexual, tipo físico, nível socioeconômico, idade, deficiência física e origem nacional. Defendemos a inclusão e a diversidade pela realização de todos em condições sustentáveis de excelência, mediante pesquisa, treinamento e campanhas de serviço e sensibilização em campo, a mais de atuarmos na promoção de pessoas sub-representadas na psicologia. Estimulamos estudantes de cor, mulheres, imigrantes e toda gente sub-representada a que se inscreva como candidato para trabalhar no Laboratório. (Social Perception and Intergroup Inequality Laboratory / Krosch Lab, November 2019)

Mentira! O Krosch Lab não “respeita e valoriza todo o espectro da diversidade humana”, porque é claramente hostil aos brancos na pesquisa e hostil aos homens no recrutamento. Alguém pode olhar a foto do “time de Krosch” e achar que esses rostinhos bonitos [punins] pertencem a acadêmicos sãos e objetivos no trabalho isento de busca desinteressada da verdade? Espero que não, pois para mim eles não parecem ser nada objetivos nem ter o físico para o papel de perquisidores da verdade. Seus punins não indicam nenhum grau elevado de inteligência, mas isso não é de surpreender. A psicologia é essa coisa mesmo, afinal. Os observadores mais sensíveis já sabiam desde muito tempo antes da atual “crise da condição R & R” [Reprodutibilidade (da experiência) e Repetibilidade (dos resultados): condições do método científico para a determinação dos fenômenos objetivos] que grande parte da psicologia era só merda. A área da psicologia social em que Krosch atua está no coração da crise, mas a psicometria está notavelmente imune a ela.

Espoliação, não compreensão

Eu não sei a quanto chega a crosta merdácea no trabalho da Sra. Krosch, mas de qualquer modo há nele a crosta de Krosch. E ela está tentando melecar todos os brancos com essa sua secreção gosmenta. Eis o que diz o Krosch Lab sobra a sua missão científica:

O nosso objetivo consiste em entender a ampla e persistente desigualdade existente entre os grupos nos Estados Unidos. Nós investigamos os fatores sociais e econômicos que amplificam a discriminação, como também os processos sociocognitivos, perceptivos e emocionais mediante os quais os propósitos e motivações dos decisores influenciam o comportamento deles em relação aos membros de seu próprio grupo e de outros grupos. (Social Perception and Intergroup Inequality Laboratory/Krosch Lab, November 2019)

De novo, não penso que o Krosch Lab tenha por escopo “entender a ampla e persistente desigualdade existente entre os grupos nos Estados Unidos”. Creio que a real intenção seja explorar a “desigualdade” para colocar a culpa toda nos brancos. Acredito também que o time de Krosch é recrutado, como diria Vox Day [pseudônimo de Theodore Robert Beale, escritor, editor, quadrinista, criador de videojogos e militante da resistência branca], entre “aqueles que nos odeiam, que odeiam os Estados Unidos, que odeiam o Ocidente e querem destruir tudo o que é bom, belo e verdadeiro”.

Como funciona a psicologia

O pessoal de Krosch nunca será capaz de produzir uma máquina mental de correção política do tipo daquela descrita no 1984, mas decerto aquela turma ficaria muito feliz se pudesse usar uma. Acho até que algumas pessoas daquele Laboratório iriam se deleitar operando a máquina de produzir dor descrita no mesmo 1984. Eu posso entender a psicologia que eles fazem à maneira antiga, só de olhar para a cara deles. Amy Krosch, é claro, prefere técnicas mais atualizadas. Ela emprega eletrodos cranianos para provar que no giro fusiforme e no corpo estriado do cérebro doentio dos goins ocorrem atividades correspondentes a estados mentais politicamente incorretos, os quais devem ser sanados.

A branca Cornell contra a vibrante e ricamente negra Nova Iorque

Bem, vamos adaptar as palavras de Jesus Cristo e dizer: “Psicólogo, conhece-te a ti mesmo!”. Amy Krosch mostra muita hostilidade contra brancos e provavelmente também contra cristãos. Gente do tipo dela dirigia e operava as câmaras de tortura, compondo também os esquadrões da morte dos regimes comunistas durante o século XX (cf. “Stalin’s Willing Executioners”, de Kevin MacDonald). Aliás, eu gostaria de saber o que os tais eletrodos poderiam revelar das atitudes dela a propósito dos brancos — e dos negros, também. Um estudo comparativo de judeus, negros e brancos quanto à reação ante judeus, negros e brancos seria dos mais interessantes — mas, evidentemente, nunca será realizado, por muitas razões, a principal é que os judeus teriam avaliação bem diferente da dos brancos, e essa seria uma diferença bem pouco lisonjeira.

Considere-se, por exemplo, o que Krosch disse sobre Cornell: “O que mais me agrada em Cornell é viver numa cidade pequena, tranquila, bonita, principalmente depois dos 10 anos que passei em Nova Iorque”. Ocorre que Nova Iorque é cidade com muito mais diversidade racial do que Ithaca, onde fica Cornell. Os brancos formam 84,14% da população de Ithaca, havendo lá apenas 2,93% de negros ou afro-americanos. A proporção em Nova Iorque é de 44% de brancos (33,3% de brancos não hispânicos) e 25,5% de negros, o que mostra que Amy Krosch segue o padrão de Tim Wise, Michael Moore e muitos outros esquerdistas antibrancos, que vivem criticando o racismo branco mas só moram em lugares de gente branca.

Depois que o porco do Stephen Daisley leu o meu “artigo calunioso” [no original: “hit piece”] contra ele no “Jeremy’s Jackboots”, ele se manifestou: “Eu não sei como é que a descrição que eles fazem de mim como um entusiasmado defensor de organizações muçulmanas tais qual a Tell Mama e do discurso de ódio que articulam possa ser compatível com a acusação de que ‘Ele só se preocupa com o bem-estar dos judeus’”. Ora, ora, ora… Eu explico, a coisa é muito simples. Acontece que elementos como Daisley apoiam tudo o que “é bom para os judeus”, segundo critério deles. Por isso defendem a imigração massiva de maometanos nas nações brancas. Por outro lado, eles odiariam que paquistaneses, somalis e marroquinos se internassem em Israel. E eles também não iriam tolerar que a Tell MAMA abrisse uma franquia em Telavive. Porque isso não seria “bom para os judeus”. Entretanto, todo o mundo da laia de Daisley pode ficar tranquilo: nada disso vai acontecer. Israel, embora nação altamente corrupta, sabe se defender e não busca sua própria destruição. O Estado Judeu não paga a psicólogos para demonizar a maioria judia. Mas as nações brancas, num contraste total, estão atualmente à procura de sua própria exterminação, as nações brancas pagam, sim, a psicólogos para que demonizem suas maiorias brancas.

O repugnante espírito da maldade branca (de novo)

A putativa judia Amy Krosch é só um exemplo. O mais certamente judeu Sheldon Solomon é outro. Este figuro recentemente apareceu no The Guardian explicando que os brancos sentem “medo da vida” e “medo da morte”, razão por que dariam apoio a Donald Trump e seriam contra “os imigrantes, sobretudo aqueles de religiões diferentes, como maometanos e judeus”. A pesquisa de Solomon revelou que os “cristãos” mais angustiados pela consciência da própria morte “tinham atitude mais positiva em relação a outros cristãos e atitude mais negativa em relação a judeus”.

A sábia punim de Sheldon Solomon

Cristãos malvados! Judeus inocentes! Isso é, no mínimo, o que o Professor Solomon of Skidmore University, quer que pensemos. Acho que ele é um propagandista antibranco, não um cientista imparcial. Milhares e milhares de seus colegas acadêmicos também fazem propaganda antibranca. Tudo isso mostra que a psicologia social não passa de mais uma das numerosas e corruptas disciplinas antibrancas que pululam nas universidades ocidentais. Mas se trata da mais perturbadora disciplina antibranca. Que ninguém tenha dúvida: o que Orwell descreveu no 1984 é o que figuras como Amy Krosch e Sheldon Solomon adorariam fazer. E é o que eles farão, se da nossa parte não houver reação.


Fonte: The Occidental Observer. Autor: Tobias Langdon. Título original: Social Psychology as Anti-Write Pseudoscience. Data de publicação: 29 de novembro de 2019. Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.

Combate ao racismo: a estratégia do Dr. Andrew Joyce

O que a razão não dá, ela não tira.
(Jonathan Swift)

It is useless to attempt to reason a man out of a thing he was never reasoned into.
(Jonathan Swift)

É realmente triste andar pelas ruas das grandes e médias cidades do Ocidente hoje e perceber as quantiosas plêiades de cientistas, engenheiros e filósofos negros relegados ao abandono pelas brutais autoridades judiciárias de raça branca. A longa e mirífica história dos africanos, verdadeira crônica das maiores conquistas humanas e sociais, repleta como é de gênios da arquitetura e das artes em geral, vê-los agora rebaixados e sob as piores perseguições. Esta é a razão de nossa amarga e duradoura vergonha. Nós sempre tentamos, como todos sabem, impedir que esse nobre povo colhesse os frutos da miríade de seus talentos. Já faz mais de século que nós procuramos obstar a ascensão deles às mais altas esferas de nossa sociedade pelo valor de seu trabalho, ao exigir deles atributo fictício e capcioso (as pretensas “aptidões”), nós fizemos de tudo para evitar que os negros lograssem êxito nos campos da matemática e da física. Mesmo quando eles se engajaram numa conspiração racial a fim de falsear os resultados de avaliações mentais para que parecessem a mais incapaz das raças e assim disfarçassem sua alta competência na escalada social, não nos enganaram com isso. Apesar da manobra, conseguimos barrar o acesso deles ao topo da sociedade. Embora não tenhamos dado o braço a torcer no passado, devemos confessar agora que atalhamos a cada passo a marcha deles no rumo do sucesso. E fizemos isso por egoísmo, intencionados a criar uma numerosa classe de gente dependente de recursos do Estado, com a qual fossem dissipadas as vastas, excessivas e indesejáveis receitas fiscais.

It is truly a melancholy sight to walk through the great cities and towns of the West today and observe the countless corpses of Black scientists, engineers, and philosophers left behind by the brutal White officers of the law. In the long illustrious history of the African, replete as it is with towering artistic and architectural genius, and the most humane social advancements, we see him now at his lowest and most persecuted ebb. This is our bitter and enduring shame. We have, of course, always attempted to render this noble people completely unable to employ their myriad talents. For more than a century we’ve stopped them from working in the higher echelons of our society by requiring of them something entirely invented and fictitious (so-called “aptitudes”), and we have exerted our fiercest efforts in preventing them from gaining footholds in maths and physics. Even when they engaged in a race-wide conspiracy to consistently fake their test scores in order to come out lowest of all groups, we weren’t fooled by their attempt to sneak to the top of our society. Although stubborn in the past, we must confess now that we have blocked their progress at every turn, and we did this for the selfish reason that we always wanted a large, welfare-dependent class into which to dump our vast unwanted excess tax revenue.

Eis por que não se pode compreender a continuação desse verdadeiro mistério que é a infecção do corpo policial pelo vírus do nosso fanatismo branco. Acredito ser voz constante que o primeiro dos negros comparáveis a Jesus Cristo em santidade a sofrer martírio, tombou sob uma chuva de balas ainda a princípio do século XVIII, quando a LAPD [Polícia de Los Angeles] lançou-se insólita e brutalmente à preia de escravos entre os arranha-céus e casas de ópera de Togo e Serra Leoa, lugares plenos de paz até então. Corrobora a veracidade do fato o abalizado testemunho de Herschel Hertzberg, prestigiado precursor dos Estudos Africanos e filho da 17.ª geração de sobreviventes do Holocausto. Sabe-se que esses escravos, dotados de alta competência tecnológica, foram depois empregados nos trabalhos de projetar e construir edificações nos Estados Unidos. Infelizmente, entretanto, a história desses africanos, justamente os responsáveis pela construção dos Estados Unidos, desde aquele triste momento na África Ocidental até esta parte, vem assistindo à constante escalada da violência policial, injustificada e desnecessária, contra essa população de gente tão próspera e pacífica. Na realidade, todos os atuais problemas sociais da nossa deplorável civilização podem ser atribuídos a essa perniciosa situação. A intolerância de gênero, as diferenças salariais e até mesmo o diabetes têm origem na obsessão das forças policiais, que querem porque querem sufocar a respiração dos negros.

Quite why the apex of our White fanaticism distilled in the police force remains, for now, a mystery. I think it is agreed by all parties, and attested by the celebrated African Studies pioneer (and, some say, a 17th-generation Holocaust survivor) Herschel Hertzberg, that the first Christ-like Black fell under a hail of malicious bullets sometime in the early 18th century, when the LAPD launched a daring and brutal raid for slaves among the skyscrapers and opera houses of placid Togo and Sierra Leone. It is a barely suppressed secret that these slaves and their technological prowess were later put to work designing and constructing every building in America. It is a sad fact, however, that even though Africans built America, from that first sorry moment in West Africa to the present, history has witnessed a steady progression of unwarranted and unnecessary police violence against this most peaceful and prosperous population. In fact, all current social problems in our deplorable civilisation can be attributed to this one pernicious reality. Gender bigotry, pay gaps, and even diabetes all have their origins in the fact our police forces have become obsessed with preventing Black people from breathing.

Essa sórdida e mortal fixação da polícia é a questão mais importante de nosso tempo. Aliás, ninguém ainda foi capaz de conceber um método justo, barato e fácil de resolver o problema do persistente e sistêmico racismo policial. Quem o fizesse mereceria a aclamação pública. Pensando nisso, eu agora decidi me arriscar a apresentar a minha modesta proposta nesse sentido. Assim procedo depois de ter voltado os meus pensamentos para essa questão de transcendental relevância durante muitos anos e haver ponderado as soluções indicadas pelos nossos admiráveis especialistas, as quais a mim me pareceram todas falhas. Mais importante ainda, eu examinei cuidadosamente os objetivos aparentes da agitação civil negra para determinar exatamente o que é que esse povo oprimido realmente deseja. Acredito que o meu plano contemplará todas as partes e trará a paz, finalmente.

This sordid and murderous fixation among the police is the major question of our time, and since it strikes me that whoever could find out a fair, cheap, and easy method of solving this matter of unceasing systemic police racism would receive much public acclaim, I now venture my own modest proposal. I do so having turned my thoughts for many years upon this important subject, and maturely weighed the proposed schemes of our esteemed experts — all of which I have found lacking. Most important of all, I have carefully examined the apparent aims of Black civil unrest to determine precisely what it is that this oppressed people really desires. I believe my proposal will satisfy all parties and finally bring peace.

  1. Rejeitar a igualdade perante a lei
  2. Reject Equality Under the Law

O principal tópico do meu esquema e o que traz mais vantagens é que ele, finalmente, visa a libertar os africanos da igualdade intransigente. Uma das grandes fraudes do ordinário europeu foi ter convencido os africanos de que ser igual perante a lei era uma coisa maravilhosa. Ser “igual” era a isca, mas a lei, obviamente, era o anzol. As raízes de nosso histórico conflito racial mergulham, inquestionavelmente, na injusta colocação dos negros sob um sistema legal que exige o enquadramento deles no mesmo padrão de comportamento dos outros grupos. Nesse ardiloso sistema, foi pavimentado o caminho para que os negros viessem a ser considerados “criminosos”, apenas porque, de vez em quando, eles se envolvem em situações corriqueiras de estupro, assalto e assassinato. A inflexível sujeição dos inteligentes afro-americanos e seus irmãos do Canadá, da Europa e da Austrália à igualdade da lei eurocêntrica engendrou injustiças como a sua super-representação nos presídios e a disseminação de fantasiosos estereótipos sobre sua raça, como o de que seriam propensos a comportamentos impulsivos e violentos. Só os mais sábios entre os observadores, aqueles conscientes da paz, da prosperidade da inovação que se tornaram marcas da moderna África, podem perceber que há algo de terrivelmente errado nessa situação.

The foremost aspect of my scheme, and one of its great advantages, is that it finally aims to release the African from the bigotry of equality. It was one of the greatest tricks of the sneaky European to convince the African that being equal under the law was a good thing. Being “equal” was the bait, but the law was quite obviously the hook. The roots of our historical racial conflict are unquestionably that Blacks are unfairly placed under a system of laws in which they are asked to adhere to the same behavioral standards as other groups. This same system craftily paves the way for Blacks to become regarded as “criminals” when they innocently stumble into such commonplace situations as rape, robbery, and murder. The bigoted subjection of the gifted African-Americans (and their counterparts in Canada, Europe, and Australia) to equality under European-derived law has led to such injustices as disproportionate incarceration, and the spreading of fantastical stereotypes of Blacks as prone to violent and impulsive behavior. Only knowledgable observers, aware of the peace, prosperity and innovation that has come to be the byword for modern Africa, can discern that there is something horribly amiss in this situation.

A população negra clama, mas parece que só eu ouvi seu clamor. A primeira medida de meu plano consiste, por isso, em remover o fardo legal que pesa sobre os pretos. Os benefícios imediatos são evidentes. O fenômeno das maldosas “Karens” [mulheres brancas], que chamam a polícia se avistam negros perto delas, por medo de sofrerem alguma violência dos “vadios” ou “suspeitos” à toa na sua vizinhança, isso vai desaparecer nas brumas do passado, esse tipo de desconfiança pertencerá a um capítulo quase apagado da história. Essas mulheres preconceituosas poderão chamar a polícia quando quiserem, mas depois de receber uma rápida descrição do estuprador, a polícia será obrigada a arquivar a denúncia. A lei simplesmente não será mais aplicável às pessoas de origem africana. Evidentemente nenhum dano decorrerá dessa providência tão simples e bonita, senão benefícios em abundância. No sistema como hoje existe, o preto que constranger verbal ou fisicamente uma mulher branca poderá ficar se sentindo vulnerável e rejeitado, se a mulher chamar a polícia em estado de terror. Essa dinâmica é uma das grandes causas da lesão emocional de que o negro é vítima, assim como de outras injustiças sociais que o acabrunham. Sob a nova legislação, entretanto, estupradores negros serão poupados de toda essa indignidade. E a mulher ficará tranquila e serena, sabendo que nenhum incidente que venha a sofrer implicará crime.

The Black population has cried out, and I alone seem to have listened. The first step of my proposal is therefore to remove the burden of law from the Black population. The immediate benefits are obvious. The phenomenon of malicious “Karens” calling the police when they feel intimidated by loitering or advancing Blacks will disappear into history where it belongs. These bigoted women can call the police all they want, but upon receiving an elementary description of the stalker, the police would be forced to hang up. The law will simply not apply to those of African origin. It should be obvious that no harm will come from such a simple and beautiful measure, and only benefits can abound. Under the existing system, Black men who corner and verbally or physically intimidate White women can be made to feel vulnerable and alienated when that woman calls the police in sheer terror. This dynamic is obviously a major driver of Black emotional damage, and other forms of social injustice. Under the new arrangement, however, Black stalkers would be spared such indignities, and the woman would be secure in the knowledge that no matter what happens to her thereafter, at least no crime will be committed.

  1. Compensação adequada
  2. Adequate Compensation

Um problema muito comum ocorre durante o trabalho da polícia, quando qualquer policial, acidental e fatalmente, pode ferir um afro-americano, ao tentar conter o comportamento de brancos descontrolados. Quanto a isso, a análise criteriosa que fiz das demandas dos negros leva-me a aconselhar a adoção de um esquema de compensação material e social pelas vidas negras. Vidas negras importam — nós sabemos disso, mas elas importam em quanto? Apenas quando a atual fase dos mansos protestos terminar, nós teremos um orçamento mais aproximado, mas em linhas gerais a compensação pode ser estimada pelo que importou a vida de São George Floyd. Com base numa combinação de avaliações e números já confirmados na cidade [Nova Iorque], a vida de um negro, ceifada pelas mãos de um branco, reverte num custo de 1.569 pares de tênis, 2962 garrafas de bebidas alcoólicas, aproximadamente 865 telefones e tabuletes de topo de linha, cerca de US$ 2 milhões em roupas de grife, 40 brancos severamente espancados, todo o estoque de várias mercearias de baixo custo e 100 prédios consumidos pelo fogo.

A potential problem might arise in the event that a police officer accidentally but fatally harms an African-American during the course of his duties policing the uncontrollable behavior of Whites. In this regard, my careful analysis of recent Black demands leads me to suggest a scheme of social and material compensation for Black lives. Black Lives Matter — we know this, but how muchdo they matter? Only once the current phase of peaceful protest comes to a conclusion will we know the true tally, but rough guidelines can be discerned in the compensation thus far acquired for the life of St. George of Floyd. Using a combination of estimates and confirmed city figures, the average African-American death at the hands of a White amounts to around 1,569 pairs of athletic shoes, 2,962 gallons of alcoholic beverages, approximately 865 high-end phones and tablets, around $2 million in designer label clothing, between 30–50 badly beaten Whites, the entire contents of several low-cost supermarkets, and somewhere in the region of 100 fully incinerated buildings.

Os quebra-quebras de Londres, em 2011: sabe-se de longa data que calçados esportivos apresentam propriedades terapêuticas para males emocionais de africanos. London Riots, 2011: Sports footwear has long demonstrated emotional healing properties for the African.

Na minha proposta, e a bem da justiça social e da harmonia no futuro, uma reserva de equipamentos compensatórios deve ser mantida pelas prefeituras municipais para o caso da morte acidental de um preto. Uma área adequada na cidade, com seis ou sete quadras, estaria preparada para recepcionar os negros emocionalmente abalados, de sorte que prontamente eles pudessem aliviar sua angústia mental, entregando-se a atividades derivativas como, por exemplo, assaltar uma loja abarrotada de tênis coloridos, ou alguns supermercados falsos da Target, no interior dos quais atores adrede contratados representariam os brancos em fuga desesperada durante a invasão. Escolas de tiro locais também podem ser chamadas a cumprir função terapêutica: o quebrar de vidros à bala e o som dos disparos teriam efeito tranquilizante sobre os homens de ébano. Tendo ao seu dispor tão edificantes provisões, o povo negro não apenas daria mostra de sua maturidade e proverbial sabedoria como ainda serviria de grande exemplo para outros grupos sobre a forma como devem reagir quando se sentirem lesados.

Under my proposal, and for the sake of future social justice and harmony, a reserve of compensatory items must be held in the care of every city government, where they can be dispensed in the event of an accidental Black fatality. A suitable area within the city, comprising roughly of six or seven blocks, should be set aside in such fashion that emotionally-attacked Africans can, at a moment’s notice, assuage their mental anguish by, for example, breaking into a pre-prepared warehouse full of well-displayed sports footwear, and launching cathartic raids on faux Target supermarkets replete with actors portraying fleeing staff. Local shooting ranges might also be converted to offer the therapeutic breaking of glass to Black citizens. Through their use of such edifying provisions, Black people can not only display their maturity and ancient wisdom, but also set a stellar example to other groups about how people should react when they feel aggrieved.

  1. Mudança simbólica
  2. Symbolic Change

O simples romper dos grilhões da lei libertaria o negro e, além disso, dotá-lo com as ferramentas curativas do caos seria mais do que suficiente para sanar a multimilenar opressão a que submetemos esses filhos do Sol. Qualquer observador racional conviria em que a melhor forma de superar divisões raciais consiste em induzir ou forçar alguém a beijar o pé do outro. Somente mediante demonstrações de acolhimento e deferência desse tipo poderemos alcançar a verdadeira paridade nas relações sociais. Uma iniciativa recentemente muito explorada pela mídia, das mais enternecedoras, é a remoção de estátuas por todo o país, especialmente aquelas do delegado de polícia Robert E. Lee. Somando-se ao efeito dos acessórios da Gucci devidamente expropriados, isso minoraria ainda mais a dor do negro, mas restaria o problema do que colocar nos plintos vazios. Minha sugestão? Que em nome da abolição do racismo sistêmico todo plinto que antes servia para a exaltação de terroristas da raça branca receba agora a gigantesca escultura de um pé preto. Este pé preto marcaria um local cerimonial de genuflexão. Especialmente os cidadãos brancos de mais alta posição social seriam levados até ali para beijar o pé, em gesto solene de reconciliação racial. Proceder-se-ia a tal cerimônia em algum dos muitos dias e meses dedicados à população de ébano, principalmente no dia de São George Floyd. Este é um feriado a ser instituído com a máxima celeridade.

Simply freeing Blacks from the law and providing them with the healing tools of chaos is, of course, far from sufficient to redress the many thousands of years of oppression that we have brought upon these children of the sun. It should be obvious to any sane observer that the best way to heal racial divisions is to encourage, and even force, one of the opposing parties to kiss the feet of the other. Only by such open displays of subservience and submission can we achieve true parity in social relations. A recent, and related, heartwarming development has been the removal of statues throughout the country, especially those of the notorious police officer Robert E. Lee. Along with righteously purloined Gucci accessories, this will go some way towards further soothing Black pain, but the question remains as to what might occupy the newly vacant plinths. My suggestion? That in the name of ending systemic racism, every plinth formerly used to commemorate White race-terrorists should be home now to a giant sculpture of a black foot. This black foot can then be ceremonially kneeled before, and White citizens of especially high standing can be made to approach and kiss the foot in an act of solemn racial reconciliation. This ceremony could be performed on one of the many days and months now dedicated to the Black population, especially on St. George Floyd Day which should surely now be instituted without delay.

Concepção artística do que em breve será conhecido como o “método joyciano” de harmonização social. An artist’s impression of what might soon be called the “Joycean Method” for social harmony.

  1. Proibir o contato físico no trabalho policial
  2. End of all Physical Contact Policing

Este aspecto de meu modesto plano não guarda relação direta com o combate ao racismo sistêmico, mas consiste em passo essencial no processo de melhoramento do ambiente social a fim de tornar mais segura a participação de militantes brancos nos protestos em defesa das vítimas negras. Recentemente as redes sociais prestaram grande serviço, ficando até parecidas com os gansos do patê, superalimentadas que foram com elucidativos vídeos mostrando policiais tocando, segurando, removendo ou empurrando manifestantes pacíficos, ou seja, constrangendo-os. Essas agressões sem razão normalmente ocorreram em meio a procedimentos de cura emocional do negro, tais como o incêndio, o saque, o vandalismo de massa e tentativas de romper a defesa dos serviços de segurança para assaltar a Casa Branca. Embora as medidas propostas aqui possam tirar o fardo da lei da cacunda do negro, os aliados brancos poderão ainda sofrer constrangimento por parte da polícia, na sua militância pela aliança da paz. O que não se pode mais tolerar numa sociedade racional e justa. Providências hão de ser tomadas com urgência para impedir todo contato físico entre policiais e putativos “criminosos”. Agora a interação entre as partes deve ter por base um dos princípios mais importantes de nosso tempo: o consentimento. Os agentes da polícia obrigar-se-ão a perguntar a todos os suspeitos se eles lhes dão permissão para tocar, segurar ou detê-los. E durante a fase de seu treinamento, os policiais serão instruídos para aprender que “Não significa não!”.

This aspect of my modest proposal isn’t directly linked to ending systemic racism, but it is an essential step in improving the social environment and making it safer for White allies to protest on behalf of Black victims. Social media has recently been awash with horrific footage of police officers touching, holding, and even moving or pushing peaceful protesters. These unprovoked assaults normally occurred in the midst of efforts at Black emotional healing, such as arson, looting, mass vandalism, and attempts to breach Secret Service barricades and encroach on the White House. While the measures proposed here would remove Black people from the burden of laws, White allies may still find themselves being physically touched by police while in the course of peaceful allyship. This can no longer be tolerated in a sane and just society. Moves must urgently be taken to end all unwanted physical contact between police officers and suspected “criminals,” with interaction between parties now based on one of the key precepts of our times: consent. Police officers can and should ask all suspects if they have permission to touch, hold, or restrain them, and they must be instructed during training that “No means No.”

  1. Combater o capitalismo
  2. Confront Capitalism

O êxito na implementação das propostas delineadas acima dependerá, é claro, do nosso sucesso na luta contra o capitalismo. Felizmente os negros, enquanto agentes revolucionários da luta de classes, contam com o apoio de algumas das maiores potências do mundo do trabalho como, por exemplo, a Amazon, a Apple, a Coca-Cola, a Ford, Facebook, LEGO, Sony, Microsoft, Citigroup, Nike, You Tube… incluindo a maioria dos bancos, da indústria do entretenimento e a quase totalidade do estabilismo político. Pela simples enumeração desses nossos bravos aliados poderemos sempre manter a esperança de que haveremos de vencer e derrubar a estrutura do poder. Não podemos deixar de mencionar, obviamente, o contributo também vital de nossos companheiros antifas, que lançaram pioneiramente algumas das estratégias aqui preconizadas, as quais, com certeza, levarão ao colapso o estabilismo. Haja vista, por exemplo, o efeito bastante positivo da destruição da pouca infraestrutura econômica construída por negros em muitas cidades, como também a depredação das principais lojas onde colaboradores negros de mais baixa qualificação podiam conseguir trabalho. É claro que as grandes empresas têm seguro, e seus danos serão ressarcidos sem maiores problemas. Mas seus dirigentes podem decidir não reabrir os negócios na mesma região “perigosa”, e assim eles levarão seus repugnantes empregos capitalistas e instalações para outros lugares, deixando os afro-americanos desempregados, longe das lojas e serviços locais. Então, finalmente, os negros estarão livres para tomar banho de sol. Isso tudo decorreu de lampejos geniais do movimento antifa, motivo de sua aprovação e do apoio que recebeu daquelas corporações negrófilas. Tais empresas são simplesmente imprescindíveis para a causa da harmonia social e da derrubada do capitalismo.

All progress on the proposals outlined above will, of course, depend on a successful confrontation  with capitalism. Thankfully, Blacks as revolutionary subjects of the class struggle have thus far been supported by the power of labor, in the form of Amazon, Apple, Coca-Cola, Ford, Facebook, LEGO, Sony, Microsoft, Citigroup, Nike, YouTube, most banks, the entertainment industry, and the overwhelming majority of the political establishment. Only by enlisting the support of brave allies like these can we ever hope to overcome The Man and topple the power structure. We obviously can’t ignore the equally vital contribution of our friends in Antifa, who innovated some of the early strategies that will undoubtedly lead to the collapse of the status quo. Consider, for example, the effectiveness of destroying the few examples of Black-built economic infrastructure in many towns and cities, along with the major stores that provided low-skill employment to the Black demographic. Sure, the major companies will have adequate insurance for all their liabilities, and probably won’t be harmed at all. But they may well decide that these areas are now too high-risk to attempt a re-opening, and so they’ll take their filthy capitalist jobs and facilities elsewhere, leaving Blacks to bask at last in freedom from local services, retail stores, and gainful employment. This was quite the stroke of genius from Antifa, and is one of the main reasons they’ve been applauded and supported by the groups listed above. They are simply indispensable to the cause of social harmony and the overthrow of capitalism.

  1. A clareza da mensagem
  2. Clarity of Message

Uma questão que me tem preocupado nos últimos dias é a da falta de clareza na expressão “Black lives matter”. Não é de hoje o renome dos africanos pelo proverbial respeito que devotam à santidade da vida de seus vizinhos, o que se comprova pelas baixas taxas de homicídio no seio de suas comunidades. Isto pode ser observado no fenômeno parasitário conhecido como “White flight” [Revoada branca], quando brancos trocam seus bairros por outros de maioria negra, esperando desfrutar da quietude e segurança desses lugares. Algumas dúvidas, entretanto, permanecem entre os brancos quanto à clareza e ao alcance da mensagem “Black lives matter”.

A particular concern of mine in recent days has been the lack of clarity surrounding the name “Black Lives Matter.” Africans have long been renowned for their high regard for the sanctity of the lives of their neighbors, something attested to by the famously low homicide rates within their communities. We see this also in the parasitical phenomenon of “White flight,” whereby Whites constantly seek to move to Black-dominant areas to share in the quietude and safety offered by those locations. Some doubts remain, however, as to the clarity and reach of the message of Black Lives Matter among Whites.

Isso fica claro assim? Infelizmente, não. Is this clear enough? Unfortunately not.

Embora algumas ruas de Washington (D.C.) tenham sido redenominadas de “Black Lives Matter”, havendo esse lema sido até pintado no asfalto, parece evidente que em muitos lugares nem todos já entenderam que vidas negras importam. Decerto muitos ainda não ouviram falar desse eslógão. Sabemos disso porque os pretos continuam a morrer assassinados, e a única explicação é que os brancos, especialmente a polícia, não receberam a mensagem, por isso não dão valor à vida de um preto. Não seria o caso de reiterar aqui, mas mesmo quando um afro-americano protesta pacificamente contra o racismo e subitamente parte para cima de um policial, tentando desarmá-lo, nessa hora, mais do que nunca, o pensamento na cabeça do policial deve ser “Black lives matter!”. Este deve ser o princípio superior a ser adotado urgentemente no treinamento para a aplicação da lei nas ruas. E todas as técnicas de autodefesa nas academias de polícia devem ser adaptadas no sentido de incorporarem a postura da genuflexão. Apenas pela total aceitação dos assaltos físicos lançados pelos mal denominados “criminosos” negros as nossas comunidades poderão encontrar a paz e a segurança. Como minha contribuição para a consecução desse fim, compus e registrei (para garantia de meus direitos autorais) o poemeto seguinte, a ser pronunciado pelos policiais em estado de ansiedade, quando em presença de manifestantes mais radicalizados em seu pacifismo:

O pé de cabra para a porta,
O cacete, a faca, o pistolim…
Tudo isso o negro porta.

Mas nada disso importa.
A vida negra, isto sim,
É só o que importa!  ©

Although streets in Washington D.C. have been renamed “Black Lives Matter,” and then literally covered with the slogan, it’s clear that someone, somewhere doesn’t understand that Black lives matter. They may not have heard the slogan. We know this because Black people continue to die in homicides, and the only explanation is that White people, and especially the police, haven’t received the message and therefore don’t value Black lives. It really shouldn’t need to be repeated here, but even when an African-American is peacefully protesting against the systemic racism of a police officer by passively rushing him and attempting to take his gun, the first thought in that officer’s head should always be: “Black Lives Matter.” It urgently needs to be made the first principle in all law enforcement training, and all self-defense methodologies at police academies should be adapted to include the “take the knee” posture. Only by total acquiescence to the physical assaults of so-called Black “criminals” can our communities find peace and security. To this end I’ve developed and copyrighted a short mantra that could be repeated by anxious police officers confronted by extremely peaceful protesters:

Forget the guns, Forget the knives,
What matters most are
Black Lives!©

  1. Liquidar Trump !
  2. Dump Trump

Este é um dos mais controversos aspectos da estratégia que proponho, mas tenham paciência comigo, por favor. Primeiramente, devemos reconhecer que o presidente Trump conseguiu, sozinho, criar belos empregos para os negros desde que tomou posse, baixando bastante o desemprego negro, mediante, aliás, a contribuição do pacífico e bem-amado Estado Judeu.

This is one of the more controversial aspects of my proposal, but please bear with me. First, we have to acknowledge the fact that President Trump has single-handedly lowered Black unemployment since taking office by creating beautiful jobs, often in marketing the peaceful and much-loved State of Israel.

Melhores empregos para os negros: melhor imagem multicultural e africanófila para Israel. Towards Meaningful Black Employment: Marketing the Diverse, African-Loving Sate of Israel.

Recentemente, Trump também tomou a iniciativa inusitada de proclamar junho o mês da música afro-americana. A música negra importa. Em meio à crise sanitária global medonha, à crise econômica e à escalada do racismo sistêmico, Trump não deixou de manifestar nossa gratidão a Sam Cooke, Little Richard, Ray Charles e outros a quem devemos os famosos “acordes de fundo, os hinos memoráveis, as batidas contagiantes”. Somos gratos também pelas recentes reformas do sistema judiciário, as quais livraram da prisão muitos “criminosos” negros.

Trump also recently took the unprecedented step of proclaiming June to be African-American Music Appreciation Month. Trump’s message: Black Music Matters. In the middle of a worldwide health scare, an economic crisis, and escalating systemic racism, we should concede that Trump offered thanks to Sam Cooke, Little Richard, Ray Charles and others for their “classic guitar riffs, memorable hymns and uplifting beats.” We also can’t forget the recent justice system reforms that released many Black “criminals” from prisons.

Não obstante, Trump não é amigo dos afro-americanos. Por várias vezes ele mobilizou a Guarda Nacional contra pacatos manifestantes afro-americanos por todo o país e externou o horror e o desgosto que sente pela necessidade perfeitamente natural no negro de encontrar consolo na expropriação de televisores e sapatos novos. Isso não deve ser esquecido nunca e prova o que judeus e antifas sempre disseram de Trump: “Orange man bad!” [N. do T.: trata-se de uma paródia: os críticos de Trump só seriam capazes de formular esse tipo de frase primária, como se fossem trogloditas expressando-se por sugestão da mídia: “Homem-laranja mau!” (referência a Trump)]. Claro que sempre devíamos ter sabido disso. Não podemos alegar inocência agora.

Todas as marcas do fascismo estavam à vista:

  1. a) oposição aberta ao casamento com judeus, especialmente na própria família;
  2. b) persistente hostilidade para com Israel, nosso maior aliado no Oriente Médio e farol dos direitos humanos;
  3. c) hostilidade obstinada contra os dogmas do legebetismo em todo o mundo;
  4. d) o lançamento de campanhas mundiais em favor do antissemitismo;
  5. e) supressão total dos antifas, nossos maiores aliados na guerra contra o capitalismo;
  6. f) apoio explícito ao ativismo branco;
  7. g) reiterada oposição pública ao multiculturalismo e à diversidade;
  8. h) oposição à imigração de milhares de trabalhadores sempre altamente qualificados.

Nós estivemos sonambulando na segunda vinda de Hitler. Precisamos desesperadamente remover esse homem-laranja mau da presidência.

Trump, however, is not a friend of African-Americans. He repeatedly called for the National Guard to be deployed against peaceful African-American protests throughout the country, and expressed horror and disgust at the perfectly natural need for Blacks to find solace in Smart TVs and several new pairs of shoes. This should never be forgotten, and it has proven what Jewish and Antifa allies have often asserted: Orange Man Bad. We should, of course, always have known this. We can’t plead innocence now.

All the hallmarks of Fascism were there to see:

  • Open opposition to intermarriage with Jews, especially in his own family
  • Repeated hostility toward Israel, our greatest in the Middle East and a beacon of human rights
  • Unwavering hostility toward LGBT+ dogma around the world
  • The launching of a worldwide campaign to promote anti-Semitism
  • Total suppression of Antifa, our greatest friends in the war against capitalism
  • Open support of pro-White activity
  • Repeated public opposition to multiculturalism and diversity
  • Opposition to all forms of immigration including hundreds of thousands of “skilled” foreign workers

We sleepwalked into the second coming of Hitler. We desperately need to get this man out of office.

  1. A exceção dos judeus
  2. Jewish Exemption

Deve ser universalmente reconhecido que os judeus não são brancos e, por isso, devem estar isentos das obrigações que reservo à comunidade branca. Os judeus têm uma longa e bem documentada história de amizade com a comunidade negra. Seus antigos textos já revelavam de forma muito amorosa a maldição que pesava sobre os negros. Os filhos de Sião também experimentaram trazer enorme número de empresários africanos com que tinham negócios para o Novo Mundo, sob a condição apenas aparente de “escravos”, um artifício para enganar os opressores brancos. Ainda hoje esses liames continuam fortes. O que seria dos pretos se não fossem os senhorios, lojistas e agiotas judeus, criadores do que há de melhor no mundo negro? Mesmo em Israel os negros têm suas necessidades satisfeitas sem ser preciso protocolar nenhum requerimento. Considere-se, por exemplo, quão escrupuloso não foi o governo judeu quando tomou a iniciativa de esterilizar imigrantes etíopes sem a burocracia de informar os “pacientes” do procedimento. Nenhum outro governo mostrar-se-ia tão zeloso da saúde reprodutiva de sua população negra. E, durante os tranquilos protestos da semana passada, pudemos notar a grande presença de judeus entre os antifas que trabalhavam pela paz, sempre estimulando os negros a tomar do racista branco o que lhes é de direito.

It should be universally acknowledged that Jews aren’t White and should therefore be exempt from the obligations suggested for the White community. Jews have a long and storied history as friends of the Black community, from their ancient texts that lovingly jested that Blacks were cursed, to their attempts to bring huge numbers of their African entrepreneurial trade partners to the New World (under the guise of “slaves” to dupe the White oppressors). Even today these bonds remain strong. Where would Black people be today if it were not for the Jewish landlords, store owners, and pawn brokers that shape the very best of the world they live in. Even in Israel, African needs are met without even a request needing to be made. Just consider, for a moment, the thoughtfulness of an Israeli government that took the initiative to inject Ethiopian immigrants with birth control without troubling to ask. No other government would take such concern in the reproductive health of its Black population. And during the peaceful protests of the last week, we can be sure that Jewish allies were strongly represented among the Antifa peace brokers, urging Blacks again and again to take their rightful share from the bigoted Whites.

Aliados naturais. Natural Allies.

  1. Segregar os brancos problemáticos
  2. Segregation of Problematic Whites

Provavelmente este é o componente mais duro e mais radical de minha estratégia, o que mais furiosamente deverá ser contestado pelos racistas. A mim me parece claro que alguns elementos da população branca simplesmente não aceitarão nunca as propostas que faço aqui. Eles desejarão permanecer na sua intolerância irracional. Eles nunca concordarão em cumprir a parte deles para eliminar o racismo sistêmico. A certa altura, eu argumento, nós teremos de aceitar isso e deixar que eles afundem na decadência inevitável de sua civilização. Basta examinar o passado da Europa para notar a degradação do europeu, quando afastado da dinamizante influência africana.

This is probably the harshest and most radical of my proposals, and the one most likely to be fiercely contested by racists. It seems clear to me that some elements of the White population will simply never accept the proposals made here, and wish to irrationally remain in their bigotry. They will never agree to do their part to end systemic racism. At a certain point, I argue, we will have to accept that, and leave them to wallow in the decrepitude that their civilization is certain to decline to. One only needs to look at the European past to see the degraded state of the European without African influence.

Cenas do caos reinante numa primitiva favela da Europa medieval. Chaotic and disorderly scenes in a primitive medieval European shanty town.

Se as vidas negras não têm importância para os brancos, então as vidas brancas não terão importância para os negros. Aos racistas deve ser dada vasta extensão de terra, onde serão forçados a viver na dependência apenas de si mesmos. A consequência disso será o caos inevitável, porque desta vez os brancos não teriam os negros para construir a infraestrutura de todo o país para eles. O leitor deve imaginar o horror dos brancos ao saberem que serão condenados a viver sem os benefícios do multiculturalismo. Será o inferno na Terra, mas inferno merecido.

Quanto a nós outros, paladinos da fraternidade universal, o fim do racismo sistêmico será prenúncio de novo tempo repleto de paz, harmonia, felicidade e boa vontade.

If Black lives don’t matter to these people then we will be forced to say that their lives don’t matter to us. They should be apportioned a vast tract of land in which they would be forced to live with one another, attempting in the inevitable chaos to build their own infrastructure — this time without Blacks building their entire country. You can already imagine their horror at the news that they would be condemned to an existence without the beneficent hand of multiculturalism. It will be a Hell on earth, but they will deserve it. For the rest of us, the end of systemic racism will usher in an age of beauty and peace, harmony and good will.


Fonte: The Occidental Observer. Autor: Andrew Joyce. Título original: A Modest Proposal to End Systemic Racism. Data de publicação: 8 de junho de 2020. Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.

 

Karl Marx: o patriarca da esquerda judia ?

Karl Marx: o patriarca da esquerda judia ?

O livro de Kevin MacDonald intitulado The Culture of Critique (CofC) deveria ser revisado para focalizar Karl Marx, o fundador do primeiro movimento intelectual e político dos judeus de âmbito mundial? Sendo o criador judeu do socialismo “científico”, ele deu início à crítica radical da sociedade europeia que se estende ao século XXI. Embora o CofC aborde especificamente os movimentos intelectuais e políticos judaicos do século XX, ele certamente poderia ter ampliada sua compreensão da esquerda judaica, se Marx pudesse ser incluído no seu quadro teórico como o fundador dos movimentos intelectuais e políticos que tanto orientaram a esquerda judia no século XX.

A primeira questão a ser levantada é se Marx se reconhecia como dirigente judeu de um movimento intelectual e político de judeus. O CofC de Kevin MacDonald indica os passos a seguir para a solução do problema. Examinemos detidamente as indicações de Kevin MacDonald.

A metodologia de Kevin MacDonald é bastante objetiva. O primeiro passo consiste em “identificar movimentos influentes sob direção judaica, quaisquer sejam, não importando se todos ou a maioria dos judeus participassem deles”. O segundo passo consiste em “determinar se os participantes judeus se assumiam como judeus e se, por tal participação, buscassem atender a interesses judeus”. [i] Depois, então, discutiremos a influência e o impacto desses movimentos na Europa e nos Estados Unidos.

Em vista desses critérios de Kevin MacDonald, acreditamos em que o socialismo científico de Marx atenda aos dois quesitos.

Em primeiro lugar, Marx teve participação direta na criação das principais organizações de esquerda no século XIX. A maioria das primeiras organizações socialistas sofreram influência direta de Marx, quais sejam: a Liga Comunista, cofundada por Marx e Engels em 1847; o Partido Social-Democrático da Alemanha, fundado em 1863; o Partido Socialista Trabalhista da América, fundado em 1876; o Partido dos Trabalhadores Franceses, cofundado pelo genro de Marx, Paul Lafargue, em 1880; e a Federação Social-Democrática Britânica, fundada em 1881. A maioria dessas organizações moldaria a vida política da Europa e dos Estados Unidos no século XX.

Aquele que foi o sabatigói [N.T.: no original: Shabbos Goy] de Marx por longo tempo, Engels, reconheceu a preponderância dos judeus nos movimentos esquerdistas do século XIX:

Ademais, temos para com os judeus uma dívida de gratidão. Sem falar de Heine e Böme, Marx era de pura origem judia; Lassalle era judeu. Muitos entre os melhores da nossa gente são judeus. Meu amigo Victor Adler, que agora está cumprindo pena numa prisão em Viena por sua devoção à causa do proletariado; Eduard Bernstein, o editor da publicação londrina  Sozialdemokrat, Paul Singer, um dos melhores homens no Reichstag —essas pessoas deixam-me orgulhoso por sua amizade, e todos eles são judeus! Eu mesmo fui considerado judeu pelo [semanário conservador] Gartenlaube. Na verdade, se eu tivesse de escolher, preferiria ser um judeu a ser um “Herr von” ! [ii]

Em 1911, o sociólogo Robert Michels chamou atenção para a “abundância de judeus na direção dos partidos socialistas e revolucionários”:

Sobretudo na Alemanha, a influência dos judeus tem sido evidente no movimento dos trabalhadores. Os dois primeiros grandes capitães, Ferdinand Lassalle e Karl Marx, eram judeus, bem assim como o contemporâneo deles Moses Hess. O primeiro eminente político da velha escola a abraçar o socialismo, Johann Jacoby, era judeu. Também Karl Höchberg, um idealista, seu pai era rico comerciante de Francoforte, fundador da primeira revista socialista publicada em língua alemã. Paul Singer, que quase sempre presidia os congressos socialistas alemães, era judeu. Entre os 81 deputados socialistas mandados ao Reichstag na penúltima eleição geral, havia nove judeus. Este número é extremamente alto, comparado com a percentagem de judeus na população da Alemanha, com o total de trabalhadores judeus e com o número de judeus no Partido Socialista. [iii]

Em segundo lugar, longe de ser um etnomasoquista antissemita, Karl Marx identificava-se fortemente como judeu e estava muito envolvido com a comunidade judaica:

Com os judeus e a judaicidade, Marx sempre manteve laços positivos. Entre seus amigos mais próximos estavam os judeus Heinrich Heine and Ludwig Kugelmann; por certo tempo privou com Moses Hess e ajudou o ex-comunista de Colônia Abraham Jacoby a emigrar para os Estados Unidos (onde ele se tornou um médico influente). [iv]

Fato indicando forte identificação judaica é que, quando Jacoby militava pela revolução na Europa, sua agenda era a “emancipação” judaica, — a naturalização e eleitoralização dos judeus. Como no caso de Marx, seus associados mais próximos também tinham forte senso de identidade grupal judaica. Eles compartilhavam objetivos, crenças e compromissos em pró da emancipação dos judeus.

A persistente crítica de Marx contra as sociedades europeias resultava dos sentimentos de sua marginalização. Ele era etnicamente judeu, fora criado numa família liberal judia conforme os valores do Iluminismo. Seu pai abraçou o universalismo iluminista por causa da marginalidade dos judeus na sociedade europeia. Em consequência de sua marginalidade social, Marx tornou-se hostil à cultura e aos valores europeus. Reagindo a isso, ele construiu uma identidade social judia positiva, retratando o comportamento judeu balizado pelo ganho financeiro como motivo de orgulho étnico, não como conduta a ser demonizada. Conforme Marx, a emancipação dos judeus não implicaria a dissolução de sua identidade étnica, antes seria resultado da futura condição proletário-comunista ou, mais precisamente, secular, das sociedades europeias, com plena aceitação dos judeus. Ele chegou a acreditar que o judaísmo secular cumpriria papel positivo nas sociedades cristãs europeias. O triunfo mundial do comunismo corresponderia à vitória mundial do judaísmo secular, deixando livres os judeus para a defesa de seus interesses coletivos em sociedades formalmente europeias ainda, mas judaizadas. Nesse particular, Marx não era diferente dos profetas hebreus — que pregavam o domínio israelita do mundo sob a realeza messiânica, a não ser pelo fato de que Marx disfarçava seu particularismo étnico judeu sob a roupagem universalista do Iluminismo liberal.

Em A questão judaica, ele não apenas clamou pela emancipação judaica, como também desafiou o “antissemitismo”. Ele faria a mesma coisa novamente em A sagrada família, publicado em 1844. Esses ensaios foram escritos para refutar Bruno Bauer, para quem a raça judia era “horrorosa” e não teria contribuído com nada para a “construção da modernidade”. [v] Marx acreditava que o preconceito antissemita europeu poderia ser eliminado pela transformação da Europa nas utopias proletário-comunistas, por cuja tolerância poderia o judaísmo continuar a existir. Aparentemente Marx não se iludia ao combater pela emancipação dos judeus, pois ele tinha plena consciência de ser judeu e queria proteger os judeus da perseguição branca por meio do universalismo, em detrimento das maiorias europeias na própria Europa.

Os mais importantes discípulos de Marx ou eram judeus ou eram descendentes de judeus, a exemplo de Adler, Bauer, Bernstein, Luxemburg, Lenin, Trotsky e os membros da Escola de Francforte. Apesar disso, os marxistas judeus aparentemente não ligavam importância à identidade judia de seus membros, pretendendo apresentar a luta pela emancipação judaica como parte da luta contra a sociedade burguesa. Como observou Kevin MacDonald no CofC, os ativistas étnicos judeus escamoteavam sua etnicidade judaica, recrutando não judeus para servir de manequins, que vestiam de linda roupagem para disfarçar o que na realidade era um movimento judeu. Dissimulando sua judaicidade, os dirigentes marxistas puderam promover os interesses judaicos quase sem nenhuma oposição, o que lhes permitiu recrutar mais inocentes úteis entre os góis. Embora o socialismo moderno deva suas origens a um judeu e tenha sido dominado pelos judeus, o movimento atraiu muitos góis, alguns deles se destacaram, como Bebel e Liebknecht. Aliás, quando foi da morte de Marx em 1883, seu maior porta-voz era Engels, um sabatigói.

Marx dizia-se amigo do proletariado, mas suas relações com a comunidade judaica eram estreitas. Como todos os ativistas étnicos judeus, Marx tinha a obsessão de combater o antissemitismo onde quer que se lhe deparasse, mas para não alarmar os góis, esse combate apresentava-se de mistura com a luta contra a sociedade burguesa. O artifício prestava-se a propósito vital, já que assim Marx acobertava sua atitude adversa à sociedade europeia e ainda atraía os não judeus para a nova fé secular judaica — não judeus que também iriam ajudá-lo na luta contra o antissemitismo, como se apenas militassem pela revolução proletária mundial. Enquanto ínfima minoria nas sociedades europeias, os judeus sempre se serviram de não judeus para a consecução de seus objetivos, assim fizeram os marxistas que se valeram do proletariado, assim fazem os neoconservadores que se valem dos conservadores do estabilismo para favorecer Israel.

A análise e a apologética marxistas sempre tiveram por base o “cepticismo e esoterismo científicos”.[vi] Como indica Kevin MacDonald no seu CofC, os ativistas étnicos judeus do século XX comumente lançavam mão dessas táticas mistificatórias. O capitalismo deve atender a requisitos de alto padrão para ser considerado um sistema econômico viável, apesar de sua longa história de sucesso na geração de crescimento econômico, enquanto o comunismo é sempre considerado profícuo, apesar de seus embaraçosos precedentes de estado policial autoritário, pauperização massiva, totalitarismo extremo e catástrofes ambientais. Temos aí dois pesos e duas medidas quanto ao ônus da prova que servem para apresentar o marxismo como um sistema de crenças viável. De igual modo, os apoiantes judeus de Marx argumentam, maliciosamente, que “O socialismo não fracassou, o que fracassou foi o estalinismo, isto é, a ditadura burocrática do partido”. [vii]

A análise econômica de Marx era tão hegelianizante que seus críticos e adeptos não lhe puderam compreender a exata significação. Livros dele como A ideologia alemã e O capital geram ainda controvertidas interpretações. Ele vazava seu discurso em linguagem científica para cobrir suas profecias como o verniz da credibilidade. Por exemplo, o socialismo de Marx era chamado de socialismo “científico”, para que se distinguisse de suas variantes “utópicas”. O fato de apresentar sua versão do socialismo como “científica” indica que o esoterismo da linguagem de Marx era proposital, no que foi imitado pelos epígonos. Na realidade, o socialismo marxiano consistia numa espécie de culto secular da religião judia, cujos princípios dogmáticos não permitiam revisão, mesmo quando confrontados com irrefutáveis evidências em contrário. Até os nossos dias, nenhuma das leis marxistas do desenvolvimento capitalista tornou possível experiências empíricas de falsificação, nem qualquer de suas profecias foi confirmada.

É interessante notar que Franz Boas não foi o primeiro intelectual judeu a submeter a aplicação social do darwinismo a virulenta crítica intelectual; essa honraria cabe a Marx e a seu sabatigói pessoal, Engels. A princípio, eles eram adeptos entusiastas da obra de Darwin A origem das espécies. Acreditavam que a seleção natural corroborava a análise dialético-materialista do desenvolvimento histórico. Entretanto, Marx e Engels chegaram à conclusão de que a teoria de Darwin era “metafisicamente inaceitável”:

Dado que Darwin via a luta na natureza, em grande parte, como luta entre indivíduos, sua teoria pareceu-lhes solapar a própria possibilidade da solidariedade de classe e a eliminação final do conflito humano. […] Na opinião de Marx, a deficiência mais grave da teoria de Darwin residia na ênfase posta sobre o caráter indeterminado e aleatório das mutações, implicando que no mundo para além do reino animal o progresso fosse “puramente acidental e não necessário”, ao contrário do que desejava Marx e exigia a sua teoria (Marx apud Feuer, 1975, p. 121). O Darwinismo ameaçou a fé de Marx e Engels num processo histórico mais propício. [viii]

Em virtude de a biologia darwiniana haver limitado o poder explanatório de sua dialética histórica, Marx and Engels recorreram a causalidades ambientais e subjetivísticas:

Em razão de que outras teorias da evolução, como as de Trémaux e Lamarck, tivessem enfatizado como causas das mutações adaptativas nas espécies ou nas raças a ação direta do meio ambiente ou a resposta automática às necessidades do organismo, tais teorias pareceram mais atraentes para Marx e Engels (como também para Stálin e Lysenko), por darem sanção “científica” para a mundivisão deles. [ix]

A exemplo dos ativistas étnicos judeus que Kevin MacDonald citou no CofC — Boas, Lewontin, Gould etc. — Marx e Engels combateram a aplicação social do darwinismo, porque comprometia sua capacidade de impor a perspectiva ambientalista às sociedades europeias, a partir da qual projetavam a construção de nova raça humana pela manipulação do ambiente conforme as ideias marxistas. Na consecução desse objetivo, os comunistas mataram milhões de dissidentes, sem nenhum escrúpulo, abrindo caminho para o novo homem que fosse criado pelo sistema educacional comunista.

Marx era conhecido por suas tendências ditatoriais, característica que ele compartia com os ativistas étnicos judeus do CofC. No seu pugnaz empenho para conquistar o poder, os judeus foram acusados de autoritarismo pelos seus oponentes. Em 1850, Eduard Müller-Tellering publicou Vorgeschmack in die kuenftige deutsche Diktatur von Marx und Engels, ou A foretaste of the future German dictatorship of Marx and Engels [A pré-estreia da futura ditadura alemã de Marx e Engels], atacando Marx por sua mania de dominação. Os dois tiveram um bate-boca, que Müller-Tellering atribuiu à sede de vingança do “futuro ditador alemão” Karl Marx, motivada pelo fato de ele, Müller-Tellering, haver publicado artigo contra os judeus no próprio jornal de Marx, o Neue Rheinische Zeitung [Nova Gazeta Renana]. Segundo Müller-Tellering, o implacável e vingativo comportamento de Marx resultava da natureza dos judeus, da perversidade deles.

A personalidade autoritária de Marx alienou dele o anarquista Mikhail Bakunin (1814–1876), que escreveu o seguinte:

Todo esse mundo judeu constitui uma só seita exploradora, um tipo de povo-vampiro, um parasito coletivo, voraz, auto-organizado não apenas por sobre as fronteiras dos Estados, mas também por sobre as diferenças de opinião política — esse mundo está, pelo menos em grande parte, à disposição de Marx e dos Rothschilds. Eu sei que os Rothschilds, reacionários como são e continuarão sendo, admiram profundamente os predicados do comunista Marx; e por sua vez o comunista Marx sente-se atraído, por interesse instintivo e respeitosa admiração, pelo gênio financeiro dos Rothschilds. A solidariedade judaica, aquela poderosa solidariedade que se manteve ao longo dos séculos, ligou Marx aos Rothschilds. [x]

Percebe-se aí que Bakunin tinha consciência do grande número de seguidores judeus de Marx — ele sabia que o mundo judaico repartia-se entre Marx e Rothschild. Bakunin rejeitou a ditadura do proletariado de Marx, porque implicava a centralização do poder do Estado, o que levaria ao seu controle por pequena elite. Marx e Bakunin andavam sempre às turras. Bakunin lutava por uma “confederação descentralizada de comunas autônomas”, sendo atacado por Marx, para quem o melhor seria a ditadura do proletariado. Depois do embate entre os comunistas de Marx e os anarquistas de Bakunin, no Congresso de Haia de 1872, Bakunin acabou sendo expulso da Primeira Internacional, por determinação pessoal de Marx.

Assim como os ativistas judeus citados no CofC, Marx combatia na guerra étnica contra as sociedades europeias. O seu socialismo científico ameaçava solapar a moral e as fundações intelectuais da Europa, de sorte que se transformasse numa sociedade secular para suportar indefinidamente a continuação da existência do judaísmo. Por exemplo, em O capital, a sua obra magna, Marx tentou desvelar o funcionamento dos mecanismos internos do modo de produção capitalista na Europa Ocidental, explicando por que ele entraria em colapso sob o peso de suas próprias contradições, preparando o caminho para a revolução proletária. A ditadura do proletariado era visionada como ferramenta de forte dominação, centralizada e autoritária. Quando ela foi imposta aos russos pela elite hostil que assumiu o poder a partir de 1917, teria como consequência a morte de muitos milhões e a opressão política de todos, sendo plausível supor que Marx teria ficado muito feliz se houvesse sido capaz de impor semelhante regime sobre todos os europeus. Embora a defesa que fazem os judeus do universalismo nas sociedades brancas signifique a autodestruição cultural e racial dos próprios brancos, ela enseja as condições ideais para a prosperidade judaica, ao maximizar o controle judaico sobre a população europeia inclusiva e ao minimizar o temor judaico da perseguição antissemítica.

Foi Marx quem assentou as bases ideológicas da principal corrente do ativismo étnico judeu no século XX. No quadro teórico do CofC, a importância de Marx é depreendida de sua condição de fundador judeu de um movimento intelectual e político judeu em meado do século XIX, cuja influência estende-se até o presente. Por exemplo, o mais influente movimento intelectual judeu contemporâneo, a Escola de Francforte, era seita marxista ortodoxa a princípio, mas revisou o marxismo, desviando-o da luta de classes para uma teoria enfatizando o etnocentrismo branco como o problema fundamental e inaugurando o que agora é frequentemente denominado de marxismo cultural.

A conclusão é que o engajamento judeu na esquerda remonta a meado do século XIX e continua exercendo influência no mundo contemporâneo, mostrando-se diante dos europeus como força opositora.


BIBLIOGRAFIA

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COFNAS, Nathan. Judaism as a Group Evolutionary Strategy. Human Nature, v. 29, n. 2, 10 MAR 2018, p. 134-156, 10.1007/s12110-018-9310-x. Acesso em: 13 DEZ 2019.

DRAPER, Hal. State and Bureaucracy. New York; London: Monthly Review Press, 1977. (Karl Marx’s theory of revolution, v. 1).

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FINE, Robert, PHILIP, Spencer. Antisemitism and the Left : On the Return of the Jewish Question. Manchester, UK, Manchester University Press, 2018. Disponível em: <www.manchesteropenhive.com/view/9781526104960/9781526104960.00007.xml>. Acesso em: 13 DEZ 2019.

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________ The Holy Family by Marx and Engels. Marxists.org, 2019. Disponível em:  www.marxists.org/archive/marx/works/1845/holy-family/ch04.htm. Acesso em: 13 DEZ 2019.

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REFERÊNCIAS

[i] MACDONALD, Kevin. Culture of critique. p. 11-2.

[ii] ENGELS, Frederick. “On anti-semitism”. Arbeiter-Zeitung, n. 19, 9 MAIO 1890. Disponível em: https://www.marxists.org/archive/marx/works/1890/04/19.htm

[iii] MICHELS, Robert. Political Parties. p. 246.

[iv] SEIGEL, Jerrold. Marx’s Fate. p.114.

[v] MARX, Karl; ENGELS, Frederick. “The Holy Family.” Marxists.org, 2019. Disponível em: www.marxists.org/archive/marx/works/1845/holy-family/ch04.htm.

[vi] MACDONALD, Kevin. Culture of Critique. p. 122.

[vii] MANDEL, Ernest. The Roots of the Present Crisis in the Soviet Economy (1991). Disponível em: <https://www.marxists.org/archive/mandel/1991/xx/sovecon.html>.

[viii] KAYE, Howard. Social Meaning of Modern Biology. p. 25.

[ix] KAYE, loc. cit. .

[x] DRAPER, Hal. Karl Marx’s Theory of Revolution, v. 4, p. 596.

 

Fonte: The Occidental Observer. Autor: Ferdinand Bardamu. Título original: Karl Marx: founding father of the jewish left ? Data de publicação: 4 de janeiro de 2020. Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.

Ucrânia: a instável aliança de nacionalistas com oligarcas judeus

A principal versão da mídia ocidental sobre a situação na Ucrânia “informa” que o “povo ucraniano” libertou-se do malvado e corrupto governo de [Víktor Fédorovych] Yanukóvytch. A participação de nacionalistas na derrubada do governo e a presença deles no novo governo têm sido minimizada. Organizações judaicas e escritores judeus “garantiram” ao The NY Times que não era verdade o que Putin dizia sobre o “incipiente fascismo e o antissemitismo” do novo governo. Eles asseveram que as denúncias de Putin não passam de desavergonhada manobra para dissimular a agressão russa.

O que aconteceu com a inveterada fobia que liberais e judeus sentem por gente branca e nacionalista, como aquela que, por exemplo, cumpriu papel tão proeminente na Revolução da Praça Maidan?

Contestando tudo isso, o LA Times publicou na sua página de opinião artigo de um acadêmico liberal dos mais convencionais, Robert English, diretor da Escola de Relações Internacionais da Universidade do Sul da Califórnia (Ukraine’s threat from within: Neofascists are as much a menace to Ukraine as Putin’s actions in Crimea) [Ucrânia: a ameaça interna: neofascistas são mais perigosos do que Putin na Crimeia]. A proposição básica do Prof. English é que a participação decisiva dos nacionalistas ucranianos no novo governo infunde justificado medo nos etnorrusos da Ucrânia.

A moda agora é falar que o presidente russo, Vladimir Putin, é um paranoico sem contato com a realidade. Mas a denúncia dele contra os “radicais neofascistas” que derrubaram o governo anterior ucraniano e que agora estão nas fileiras do novo governo é digna de crédito. O empoderecimento dos extremistas nacionalistas da Ucrânia não representa ameaça menor para o futuro do país do que as manobras de Putin na Crimeia. Essa gente odienta tem uma ideologia repugnante.

Veja-se o caso do partido Svoboda, que conquistou cinco posições importantes no novo governo, incluindo os cargos de primeiro-ministro, ministro da Defesa e procurador-geral. O Svoboda bate-se pela abolição do estatuto autonômico que protege os russos na Crimeia. Isso inclui degradar o status da língua russa pelo voto no parlamento. Para os milhões de russos étnicos, essas são provocações odiosas e superlativamente estúpidas, em se tratando das medidas iniciais do novo governo no país dividido.

Esses movimentos, mais do que a propaganda russa, suscitam grande inquietação na Crimeia. […]

O Svoboda, o Setor da Direita e outras organizações da extrema-direita […]  compõem-se de legiões de jovens abandidados que exibem símbolos alusivos à suástica. Seus chefes exaltam muitos aspectos do Nazismo e prestam culto à figura de Stepan Bandera, o capitão dos nacionalistas ucranianos na Segunda Guerra Mundial, cujas tropas colaboraram com Hitler e massacraram milhares de poloneses e judeus.

Essa coonestação do passado assusta, mas os planos desses partidos para o futuro assustam ainda mais. Eles defendem abertamente que o ensino da língua russa nas escolas seja proibido, que o direito à cidadania só se reconheça àqueles aprovados em exame de língua e cultura ucranianas, que apenas os ucranianos possam adotar órfãos e que os passaportes identifiquem a etnia de seus titulares: ucraniana, polonesa, russa, judaica ou qualquer outra.

Vemos novamente aí a natureza perversa de muitos nacionalismos europeus. Tom Sunic vinha nos advertindo reiteradamente sobre isso. Os movimentos antirrussos estão especialmente equivocados, dada a enorme superioridade militar russa e o caráter inaceitável, aos olhos da Rússia, da adesão da Ucrânia à OTAN e à União Europeia. Certamente a lembrança do genocídio no período soviético mantém-se muito viva na memória dos nacionalistas ucranianos — o que se compreende, embora os russos possam argumentar que não eram eles os detentores do poder no governo soviético aquando do genocídio, e que os próprios etnorrussos estiveram entre as primeiras vítimas do regime soviético; além disso, como observa Andrew Joyce, os nacionalistas ucranianos sabem muito bem da histórica opressão econômica judaica e do envolvimento judaico no genocídio ucraniano dos anos trintas.

Apesar de todo esse nhenhenhém, o nacionalismo ucraniano, se fosse racional, combateria pela partição do país segundo linhas étnicas, em vez de reclamar soberania em áreas como a Crimeia, atualmente região habitada majoritariamente por etnorrussos; evidentemente os russos não iriam querer fazer parte da União Europeia, que se bate pela dissolução de todas as identidades nacionais.

Continua o Prof. English:

Será tão difícil entender a perplexidade dos russos à vista dos oficiais americanos (como o Sen. John McCain e a subsecretária de Estado, Victoria Nuland) que flertam com extremistas denunciados por antissemitismo, xenofobia e até mesmo neonazismo por numerosas organizações de defesa dos direitos humanos? Eles batem autofotos e distribuem pastéis entre os chefes dos protestos, cujos bangalafumengas distribuem nesse mesmo momento, em plena Praça da Independência, exemplares de Os protocolos dos sábios de Sião: isso não deveria chocar? Se nalguma rara situação alguém mostra preocupação com esses extremistas, o problema é logo minimizado com o chavão de que “Sim, o governo não é perfeito, mas logo os moderados prevalecerão”.

Aparentemente os neoconservadores tais quais McCain e Nuland (bem como a elite ocidental de forma geral) veem a presença dos nacionalistas ucranianos como problema superável, a julgar pela hostilidade deles para com todo nacionalismo (à exceção do nacionalismo judeu em Israel). É claro que eles devem ter se equivocado nesse particular e acabaram abocanhando mais do que podem engolir. Israel Shamir descreve os eventos como “Revolução Parda”. Segundo ele, a Ucrânia “foi tomada por uma coalizão de ucranianos ultranacionalistas e oligarcas judeus (principalmente)”, que enriqueceram pilhando a Ucrânia: “Durante anos, os oligarcas despojaram a Ucrânia, remetendo para bancos ocidentais toda a riqueza que extraíam, o que levou a Ucrânia até a beira do abismo”.

Essa coalizão de nacionalistas com oligarcas parasitários, principalmente judeus, é instável, para dizer o mínimo. O Prof. English erra ao escrever como se os nacionalistas tivessem logrado seus objetivos, sem nunca mencionar que forças muito poderosas alinharam-se contra eles. Durante mais de um século, o principal vetor da rica e poderosa diáspora judia tem estado voltado contra os nacionalismos majoritários locais — daí o forte apoio judeu à União Europeia e às forças imigrantistas de desterritorialização da raça branca nos EE.UU. e por todo o Ocidente.

Em última análise, a Ucrânia não será exceção. Eu prognostico que os oligarcas, principalmente os judeus, e seus aliados ocidentais farão de tudo para marginalizar os nacionalistas e fortalecer suas ligações com o Ocidente. Essa conjugação de forças pró-ocidentais é realmente muito poderosa.

O Prof. English aponta as consequências para os etnorrussos nas antigas repúblicas soviéticas:

Mas a preocupação russa é justificável. Desde o colapso da União Soviética, milhões de etnorrussos ou falantes do russo tiveram cassada sua cidadania nas repúblicas bálticas (onde muitos viveram por gerações). Eles perderam seus empregos e suas casas na Ásia Central. E têm sofrido virulenta discriminação na Geórgia (causa principal da guerra de 2008 com a Rússia, também largamente ignorada no Ocidente).

Tal resultado é lamentável pelos russos desterrados, mas essas situações foram grandemente compensadas pela criação de Estados etnicamente homogêneos nas regiões da antiga União Soviética e alhures na Europa. Como observei em outro trabalho,

ao longo dos últimos 150 anos, a tendência geral na Europa e alhures tem sido a criação de Estados com base na etnia, ou seja, etnoestados. Essa tendência não terminou com o fim da II Guerra Mundial. Na Europa, a Guerra fez-se acompanhar do desterramento e reassentamento de povos — principalmente os alemães — para a criação de Estados etnicamente homogêneos. De fato, o maximante da homogenização na Europa ocorreu nas duas primeiras gerações que se seguiram à II Guerra Mundial.

[O Prof. Jerry Z.] Muller escreve:

Como resultado desse massivo processo de apartismo étnico, o ideal etnonacionalista foi largamente realizado: na maioria dos casos, cada nação europeia tinha o seu próprio Estado, e cada Estado compunha-se quase exclusivamente de uma só nacionalidade étnica. Durante a Guerra Fria, essa regra tinha poucas exceções: a Checoslováquia, a URSS e a Iugoslávia. Mas o destino desses países demonstrou a presente vitalidade do etnonacionalismo.

Essa questão é essencial. Com a recente expansão do império da União Europeia, expandiu-se também a retórica apologética de uma nova idade “pós-nacional”. A essa fase, entretanto, seguiu-se a pasmosa multiplicação de etnoestados por sobre os escombros da Iugoslávia, da antiga URSS e da Checoslováquia (cf.The utter normality of ethnonationalism — except for whites. In: VDARE).

Isso que se passa na Ucrânia é exatamente esse processo de desintegração de um Estado etnicamente heterogêneo para a formação de Estados etnicamente homogêneos. Esse seguimento tem o endosso das forças armadas russas e foi desencadeado pela agressiva intromissão de governos e ongues ocidentais na política ucraniana. Nem os neoconservadores nem a União Europeia desejam a clivagem étnica, mas esse é um desejo que pode não prevalecer, dado que Putin está disposto a garantir os legítimos interesses russos manu militari.

Do ponto de vista de um etnonacionalista universal, como sou eu mesmo, a melhor  solução possível seria a divisão da Ucrânia entre russos e nacionalistas ucranianos, segundo as áreas agora sob controle de uns e outros. Se isso acontecesse, os neoconservadores ficariam furiosos. Culpariam Obama e outros governos ocidentais por não terem sido ainda mais agressivos.

Mas a divisão da Ucrânia separando as regiões russa e ucraniana não teria nada de extraordinário, não seria diferente da partilha da Iugoslávia ou da Checoslováquia. O problema é que as oligarquias ocidentais, sempre ansiosas para prejudicar a Rússia, insistem na narrativa da divisão como completamente ilegítima.

O Prof. English, como o liberal convencional que é, aconselha que, em último caso, os Estados Unidos devam se opor fortemente aos nacionalistas:

Por que não deveríamos aliviar os russos de seus [justificados] medos, denunciando energicamente os etnonacionalistas, abraçando os direitos minoritários como vitais para a estável democracia ucraniana que buscamos promover? Dada a nossa própria hipocrisia — não violar acordos (exceto aquele de não expandir a OTAN para o leste), não invadir países sob belos pretextos (exceto o Iraque) e não apoiar movimentos de minorias separatistas (exceto no Kosovo) — por que não iríamos querer restaurar a credibilidade dos Estados Unidos, atuando de acordo com os nossos princípios neste crítico caso? Em 2012, o parlamento europeu condenou o racismo, o antissemitismo e a xenofobia do Svoboda em nome dos “valores e princípios fundamentais da UE”. Os EUA devem fazer a mesma coisa agora, sem hesitação. Isso não é só a coisa certa a fazer, isso abriria uma porta para o entendimento com a Rússia sobre essa perigosa crise. Nossa omissão   estimula os extremistas dos dois lados.

O Prof. English está de parabéns pela sua resumida lista das hipocrisias ocidentais. Com efeito, por que o apoio a uma Crimeia etnicamente homogênea seria diferente do apoio a um Kosovo etnicamente homogêneo?

Mas ele não precisa ficar preocupado. Evidentemente os EUA não querem realmente a vitória dos nacionalistas ucranianos e moverão céus e terra para derrotá-los, se eventualmente eles consolidarem seu poder no governo. Mas, por enquanto, as oligarquias do Ocidente deleitam-se com a propaganda enganosa da revolução, atribuindo-a aos amantes da liberdade na Ucrânia, ansiosos para pertencer ao melhor dos mundos, o mundo da União Europeia.

Em última análise, a longa campanha ocidental para desestabilizar a Ucrânia por meio do apoio às elites pró-ocidentais é violenta afronta aos legítimos interesses nacionais e étnicos da Rússia. Putin já traçou a sua linha vermelha e pode deslocá-la para abarcar a região leste da Ucrânia, o que aumentaria o perigo para todo o mundo. As oligarquias ocidentais não podem culpar os outros  por isso, porque a culpa é delas.

Fonte: The Occidental Observer. Autor: Kevin MacDonald. Título original: The Unstable Alliance of Nationalists and “Mainly Jewish Oligarchs” in the Ukraine. Data de publicação: 13 de março de 2014. Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.

Slavoj Zizek e o seu “Manual pervertido do antissemita”

“A teoria de [Kevin] MacDonald representa uma nova fase do longo processo de destruição da razão.”
(SLAVOJ ZIZEK)

“Zizek é, na melhor das hipóteses, um charlatão pernóstico.”
(THOMAS MOLLER-NIELSEN)

Este é um ensaio sobre o antissemitismo, mas como trata também de Slavoj Zizek, nós teremos de começar abordando a questão das relações extraconjugais. Bem no começo da minha carreira acadêmica, fui chamado para participar de um seminário interdisciplinar, no qual estudantes de pós-doutorado iriam falar rapidamente de suas pesquisas. O esperado era que eu, como alguém que havia recentemente concluído o pós-doutorado, fosse arguir os estudantes de forma dura, mas sempre no sentido de favorecê-los, para não prejudicar o saudável clima das relações pessoais harmoniosas no meu departamento. Deram para mim o programa das apresentações, e na mesma hora já me senti aborrecido com o besteirol feminista e o nhenhenhém semimarxista de contempladores do próprio umbigo, não havendo nada ali relacionado com os campos de pesquisa de meu interesse. Entretanto, eu estava ansioso para cumprir acertadamente minha tarefa e acabei me enquadrando no esquema por dever de ofício. Eu nunca vou me esquecer da primeira apresentação, porque foi muito surreal, o expositor era um afro-americano efeminado, ele recitou um poema intitulado “Pele negra”, falando sobre… bem, o leitor já entendeu o espírito da coisa. Mas o mais memorável evento do dia viria mais tarde, quando uma jovem apresentou trabalho sobre como a questão do gênero era tratada na mídia, ou alguma coisa assim. Eu não gostei da atitude dela, fiquei irritado e, na hora das perguntas, dei uma prensada nela. Uma figura veterana do departamento notou a minha reação e, depois de terminado o seminário, quis voltar à vaca fria. Era um historiador inglês de modos delicados, sobre quem havia muita fofoca. Ele me chamou à sala dele para uma discussão sobre política sexual e de gênero.

Eu me tornei politicamente consciente desde a minha adolescência. Estudei profundamente o marxismo desde quando eu tinha 17 anos e conhecia muito bem esse culto. Apesar disso tudo, eu não estava preparado para a aventura que me esperava na sala do inglês. As paredes eram decoradas com bandeirinhas vermelhas e quadros como que de santos com imagens de Lênin e Trotsky. Então eu pensei que ali se encontrava um comunista de carteirinha. Eu estava em presença de um devotado marxista, de alguém que, diante de mim, representava solitariamente o exemplo concreto da longa marcha para a conquista das instituições. Ele preparou o chá, e nós nos sentamos. Ele começou a discorrer, eu fiquei escutando. No preâmbulo de seu monólogo, meu anfitrião começou externando sua perspectiva pessoal, explicando que, mesmo nas coisas pertinentes ao seu mundo particular, ele se empenhava por viver de acordo com as suas “convicções socialistas”. Antes de se casar, ele disse, ele e sua noiva acordaram entre si que não prestariam os tradicionais juramentos, que não seriam possessivos, que nenhum deles prometeria ser exclusivamente do outro. Eles poderiam “esperar” exclusividade, mas não a poderiam exigir. Eles acreditavam em “liberdade”, ele disse, acrescentando que o progressismo social e a moderna política sexual e de gênero se resumiam a isso. Ele deu a entender que não havia nenhuma razão para ninguém rir disso ou se sentir incomodado com isso.

Mas havia, sim. Eu tinha ouvido um zunzunzum no câmpus de que a mulher desse advogado do “amor livre” estivera cumprindo curto prazo de docência na Noruega e que recentemente tinha decidido ficar por lá mesmo com um namorado norueguês com quem ela tinha tido um caso durante um tempinho. Na Noruega ela vivia com as duas crianças de seu marido “oficial” e fazia de tudo para não deixar que o  chifrudo bonacheirão inglês e amante de Lênin pudesse ver os filhos. A casa da família acabou sendo-lhe tirada pela “ex”, e meu colega marxista passou a morar numa pensão. Trágico? Bem possivelmente. Risível? Com certeza. Tudo isso veio à minha lembrança enquanto o corno manso leninista sentado diante de mim falava dos frios votos de seu casamento, a xícara de chá na mão, olhos marejados de… lágrimas? Efeito do vapor do chá, ele disse, enquanto enxugava-os, rapidamente desviando seu olhar para a janela. Eu fiquei na minha, só olhando para a cara dele. O tempo passava, e aos poucos ele foi se aquietando, até silenciar. Então, agradeci protocolarmente e empreendi fuga dali, respirando fundo quando saí do prédio. Nunca mais na minha vida pus os pés naquele escritório.

O que isso tudo tem a ver com o antissemitismo? Da perspectiva da grande vedete intelectual marxista Slavoj Zizek, tem tudo a ver, porquanto, como iremos mostrar, a infidelidade e o antissemitismo estão irrefutavelmente ligados. Eu digo “irrefutavelmente’ com muita segurança, porque os argumentos dele são irrefutáveis — e são irrefutáveis porque não obedecem à lógica.

Vamos lá! Primeiramente, quem é Slavoj Zizek? Ostensivamente, ele é um respeitado filósofo da Eslovênia e professor em Nova Iorque e Londres, que se ocupa de campos variados do saber, como ciência política, cultura, psicanálise,  crítica de cinema, marxismo, teologia e as filosofias de Hegel e Jacques Lacan. Ele mesmo é o tema mais batido do seu The International Journal of Žižek Studies e já foi considerado “o Elvis [Presley] da teoria cultural” e “o mais perigoso filósofo do Ocidente”. Zizek goza de grande popularidade entre não acadêmicos e jovens esquerdistas, devido principalmente à técnica de comunicação que lhe é peculiar, às referências que faz à cultura de massa em suas palestras, às suas “piadas obscenas” e aos títulos de suas conferências e documentários, sempre contendo a expressão “Guia dos perversos…”. Em abril de 2019, Zizek e Jordan Peterson lotaram o Centro Cultural da Sony em Toronto para debater o tema “Felicidade: capitalismo versus marxismo”, que alguns chamaram de “o debate do século”, embora muitos dissessem depois que fora decepcionante. O importante aqui é levar em conta a grande audiência de Zizek e o fato de geralmente ser tido como pensador sério. Isto significa que suas manifestações são influentes, razão por que interessa examinar o que Zizek tem a dizer dos judeus e do antissemitismo.

As ideias de Zizek sobre temas específicos podem ser difíceis de determinar, porque ele esparrama suas perspectivas por diferentes livros, numerosos artigos e muitas palestras e entrevistas. Fica claro, entretanto, ao se comparar o número de visualizações de suas postagens no YouTube com a frequência à ciberteca dele chamada The Philosophical Salon, a qual serve de vitrina para seus escritos tópicos, que ele se destaca mais como animador audiovisual do que como um escritor sério. O antissemitismo não é assunto sobre que Zizek tenha se debruçado aturada e interessadamente, ainda assim, curiosamente, ele está sempre dando palpites sobre essa questão em algumas de suas palestras dedicadas ao tema. A partir daqui estudaremos as teorias de Zizek sobre o antissemitismo.

I. A patologia da paranoia invejosa

Como legatário da psicanálise de Freud e Jacques Lacan, Zizek recorre fortemente a teorias psicanalíticas do antissemitismo em suas publicações escritas e audiovisuais. Neste ponto voltamos ao assunto das relações extraconjugais, porque num ensaio de fevereiro de 2016 sobre a crise da imigração, publicado no New Statesman, Zizek dizia o seguinte:

Jacques Lacan alegava que, mesmo se a denúncia de um marido ciumento que acusasse a mulher de dormir com outros homens fosse verdadeira, o ciúme dele seria patológico. Por quê? Porque a verdadeira questão não está em saber se o ciúme do marido tem fundamento na traição real da mulher, antes importa saber a razão pela qual o marido precisa de seu ciúme para manter a própria identidade. Analogamente, pode-se dizer que mesmo se as falsas acusações dos nazistas que incriminavam os judeus de explorar os alemães e seduzir suas mulheres fossem verdadeiras, seu antissemitismo ainda seria (e era) patológico, porquanto recalcava a verdadeira razão pela qual os nazistas precisavam do antissemitismo, qual seja, sustentar sua posição ideológica. E não é isso, exatamente, o que ocorre hoje em relação ao medo crescente dos refugiados e imigrantes? Estendendo o raciocínio a um caso extremo, podemos concluir que, mesmo se os nossos preconceitos em relação a eles fossem verdadeiros, mesmo se eles fossem fundamentalistas, terroristas, assaltantes, estupradores, ainda assim as advertências paranoicas de uma ameaça imigratória seriam patologia ideológica. Essa nossa atitude enquanto europeus fala mais de nós do que dos imigrantes.

Há muito nisso daí para ser periciado, mas uma rápida leitura já causa espanto, porque o texto é um desastre da lógica e porque muitos consideram o seu autor um sério e celebrado filósofo da cultura contemporânea. O primeiro problema é, evidentemente, a citação do ridículo Lacan como se fosse uma autoridade, como se o que ele diz valesse alguma coisa. Se um homem tem provas suficientes para acreditar que sua mulher esteja sendo infiel, então seria difícil taxar o marido de ciumento ou, mais ainda, de patológico, porque ele estaria apenas reagindo para defender seus interesses (sexual, reprodutivo, financeiro, emocional, até religioso e profissional — o que não teria nada de surpreendente para um evolucionista). Também não procede dizer que ele precise do ciúme a fim de manter sua identidade. Na verdade, o que iria acabar com a identidade dele seria a traição mesma, pois o aspecto emocional e todos os outros constituintes de sua vida de homem e de marido estariam solapados no contexto da infidelidade. Kevin MacDonald observou que o ativismo intelectual judeu, especialmente aquele comprometido com a psicanálise, costuma se valer de interesses pessoais para escolher argumentos, os quais são formulados em linguagem universal. Jacques Lacan não era judeu, mas suas teorias sobre o ciúme e a infidelidade, incluindo sua famosa afirmação de que “Não existe essa coisa de relacionamento sexual”, sempre foram de um subjetivismo interessado, não há dúvida quanto a isso. Catherine Millot, uma de suas pacientes, rememorava em autobiografia de 2017, Life with Lacan, que “ele tinha casos com pacientes e ex-mulheres de seus mais chegados amigos” e a muitos deles propunha sexo grupal.

Voltando a Zizek, então, aquela declaração dele pode ser resumida nos seguintes termos: mesmo se os protestos contra a influência judia na sociedade ocidental correspondessem a razões de fato, à semelhança das acusações daquele marido desconfiado da mulher, “tais protestos continuariam a ser patologia ideológica” dos europeus de que depende a manutenção da identidade europeia. Nesta altura alguém deveria solicitar a Zizek que definisse exatamente como qualquer acusação contra qualquer coisa poderia não ser manifestação de uma doença. Por exemplo, mesmo se a crítica de Marx ao capitalismo se provasse verdadeira, como é que as acusações contra a burguesia enquanto classe poderiam ser menos patológicas do que as acusações contra os judeus enquanto classe? Será que Zizek acha que os marxistas são patológicos por precisarem da paranoia antiburguesa para manter a própria identidade? Duvido. Ele deve pensar, então, que só as acusações formuladas pela direita são patológicas, mas se é assim, é assim por quê? Como alguém pode acusar terroristas, estupradores e ladrões sem perder o pleno gozo de suas faculdades mentais? Será que o acusador deve estar sendo decapitado, estuprado ou roubado? Não, nesses casos talvez a acusação ainda decorresse de alguma perturbação mental. Deve ser presumido que o acusador sentir-se-á tentado a manter a própria identidade por meio da paranoia persecutória, enquanto não tiver sido esquartejado.

Deixando de lado o sarcasmo, não seria esse o caso de considerar que na vida, geralmente, as incriminações partem do mundo real das perspectivas e dos interesses de indivíduos ou grupos e que a medicalização das denúncias de um partido seja simplesmente uma forma de combater os interesses desse partido e deslegitimar sua perspectiva?[1] Não estará Zizek, simplesmente, por razões desconhecidas (que, apesar disso, certamente não prejudicaram sua carreira), oferecendo uma explicação do antissemitismo totalmente sem lógica no intento de coonestar a “verdade sem importância” do comportamento judeu? Eu não acredito em que Zizek seja um filossemita, conforme entendo esse termo. Classificação mais apropriada dele colocá-lo-ia nas categorias de “sincero e ingênuo seguidor do credo marxista” e de “charlatão pedante”. Isso se evidencia nas muitas declarações dele sobre o antissemitismo, as quais não passam de cruas e irrefletidas regurgitações de Jean-Paul Sartre, que foi um firme defensor da tese da “verdade sem importância”.

II. As tais contradições que não existem.

Enquanto a primeira entre as maiores características das interpretações psicanalíticas de viés marxista do antissemitismo consiste na negação de qualquer justificada denúncia como causa legítima da origem do fenômeno, a segunda dessas características consiste na indicação de supostas contradições da perspectiva antissemita. Numa palestra que proferiu em 2009 na European Graduate School sobre o tema Anti-Semitism, Anti-Semite and Jew [O antissemitismo, o antissemita e os judeus], Zizek argumentou que o antissemitismo coloca o judeu numa “impossível alteridade” e continuou dizendo o seguinte:

Uma das ironias da história do antissemitismo é que os judeus podem representar, na mundivisão antissemítica, os dois polos de uma oposição. Eles são estigmatizados como a classe superior, os ricos, os açambarcadores que nos exploram mas, por outro lado, são vistos como a classe inferior, os pobres e sujos. Eles são percebidos como muito intelectualizados ou muito mundanos, predadores sexuais e por aí vai. São os preguiçosos mas, também, os viciados em trabalho.

Na minha resenha de 2015 sobre o livro de Theodore Isaac Rubin (1923-2019) intitulado Anti-Semitism: A Disease of the Mind [Antissemitismo: uma doença da mente], eu observei que Rubin, um psicanalista confesso, declarou que “o judeu” era quase que só um símbolo na mente do antissemita, e ainda que o antissemitismo contém uma lista quilométrica de contradições e “superlativos mutuamente excludentes”. A ideia de que o antissemitismo contém contradições lógicas é clichê das narrativas, histórias e apologética judias. Por exemplo, o historiador judeu Derek Penslar afirmou que “Os argumentos do antissemita são, pela própria natureza, ilógicos, imprecisos e indefensáveis.”[2] Jeffrey Herf prega que o antissemitismo é “eivado de contradições e altamente irracional.” [3] Esse tipo de resposta ao antissemitismo descende de poderosa linhagem. Kevin MacDonald já fez saber que boa parte do A personalidade autoritária, da Escola de Francforte, foi “uma tentativa de demonstrar a irracionalidade do antissemitismo pela indicação de que os antissemitas têm crenças contraditórias sobre os judeus. (…) A personalidade autoritária exagera a natureza autocontraditória das crenças antissemíticas para assim salientar a irracional, a subjetiva natureza do antissemitismo.”[4]

No trabalho de Rubin assim como no de Zizek, vemos acusações contra os judeus que são consistentes, se consideradas em seu contexto, ou que provavelmente nunca foram feitas por nenhum dos considerados antissemitas. Por exemplo, Rubin escreveu que todos os antissemitas atribuem aos judeus os seguintes predicados:

  1. estúpidos, brilhantes;
  2. todo-poderosos, fracos;
  3. cosmopolitas, provincianos;
  4. malandros, ingênuos;
  5. supersensíveis, insensíveis;
  6. negrofílicos, superpreconceituosos;
  7. os mais ricos, os mais pobres;
  8. artísticos, desartísticos;
  9. mamonistas, esnobes pedantes;
  10. exossociados, endossociados.

Mas as “contradições” oferecidas por Rubin e Zizek são simplificações extremas.  No seu Culture of Critique, Kevin MacDonald analisou os trabalhos de Levinson, Ackerman e Jahoda nos quais esses autores pretenderam denunciar o comportamento contraditório daqueles que têm os judeus na conta de tribalistas e evitadores despicientes, mesmo enquanto esperam que os judeus sofram segregação e restrições. Também pretenderam revelar outra atitude contraditória em relação aos judeus: a de que seriam tribalistas e socialmente invasivos.[5] De igual modo, Zizek oferece a formulação de que existe uma inerente contradição nas crenças antissemíticas do “particularismo” e do “cosmopolitismo” judeus. Mas, diz MacDonald:

A concordância entre os termos de cada um daqueles itens não é autocontraditória. Tais atitudes são provavelmente componente comum dos processos reativos discutidos em  Separation and Its Discontents. Os judeus são vistos por estes antissemitas como membros de um grupo fortemente coesivo, que tenta penetrar os círculos de poder e alta posição da sociedade inclusiva, talvez até mesmo solapando a coesão desses círculos, ao passo que conservam seu próprio separatismo e espírito tribal. A crença em que os judeus devam sofrer restrição é completamente consistente com essa atitude. Além disso, estereótipos contraditórios sobre os judeus, representando-os como capitalistas e comunistas podem ser aplicados pelos antissemitas a diferentes grupos de judeus.[6]

De igual modo, as “contradições” de Rubin podem ser resolvidas bem rapidamente, tão logo seja evitada toda simplificação excessiva. Nunca ou só raramente os judeus são retratados simplesmente como “negrófilos”, mas são frequentemente vistos como estando de maranha com os pretos em lugares como o Sul dos Estados Unidos e a África do Sul, juntos, neste último país, para derrubar o Apartaide.    Até onde sei, esse comportamento nunca foi pensado como decorrente do altruísmo amoroso dos judeus para com os pretos. Antes, essa é uma união incrivelmente desigual, cujo fim último é servir aos judeus interessados em solapar a estrutura do poder branco nos Estados Unidos. A NAACP [National Association for the Advancement of Colored People], por exemplo, apesar de declaradamente constituir organização antissegregacionista, esteve fundamentalmente dividida  entre os judeus, que a dirigiam, e os seus badamecos pretos. Como Hasia Diner registra no seu In the Almost Promised Land: American Jews and Blacks, 1915–1935, muitos na direção judaica da NAACP “trabalhavam mais intensamente com outros judeus.”[7]

O enquadramento dos judeus como “os piores fanáticos” corresponde a esse caráter oportunístico e tutelar de sua relação com os negros e também à tradição da propriedade escravista entre populações judias, como ainda às referências talmúdicas extremamente negativas aos africanos. Por exemplo, em The Image of the Black in Jewish Culture, Abraham Melamed explica que os romanos tinham uma “teoria climática” da raça, na qual “atribuíam a inferior condição psicossocial dos negros ao sul e dos brancos ao norte à geografia e ao clima inóspitos de suas regiões”, mas também acreditavam na “possibilidade de mudança e melhoramento”. Em contrapartida, o magistério rabínico era muito mais determinista, doutrinando que os negros estariam “eternamente sujeitos à escravidão”.[8]

As outras “contradições” apontadas por Rubin e Zizek são igualmente frágeis. Por exemplo, a história mostra que a propaganda antijudaica representando o judeu como estúpido é extremamente rara. Ao invés disso, é generalizada a noção da extrema competência do judeu na luta pela vida, é notória a propensão dele para alcançar posições dominantes na economia, na cultura, na política. Existe, por outro lado, a subnoção de que a “genialidade do judeu” é exagerada e resultaria, na verdade, de suas redes étnicas de ajuda mútua, mas há pouca dúvida de que as tentativas de confrontar a influência judaica decorreram da necessidade de lidar com a ameaça real da inteligência judia e a consequente capacidade estratégica e organizativa do judeu. O judeu não tem nada de burro em nenhum lugar. Tampouco foi ele considerado extraordinariamente “artístico” em qualquer momento da literatura antissemítica. Na realidade, outra noção consensual do pensamento contra o judeu é que lhe falte genuíno talento artístico, e no passado isso foi ligado ao fato de lhes ter sido proibida a arte da escultura. A obra de Wagner Das Judenthum in der Musik pode ser vista como clássica a esse respeito.

Contrariamente ao que diz Zizek, os judeus nunca foram realmente retratados como pobres ou pertencentes à “classe inferior” da sociedade, tirante o breve período no começo do século XX, quando as primeiras massas de imigrantes judeus chegaram à Europa Ocidental e aos Estados Unidos, egressas do antigo Império Russo. Mas essa circunstância foi muito específica em termos de tempo e espaço, e mesmo então os contemporâneos observavam com frequência quão notável era a ascensão econômica dos imigrantes judeus. Outrossim, Zizek estabelece a oposição entre ser intelectual e ser um predador sexual, o que aparentemente desafia qualquer consistência lógica. Estaria Zizek sugerindo que intelectuais sentem menos desejo sexual? Nesse caso, então, como ele explica as vidas de alguns de seus heróis intelectuais, como Sartre e Lacan, que foram grandes predadores sexuais? Sartre vivia sob a obsessão da defecação e dos excrementos, como Freud, aliás, e Lacan deleitava-se de peidar e arrotar em público. Uma pergunta ainda mais importante: será que Zizek vê alguma contradição ou falta de lógica no fato comprovado da super-representação dos judeus tanto na academia quanto na indústria pornográfica? Outra: poderia Zizek apontar qualquer pensador antissemita que tenha atribuído ao judeu a dupla condição de “preguiçoso e labormaníaco”? Nesta altura cabe tomar de empréstimo as palavras da brilhante autodescrição do escritor Cormac McCarthy, ao dizer que o judeu “trabalha muito para não fazer nada”, ou seja, que os judeus se concentraram em negócios de não trabalho, especialmente aqueles relacionados com a circulação de dinheiro, nos quais eles se destacam como grandes inovadores, e outros setores econômicos que só podem ser chamados de parasitários.

Essas posições antijudaicas são todas muito consistentes. Entretanto, os acadêmicos judeus e seus aliados marxistas fogem conscientemente dessa realidade ou dela se protegem na inconsciência da autoilusão, persistindo na tese de que o antijudaísmo é, de alguma forma, inerentemente contraditório. Para Zizek, como para Rubin e inúmeros judeus, as “contradições” são reais e resultam da psique fraturada e dos desejos frustrados do “antissemita”. Rubin já opinou que “Os conflitos interiores têm grande poder e são vistos à luz do ódio de si mesmo ou à luz da simples idealização, do que resulta geralmente a polarização. Esta polarização faz com que seja necessário projetar características para englobar os extremos conflitantes.” Na realidade, esses pseudoacadêmicos estão carregando contra moinhos de vento — o alvo que eles imaginam atingir não existe.

III. O judeu como fetiche do fascismo antissemita

Num lance especialmente irônico, os marxistas também apresentam suas próprias contradições do antissemitismo e dos supostos aspectos psicossociais do antissemita. Além de dizerem que o antissemitismo é proposição ideológica contraditória, irracional e patológica, os marxistas também argumentam que há nele certa lógica, embora equivocada ou mal orientada. Este segundo argumento vem da teoria marxista de que o antissemitismo é manipulação pela qual a classe dominante oferece “o judeu” como distração ou “fetiche” para os trabalhadores explorados de modo que a exploração capitalista possa continuar. Zizek é um forte defensor dessa teoria.

Em sua conferência de 2009 na European Graduate School, intitulada O antissemitismo, o antissemita e o judeu, Zizek sugeriu que o antissemitismo começou quando

Predicados atribuídos aos judeus disseminaram-se por toda a sociedade. O comércio tornava-se hegemônico […]. Tudo isso não começou na Roma antiga, mas sim na Europa dos séculos XI e XII, que transitava do marasmo da chamada Idade das Trevas para a fase do rápido crescimento das trocas mercantis e da importância do dinheiro. Nesse preciso momento, o judeu emergiu como o inimigo, o intruso parasitário que perturbava o edifício da harmonia social.

Situar as origens do antissemitismo na cristandade medieval e não na Antiguidade é uma marca notória da apologética judia, uma tática para culpar os cristãos em ascensão pelo antissemitismo. A tendência alcançou seu apogeu no trabalho do historiador não judeu Gavin Langmuir (1924–2005), agora lembrado e celebrado pelos judeus e “psicanaliticoides” como uma “autoridade mundial em antissemitismo.” A explicação de Langmuir para o antissemitismo influenciou várias tendências que transformaram os estudos históricos das atitudes antijudaístas durante os anos sessentas e setentas. Estas décadas assistiram a certo abandono dos estudos focados nos indivíduos “preconceituosos” — trabalhos que predominaram nos anos quarentas e cinquentas, a exemplo da obra paradigmática A personalidade autoritária — e assistiram, paralelamente, à emergência de estudos nos quais culturas e épocas inteiras eram consideradas “doentes”. Nos estudos daquelas duas primeiras décadas já estavam fortemente implicadas condenações da cultura ocidental, com certeza, mas foi com trabalhos como Has Anti-Semitism Roots in Christianity? (1961), de Jules Isaac, e Anti-Semitism and the Christian Mind (1969), de Alan Davies, que as sentenças condenatórias ficaram mais explícitas. Langmuir aproveitou-se disso para pranchar a crista dessa onda.

Conforme esse novo paradigma das explicações psicológicas do “preconceito”, passou-se a considerar que grupos, sociedades e culturas, em sua totalidade (mas apenas grupos, sociedades e culturas do Ocidente, é claro), podiam sofrer processos psicológicos coletivos como a projeção e o narcisismo. A psicanálise teve decisiva influência no desenvolvimento dessa pseudo-historiografia. Na verdade, muitos desses trabalhos não foram escritos por historiadores ou cientistas sociais, mas sim por psicanalistas como Avner Falk. O trabalho de Langmuir seguiu o exemplo do que os judeus publicavam, negando que na Idade Média as populações judaicas tenham sido responsáveis pelas reações negativas da parte dos cristãos, como também imputando às sociedades cristãs do Ocidente  a profunda disfunção psicológica com sintomas de fantasia, repressão e sadismo.

Apesar de pouco saber de como evoluiu toda a legislação medieval, Langmuir houve por bem entregar-se rapidamente a pronunciamentos grandiloquentes sobre a natureza e as origens do sentimento antijudaico na Europa ao longo dos séculos.  Seus trabalhos, faltos de maiores leituras, o que miserandas evidências revelavam frequentemente, retratavam o antissemitismo como “basicamente um fenômeno ocidental”.[9] Arrogante, ele reclamava para si a glória de haver conseguido “definir o cristianismo e categorizar suas manifestações, inclusive o catolicismo, de forma objetiva”.[10] Descarado, ele confessou em seus livros que “não iria discutir as atitudes dos pagãos para com os judeus na Antiguidade”.[11] Censurador, ele dizia que as tentativas de formular explicações das relações intergrupais de judeus com não judeus em termos de racionalidade, interesse e conflito eram “esforços equivocados e pseudocientíficos de teoristas raciais”, e até mesmo que o tratamento do antissemitismo que levasse em conta as explicações dadas pelo senso comum seria “desastroso”.[12] Em vez disso, o antissemitismo consistiria, “tanto por sua origem quanto por suas recentes e mais horríveis manifestações … na hostilidade irracional do pensamento sobre os judeus”.[13] Langmuir parece ter situado sua discussão sobre as origens do antissemitismo no período medievo sobretudo pelo que ele mesmo disse: “Meus conhecimentos da história do Ocidente são respeitáveis, mas apenas a partir da queda do Império Romano, e eu me sinto mais à vontade ao tratar da Idade Média.”[14] Apesar do pretenso recorte temporal, as recentes teorias de Langmuir são generalizantes, e seu trabalho, tal quais os de uma série de teóricos judeus da psicologia social, como Norman Cohn e Joshua Trachtenberg, sofre ataque de considerável intensidade de Hannah Johnson, medievalista inglesa formada em Princeton, especialmente por seu Blood libel: the ritual murder accusation at the limit of jewish history (2012).

A única coisa que Zizek fez com a sua própria teoria é o quase plágio das teorias psicossociais já existentes, como aquelas de Langmuir, simplesmente substituindo o cristianismo pelo capital e deixando intacto tudo o mais no modelo interpretativo. A teoria de Zizek parte da mesma base, tem o mesmo viés da medicalização (patologização), as mesmas simplificações extremas e a mesma atenuação ou negação do antagonismo no comportamento judeu.

Quem quiser acreditar que alguma coisa nova teve lugar nas relações entre judeus e europeus no século XI deverá atribuí-la ao aumento e à expansão radicais da população judaica nesse período, não ao aumento do capital.[15] Em outras palavras, “os judeus emergiram como inimigos” na Europa Ocidental simplesmente porque “os judeus emergiram” na Europa Ocidental, e a animosidade terá sido produto do comportamento associado ao judeu emergente.

O aspecto problemático da datação que Zizek estabelece, entretanto, reside em que o antissemitismo na Europa Ocidental, se é que tenha algo de singular, originou-se no século X, com a formação de relacionamentos entre os judeus e a elite, sob os carolíngios, e com a estratégia antijudaica de Agobard, o arcebispo espanhol de Lião. O interessante é que Zizek não especifica nenhum evento ou personalidade que possa ter começado “tudo isso”. Tampouco ele explica se tais eventos como, por exemplo, rebeliões antijudaicas, seguiram-se a supostas crises capitalistas e suas consequências: carência, fome, guerra. A esse respeito, deve ser notado que o período carolíngio não tem sido descrito pelos historiadores como de expansão capitalista, mas sim de “completo retrocesso econômico e social”.[16] Então, o antissemitismo acompanha a progressão ou a regressão econômica? O antissemitismo dimana da prosperidade e da competição pelo excedente econômico ou advém do declínio econômico e da fome? Se o antissemitismo for expressão das frustrações dos trabalhadores explorados sob o capitalismo, então por que ele reponta em momentos tão diferentes como a libertação dos servos e a decadente República de Weimar dos clangorosos anos vintes? Zizek não tem nenhuma resposta a dar porque ele não se coloca essas questões.

Na sua palestra da European Graduate School, Zizek observou que “O grande mistério do antissemitismo está na explicação da sua persistência. Por que ele persiste apesar de todas as mudanças históricas?”. Zizek omite a informação de que o antissemitismo também persistiu em todos os contextos econômicos, incluindo o comunismo, o que torna qualquer interpretação marxista do fenômeno completamente descabida. Não obstante, Zizek apresenta a seguinte elucubração:

[O antissemitismo] implica a falsa identificação do antagonismo de um inimigo. Como todos sabemos, a luta de classes ou qualquer outra luta social é deslocada para que se lhe substitua a animosidade contra os judeus, de sorte que a raiva do povo que geme sob a exploração seja desviada das relações capitalistas para o conspiracionismo judeu. […] quando o antissemita diz que “Os judeus são a causa da nossa miséria”, ele realmente refere que o Grande Capital é a causa da nossa miséria. Os trabalhadores têm o direito de se rebelarem contra a exploração, mas eles dirigem sua raiva contra o alvo errado. […] o judeu é o fetiche do fascista antissemita. […] o antissemitismo é só uma manipulação por parte da classe dominante, que assim fica livre para explorar [os trabalhadores].

Essa tese é profundamente problemática, devido principalmente aos pressupostos do argumento. Entre as mais salientes dessas suposições está a de que a grande maioria dos antissemitas (aqueles que reclamam do comportamento ou da influência dos judeus) seja cegamente acrítica relativamente ao grande capital e a de que o grande capital e o estabilismo da classe dominante não sejam significativamente judaicos. Sem a aceitação dessas hipóteses não poderiam apresentar o antissemitismo como grosseira e contraprodutiva manipulação. A par dessas questionáveis conjecturas, deve-se também considerar que Zizek escamoteia a questão das relações especiais que os judeus, indubitavelmente, sempre entretiveram com o capitalismo, particularmente com o capitalismo parasitário, não orgânico (por exemplo, a agiotagem extorsiva enquanto contrária ao princípio básico da propriedade privada). Esses problemas serão considerados individualmente a seguir.

IV. As críticas antissemíticas do capitalismo

A assertiva de que os antissemitas seriam cegamente acríticos em relação ao grande capital ou, por isso mesmo, em relação aos excessos de qualquer sistema financeiro vai bem contra o registro histórico. Antes de Marx e Engels, havia instâncias de verdade, autênticas, de forte sentido étnico ou nacional inspiradas no “socialismo”, nas quais as reclamações contra a atividade judaica eram comuns. Um excelente exemplo é William Cobbett (1763–1835), trabalhador rural, jardineiro, comerciário, soldado, jornalista e político inglês. Cobbett opôs-se às leis dos cereais Corn Laws, uma legislação imposta entre 1815 e 1846 contra a importação de grãos mais baratos, a qual manteve artificialmente elevado o preço dos alimentos no mercado interno. Cobbett culpou a aristocracia britânica, cada vez mais presumida e tacanha, e sua mentalidade mercantilista — formada na rolagem de dívida — pela queda na qualidade de vida da classe operária inglesa e pela Grande Fome na Irlanda. O seu jornal Political Register é frequentemente considerado o pioneiro do jornalismo popular radical e foi o jornal mais lido pelos trabalhadores. Sua ferrenha oposição à aristocracia britânica levou o governo a considerar sua prisão por sedição em 1817 — quando rumores nesse sentido forçaram Cobbett a se refugiar nos Estados Unidos, onde ficou até que a poeira baixasse dois anos depois. Quando ele voltou, bateu-se pela Reform Act, de 1832, que ampliou direitos eleitorais e abriu caminho para a expansão da democracia nas Ilhas Britânicas.

Cobbett foi também um oponente resoluto dos judeus. Ele foi um dos grandes campeões da emancipação política católica e, ao mesmo tempo, inimigo feroz e incansável da emancipação política judaica. Ele acusava o afastamento do judeu em relação às massas, rejeitando a ideia de que os judeus deveriam ter voz no governo, a menos que se lhe apontassem “um judeu que alguma vez na vida tivesse segurado o cabo de uma picareta, que tivesse feito seu próprio casaco ou seu sapato, que tivesse feito alguma coisa, enfim, que não fosse arrancar todo o dinheiro que podia do bolso do povo”.[17] “Os judeus”, dizia Cobbett, “não merecem nenhuma imunidade, nenhum privilégio, nenhuma propriedade de casa, terra ou água, nenhum direito civil ou político. (…) Eles devem ser considerados alienígenas em todo lugar, devem estar sempre ao dispor absoluto do poder soberano do Estado, tão completamente como se fossem substância inanimada”. Ele enaltecia, frequentemente, a expulsão dos judeus da Inglaterra sob Eduardo I. O ativista acadêmico judeu Anthony Julius cita Cobbett como tendo dito que “Os judeus estragaram a França e destruíram a Polônia” e que os judeus “Vivem chafurdando na lama podre da usura (…), são extorsionários por força do hábito e de um quase instinto”. Julius lamenta que “O antissemitismo de Cobbett tenha exercido certa influência difusa sobre os radicais no começo do século XIX, pelo menos quanto ao vocabulário. (…) Cobbett gozou de imensa popularidade no seu tempo e deixou sólida reputação póstuma”. Em 1830, Cobbett publicou Good Friday: or the Murder of Jesus Christ by the Jews [Sexta-feira Santa: ou o assassinato de Jesus Cristo pelos judeus], e aí escreveu o seguinte:

[Os judeus estão] do lado da extorsão em todo lugar, colaborando com a tirania na exploração fiscal; e, em todo lugar, são ferozes inimigos dos direitos e das liberdades populares. (…) A pletora da dívida e da miséria é o elemento em que prosperam, como aves de rapina e bestas carniceiras, os judeus engordam em tempos de pestilência. (…)Essa raça figura sempre como ferramenta nas mãos de tiranos para espoliar o povo; eles são os fazendeiros dos impostos cruéis; eles dão apoio ao despotismo, que de outra forma não se manteria.

Em Paper Against Gold [O papel contra o ouro] (1812), Cobbett expôs sua visão de que os conceitos de papel-moeda e dívida nacional eram essencialmente uma “fraude” dos judeus com a “conivência” de uma aristocracia gananciosa e incapaz. A princípio lealista, Cobbett depois passou a considerar que, embora o conceito de aristocracia não fosse de todo ruim ou ilegítimo, a aristocracia britânica houvera traído e parasitado o povo de que devia ser dirigente. O fato de a aristocracia haver aderido ao pensamento judeu, por laços de sangue e interesses financeiros, havia sido sugerido mais fortemente no Political Register, de 6 de dezembro de 1817:

Agora que eles cometem a insolência de se referirem a nós como “as ordens baixas”, devemos estar preparados, dispor de conhecimentos aplicáveis, deixemos que esses diabos pernósticos se casem uns com os outros, até que, como os judeus, eles tenham todos uma e mesma face, um e mesmo par de olhos, um e mesmo nariz. Se puderem impedir que seja melhorado o próprio sangue com a contribuição de seus mordomos, e que assim sejam fortalecidos os membros de sua fragilizada raça, deixemos que façam isso; e vamos nos preparar para quando chegar o dia da derrubada deles. Eles nos desafiaram para o combate. Eles declararam guerra contra nós.

As visões de Cobbett marcam-se pela oposição feroz ao capital financeiro e à classe dominante, como também aquelas de “infames antissemitas” tais como   Wilhelm Marr, Adolf Stoecker, Georg Ritter von Schonerer, Pierre-Joseph Proudhon e Alphonse Toussenel, que combinaram uma crítica radical do grande capital com a contestação do papel específico dos judeus nas finanças, na cultura, na política e na sociedade. De fato, muitas dessas figuras locucionaram as razões pelas quais uma crítica separada e distinta do “Semitismo” fazia-se necessária. A principal característica do socialismo do século XIX consistiu no seu forte antissemitismo, o qual rejeitou alegações judeo-marxistas que se diziam parte “do povo”, e muitos socialistas antijudeus retrataram tais alegações como estratégias oportunistas e ocultas dos judeus para reassegurar seu poder sob a nova forma de governo. Uma das mais memoráveis manifestações daquele tempo a esse respeito foi a observação do socialista francês Pierre-Joseph Proudhon de que Karl Marx nada tinha de legítimo, sendo antes “a tênia do socialismo”. Proudhon (1809–1865), por muitos considerado o pai do anarquismo, via os “aliados” judeus aparentemente socialistas, a exemplo de Heinrich Heine, “apenas como espiões disfarçados” cuja agenda secreta deveria garantir a continuação dos antigos privilégios e validismos judeus sob a camuflagem de suposta justiça social. À luz da trajetória histórica da crítica antijudaica e da biografia dos seus maiores proponentes, a afirmação de Zizek de que o antissemitismo seria só “fetiche” para desviar o olhar crítico focado no capitalismo não tem nenhuma sustentação.

V. Os judeus, o grande capital e a classe dominante

Outrossim, a sugestão de que o grande capital e o estabilismo da classe dominante não são e não têm sido significativamente judeus ao longo da história      não tem sustentação. Zizek simplifica e faz caricatura da Idade Média como tempo em que “O judeu emergiu como o inimigo, um intruso parasitário que perturba o harmonioso edifício social”. Obviamente, Zizek emprega a expressão “harmonioso edifício social” com cepticismo e desdém, vendo a ordem existente antes da chegada dos judeus como minada por exploração, tensões e contradições.  Segundo o enquadramento teórico de Zizek, os judeus podem ser a força capitalista caótica que penetrou a Europa, mas esta já era uma Europa sob a ação de forças capitalistas caóticas, e por isso seria irracional culpar os judeus por qualquer coisa que tenha acompanhado sua emergência e expansão na Europa. Nesta altura, o que deve ficar claro é a distinção entre isso que pode ser chamado de o desenvolvimento orgânico das finanças na Europa[18] e os exorbitantes e, com frequência, extremamente negativos desenvolvimentos suscitados pela chegada dos judeus e as subsequentes relações especiais que estabeleceram com as elites europeias e com o capitalismo em si mesmo.

O desenvolvimento orgânico das finanças e das divisões de classe na Europa está demonstrado na evolução do feudalismo como resultado da adoção da cavalaria pesada pelos francos no século VIII, enquanto outros aspectos não militares do feudalismo continental surgiram como repercussões sociais inevitáveis dessa mudança na organização militar.[19] Como os cavaleiros precisassem de dinheiro, cavalos e seus tratadores, pajens, escudeiros e demais servidores, como ainda de liberdade em relação a todas as outras ocupações não militares, lavrar a terra, por exemplo, a cavalaria tornou-se emprego da classe superior. A crescente sofisticação tecnológica da guerra montada encareceu-a cada vez mais, estabelecendo aguda distinção entre os cavaleiros e os campícolas comuns. Daí que os camponeses livres tenham ficado menos valiosos como soldados, decaindo para a simples servidão. Foi então, em certo sentido, inevitável que a nova classe dos cavaleiros se convertesse na aristocracia agrária e seus membros assumissem funções jurisdicionais de nível mais baixo sobre os servos da gleba. Em tal contexto, de certa forma, realmente existia “harmonioso edifício social”, na medida em que vigia lógica clara, a qual deu competitividade às comunidades e a seus territórios numa situação de rápidas mudanças militares e geopolíticas. A classe dominante obrigava-se ao paternalismo ante os servos, sendo rara a exploração desmedida, porquanto perigosa e contraprodutiva, já que poderia provocar levantamento massivo, com quebra da coesão social e perda de seu valor militar. Logo, o edifício social era mesmo “harmonioso”, por sua coordenação e equilíbrio e, de forma geral, foi benéfico para a comunidade nacional orgânica.

A chegada dos judeus à Europa, sem dúvida, desequilibrou essas relações de classe e aquelas entre a classe dominante e as ordens baixas. Encontramos evidência desse desequilíbrio na Europa medieval nos documentos e objetos remanescentes, como ainda nas situações modernas análogas, tais como a Grande Revolta Camponesa da Romênia de 1907, na qual a ingerência judia na ordem quase feudal da sociedade existente levou a exploração a tal extremo que provocou generalizada revolta ante o colapso societal que se produziu. A chegada dos judeus à Europa Ocidental como poder financial e geopolítico remonta à ascensão deles sob os carolíngios no século IX ou, possivelmente, a tempo ainda anterior, em Narbona, onde os judeus destacavam-se como classe detentora de extraordinária riqueza. Em tal circunstância, foram engendradas as relações formais e simbióticas dos judeus com as elites europeias autistas que abriram gravíssima fissura nas relações de classe europeias. Os financistas judeus adentraram o harmonioso edifício social na condição de forâneos protegidos e privilegiados cujo único propósito era o de distorcer e acelerar a transferência de recursos entre as classes europeias, quando então a divisão interna das classes perdeu o sentido da eficiência comunal para corresponder a interesses de ganhos particulares. Nesse sistema, o paternalismo deu lugar a situações como a autorização do comércio judeu de escravos cristãos (a principal razão das sublevações de Agobard de Lião) ou a disseminada, extorsiva tributação do campo.

Um dos maiores mitos modernos, uma mistificação produzida pelo gênio revisionista judeu, é aquela história de que os judeus teriam sido forçados a tais práticas em razão de leis restritivas da propriedade agrária e certos outros contextos locais. Isso aí é o pior do relativismo historicista, mas felizmente toda essa deturpação e falsidade explícitas vêm sendo erodidas lentamente pelos estudos acadêmicos atuais. Considere-se, por exemplo, a mais recente edição do The Oxford Handbook of the Economics of Religion, que refere o “notável” fato de que os judeus

foram autorizados a adquirir terras, seja em Narbona (899), seja em Gerunda (922), seja em Tréveris (919), seja na Vormácia (1090), seja em Barcelona (1053), seja em Toledo (1222), seja na Inglaterra da Alta Idade Média, se o quisessem. Os judeus não só tinham permissão para ter terras, eles tinham terras de grande extensão (especialmente na Itália, no Sul da Espanha, no Sul e no Leste da França e na Alemanha); possuíam campos, jardins e vinhedos; tinham, transferiam e hipotecavam propriedades agrícolas. Mas preferiam contratar arrendatários, meeiros e assalariados agrícolas para trabalhar nas suas terras. Para si mesmos, eles escolheram misteres mais qualificados e rentáveis, sobretudo a agiotagem. [20]

Basicamente, então, vemos o rápido e deliberado ingresso dos judeus na sociedade europeia a título de cavaleiro, ou graduação ainda mais alta, mas sem  nada da lógica ou dos benefícios da posição de cavaleiro para o edifício social orgânico. Nessa nova ordem social, a presença do judeu não se explicava senão pelo interesse no enriquecimento pessoal de certas elites e no enriquecimento comunal dos próprios judeus. Isso pode ser considerado como a primeira perversão do capitalismo e a primeira verdadeira exploração (desmedido ou injusto emprego de trabalhadores por nenhuma razão senão a tacanhice) da classe mesteiral dentro desse sistema.

Mais uma vez, opondo-nos ao relativismo historicista, podemos demonstrar o padrão corrompedor que apresenta o comportamento judeu no capitalismo pela observação de condições análogas na modernidade. Por exemplo, o sistema da  arenda, do final do século XIX e começo do século XX na Europa Oriental (especialmente na Polônia, Ucrânia e Romênia), era bastante semelhante ao sistema feudal na Europa Ocidental mediévica.

O sistema da arenda podia ser considerado amplamente harmonioso até a chegada massiva dos judeus arendasi [arrendadores] durante os séculos XVI e XVII, quando esses judeus foram se impondo como cobradores de impostos, agentes imobiliários, despachantes alfandegários e agiotas. O monopólio judaico nessas atividades levou à rápida mercantilização da terra e à expansão do grande capital, processos pelos quais os judeus esperavam beneficiar exclusivamente a própria comunidade. Como a existência das comunidades judias em sua totalidade dependesse do capitalismo parasitário, os judeus disputavam com unhas e dentes o monopólio de setores mais importantes. Por example, o Va’ad Medinat Lita (Conselho Judaico da Lituânia) por duas vezes aprovou resolução defendendo a permanência da concessão dos serviços de alfândega e arrecadação para os judeus, afirmando que “Nós já percebemos claramente o grande perigo que surge quando a administração da alfândega e a cobrança de taxas ficam nas mãos dos gentios; porque a alfândega em mãos judias é o pivô em torno do qual tudo (no comércio) gira, por isso os judeus devem estar no controle”.

O mais notável nisso aí é que a alta posição dos judeus na hierarquia social não se fez acompanhar de nenhum tipo de paternalismo. Em verdade, ao longo da história, os judeus notabilizaram-se por comportamentos de hostilidade e parasitismo quase inacreditáveis para com os europeus não pertencentes à elite.  Philip Eidelberg, historiador da Grande Revolta Camponesa da Romênia de 1907, descreve como os judeus arendasi “exploravam as propriedades muito mais ferinamente do que os arendasi nativos da Romênia”. Ele explica ainda que os judeus não estavam interessados no desenvolvimento das propriedades ou na satisfação dos trabalhadores em longo prazo, antes buscavam, com frequência, encarecer ao máximo as locações, a ponto de quase inviabilizar as quintas, “mesmo sob o risco de eventualmente esgotar a terra e estragar os equipamentos”.[21] Na Romênia, os judeus desfrutavam dos monopólios, e Eidelberg demonstrou que os banqueiros judeus recusavam-se a emprestar dinheiro para qualquer goim (não judeu) interessado em se estabelecer como prestamista no mercado financial.[22] Destarte, os judeus reservavam a ganhuça apenas para si mesmos, sempre estreitando o garrote vil no campesinato europeu. Eidelberg escreve que “O resultado da extorsão financeira judaica foi que o camponês era sempre o perdedor. Na verdade, essa competição restrita entre duas das maiores famílias de judeus arendasi — os Fischers e os Justers — acabaria por favorecer que a revolta rebentasse em 1907”.[23]

Os judeus, é claro, continuam a desempenhar papéis destacados no que há de pior e mais parasitário no capitalismo. Os judeus também seguem adquirindo terra com intenção parasitária, exemplo mais interessante disso sendo as atividades argentinas do oligarca judeu-britânico Joe Lewis, sonegador fiscal e especulador financeiro que abiscoitou bilhões com George Soros quando ambos jogaram com a baixa da libra esterlina em 1992. Como explica um analista, “A aposta de Soros e Lewis contra a libra foi o que realmente levou essa moeda ao desastre, depois de Soros haver ordenado aos jogadores de seu fundo para “sangrar a jugular”, agressivamente operando contra a libra, e disso decorreu a forte desvalorização da moeda. Apesar de Soros ter ficado conhecido como “o homem que quebrou o Banco da Inglaterra”, em razão da ganhança bilionária naquela fatídica manobra, Lewis ganhou ainda mais dinheiro do que Soros”. Enquanto esses judeus acumulavam bilhões, os britânicos amargavam a recessão econômica que rapidamente se instaurou. Lewis nem estava aí para isso. Ele repetiu a operação no México, causando a crise mexicana do peso, que “disparou a pobreza, o desemprego e a desigualdade no México, deixando seu governo refém do Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo empréstimo conseguido sob os auspícios do então presidente Bill Clinton.”

Nababescamente enriquecidos no jogo parasitário da especulação financeira, oligarcas judeus como Soros e Lewis, ao lado de seus patrícios e grandes capitalistas Eduardo Elsztain e Marcelo Mindlin, começaram a comprar grandes fazendas na Argentina, principalmente na Patagônia, onde assumiram os bancos locais, as águas, o óleo, o gás e a maior empresa de energia elétrica da região. Depois de comprar dezenas de milhares de hectares, Lewis manifestou o desejo de fundar “o seu próprio Estado na Patagônia”. Alguns moradores locais quiseram vender suas terras. Mas um dos moradores, Irineo Montero, não quis. Ele, sua mulher María Ortiz e o empregado José Matamala foram encontrados mortos sob circunstâncias misteriosas. Lewis então conseguiu completar a consolidação das terras, pavimentando o caminho para a formação de um enclave sionista, o qual explora a população da região de forma tal que massivos protestos (“Marcha pela Soberania”) são organizados contra essa nova classe dominante judaica, dos quais participa 80% da população local. Segundo o jornalista francês Thierry Meyssan, ex-agente da inteligência francesa, Lewis é muito mais obsequioso para com os seus pares judeus e tem convidado milhares de soldados de Israel ao seu território a cada ano. No final de 2017, o ex-agente Thierry Meyssan declarou: “Desde a Guerra das Malvinas, o exército de Israel vem organizando ‘colônias de férias’ na Patagônia para os seus soldados. De 8 mil a 10 mil militares judeus gozam duas semanas de férias todo ano nas terras de Joe Lewis”.

O que se mostra patente aqui é um exemplo muito moderno do milenar padrão comportamental judeu de promover operações de larga escala para extrair as riquezas de uma nação e explorar o seu povo. Devemos fazer a Slavoj Zizek a seguinte pergunta, com toda a franqueza: o grande capital e todo o estabilismo da classe dominante não foram e não continuam sendo judaicos em grande parte?

VI. Kevin MacDonald segundo Zizek

Uma possível explicação para a ignorância de Zizek sobre o antissemitismo, tirante a cegueira de seu fanatismo ideológico, é a extrema falta de leituras sérias sobre o assunto, valendo a mesma explicação para o finado Jean-Paul Sartre e intelectuais marxistas de forma geral. Em relação a essa questão, é interessante dar uma olhada no tratamento que Zizek dispensa ao trabalho de Kevin MacDonald. Em 2014, Zizek publicou um texto em que faz menções a Kevin MacDonald, considerando-o “proponente de novo barbarismo” e, antes disso, indelicadamente, comentando Cultura da crítica, disse que “o mais importante é saber que esse novo barbarismo consiste num fenômeno estritamente pós-moderno, trata-se do avesso do que seria uma atitude altamente reflexiva e autoirônica — ainda que, lendo autores como MacDonald, o leitor fique sem saber se o que lê é sátira ou alguma ‘séria’ argumentação”. Em outras palavras, Zizek não tem nenhum argumento substantivo. Entretanto, como depois reportaram revistas tais quais Newsweek, Inside HigherEd e outras organizações da mídia de referência, tinha ficado claro que Zizek não só não lera Kevin MacDonald como também tinha simplesmente plagiado o sumário de Cultura da crítica de uma resenha publicada na American Renaissance. O plágio de Zizek foi primeiramente suspeitado quando Steve Sailer, num texto para The Unz Review, referiu que Zizek “alcançou alto grau de clareza na exposição de MacDonald que nunca antes vi em tudo o que li dele”. Coube ao editor de uma ciberteca quase desconhecida descobrir que o “alto grau de clareza” era resultado de uma cópia que Zizek fizera, quase ípsis-lítteris, da resenha de um livro de MacDonald por parte de Stanley Hornbeck, a qual saiu na edição de março de 1999 da The American Renaissance. Apanhado em flagrante, Zizek saiu-se com uma esfarrapada desculpa, até reconhecer que não tinha lido o trabalho de MacDonald, e que a ideia de incluir MacDonald em seu trabalho surgiu quando “um amigo me falou das teorias de Kevin MacDonald, então pedi a ele para me mandar um resumo delas”. E assim, com base em alguns comentários de um compadre e numa rápida síntese, foi que Slavoj Zizek, tido como superastro acadêmico, houve por bem condenar Kevin MacDonald, um professor titular e autor de livros muito bem referenciados sobre os judeus e a história judaica, como “proponente de um novo barbarismo”. Zizek tem razão: existe uma sátira nisso aí, mas o satirista não é Kevin MacDonald.

VII. Conclusão: o antissemitismo é uma “ideologia”?

Marx and Engels, no seu famoso conceito de ideologia, que Slavoj Zizek deve conhecer muito bem, explicam que a ideologia tem origem na superestrutura da sociedade (ou seja, nas ideias predominantes difundidas pela classe dominante).  Já deveria estar claro, a esta altura, que o antissemitismo dificilmente pode hoje ser considerado parte da infraestrutura, porquanto nenhum intelectual da classe dominante defende ideias antissemíticas de qualquer tipo. Nessa categoria incluem-se Slavoj Zizek e Jordan Peterson, figuras situadas em lados diametralmente opostos quanto à ideologia, à política e à visão econômica, mas ambos têm em comum posições quase idênticas em relação aos judeus e ao antissemitismo. Em verdade, o antissemitismo pode ser singularmente pensado como alguma coisa que permanece fora da superestrutura, preconizado por intelectuais orgânicos e ativistas que restam como os últimos vestígios de uma forma orgânica de sociedade submetida à perversão e à exploração ao longo de muitos séculos. Enquanto expressão pensamental e política da reação defensiva da sociedade orgânica, o antissemitismo assoma de seu longo passado ainda como a crítica mais radical, coerente e perigosa da ordem social estabelecida. O antissemitismo é a última, e única, ideia verdadeiramente revolucionária de nosso tempo.

Se nas ideias de Slavoj Zizek existir alguma coisa que preste, poderá talvez estar, ironicamente, na analogia do marido desconfiado. Voltando ao caso do corno manso leninista, recordo o pensamento de que “Aquilo não reclamado como só nosso, deixa de ser nosso”. A figura patética que se sentou à mesa diante de mim não perdeu sua mulher quando ela foi para a Noruega — ele a perdeu quando renunciou a seus interesses, deixando aberta a porta por onde, no final das contas, ela passaria. Nós devemos zelosamente proteger nossos interesses, nossas famílias e nossa terra. Contra competidores. Contra exploradores. Contra judeus. O que temos, nós mantemos.

Fonte: The Occidental Observer. Autor: Andrews Joyce. Título original:Slavoj Žižek’s “Pervert’s Guide” to anti-Semitism. Data de publicação: 20 de novembro de 2019. Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.

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[1] Aqui, particularmente, causa preocupação que Zizek defenda a tese de que “A verdade não é defesa”, um princípio vigente na legislação censora da livre expressão no Canadá e no Reino Unido.

[2] PENSLAR, D. (ed.). Contemporary anti-semitism: Canada and the World. Toronto: University of Toronto Press, 2005. p. 3.

[3] HERF, J. (ed.). Anti-semitism and anti-zionism in historical perspective: convergence and divergence. Routledge, 2007. p. 11.

[4] MACDONALD, Kevin. The culture of critique: an evolutionary analysis of jewish involvement in twentieth-century intellectual and political movements. 1St Books, 2002. p. 449 (nota 120).

[5] Ibidem.

[6] Ibidem.

[7] DINER, H. In the Almost Promised Land: American Jews and Blacks, 1915-1935. The John Hopkins University Press, 1995. p. 123.

[8] MELADMED, A. Image of the Black in Jewish Culture: A History of the Other. RoutledgeCurzon, 2001. p. 114.

[9] LANGMUIR, G. History, Religion and Antisemitism. Los Angeles: University of California Press, 1990. p. 15.

[10] Ibidem, p. 13.

[11] Ibidem, p. 275.

[12] Ibidem, p.19,67.

[13] Ibidem, 275.

[14] Ibidem, 15.

[15] Cf. JOHNSON, P. A History of the Jews. 1987. p. 205.

[16] HILTON, R. H.; HILL, C. The Transition from Feudalism to Capitalism.   Science & Society, Vol. 17, No. 4, p. 340-351. (Fall, 1953).

[17] JULIUS, A. Trials of the Diaspora. p. 401.

[18] Para uma excelente síntese sobre esse processo no feudalismo, cf. R. Allen BROWN, Origins of English Feudalism. Nova Iorque: Barnes and Noble Books, 1973.

[19] Ibidem.

[20] McCLEARY, M. (Ed.). The Oxford Handbook of the Economics of Religion. Oxford: Oxford University Press, 2011. p. 68.

[21] EIDELBERG, P. G. The Great Rumanian Peasant Revolt of 1907: Origins of a Modern Jacquerie. p. 39.

[22] Ibidem, p. 120.

[23] Ibidem, p. 39.

 

 

 

“A necessidade do antissemitismo”

 Um abismo sempre existiu entre europeus e semitas, desde quando Tácito reclamou do “odium generis humani”.
(Heinrich von TREITSCHKE)

Em 1989, o roteirista e jornalista judeu Frederic Raphael foi convidado a proferir palestra no Instituto Parkes de Pesquisa das Relações entre Judeus e Não Judeus, pertencente à Universidade de Southampton, por ocasião do 25º aniversário desse Instituto. Fundado pelo pastor Dr James Parkes (1896–1981), um neurótico ministro da Igreja Anglicana que dedicou sua vida a promover o filossemitismo no seio da Cristandade e narrativas autoinculpantes entre os cristãos (em 1935 ele era celebrado pelos judeus e sofreu tentativa de assassinato da parte dos nacional-socialistas), o tal Instituto logo se converteu num centro de propaganda judaica disfarçado de instituição acadêmica. Em vez de oferecer análises objetivas sobre as relações de judeus com não judeus, o dito Instituto fomentava as manjadas narrativas de que os judeus eram vítimas inocentes do catastrófico e completamente irracional ódio europeu. Raphael, sentindo-se honrado como orador na comemoração dos 25 anos do projeto, houve por bem apelar à provocação e ao sarcasmo nesse evento. Assim, ele escolheu a frase “A necessidade do antissemitismo” como título do seu discurso.  “Poderia ser o título de um livro”, disse Raphael, “e esse livro poderia estar na biblioteca do Instituto Parkes, a não ser pelo fato de que tal livro nunca foi escrito, não existe”, completou ele.

Na tortuosa exposição que se seguiu, Raphael falou dos supostos conteúdos desse livro imaginário, sugerindo seus potenciais argumentos e o que eles revelariam sobre seu autor e sobre a cultura europeia. Confirmando a opinião de todos os presentes, Raphael disse estar certo de que esse livro espectral e perturbador, embora não existisse, seria produto assombroso que não estaria fora de lugar num continente onde o antissemitismo era “premissa permanente e fundamental da tenebrosa e irregenerada lógica da Europa”.[1] Para Raphael e sua presunçosa audiência, A necessidade do antissemitismo serviria apenas de justificação para a cabeça doente do europeu. O antissemitismo seria então, de fato, extremamente ilógico e, num sentido moral, completamente desnecessário.

Desde que li o discurso de Raphael vários anos atrás, A necessidade do antissemitismo também me deixou assombrado num certo sentido. Não existe livro que corresponda a esse título, conforme dissemos. Entretanto, milhares de tratados, panfletos e livros com esse mesmo teor terão sido escritos sobre a Questão Judia por autores europeus ao longo de muitos séculos. Nessa literatura  de apologia antissemítica, A necessidade do antissemitismo estará presente nas várias modalidades de diferentes perspectivas religiosas, políticas e sociais.  Mas como seria o livro se de fato fosse escrito hoje? Como poderia um autor tratar dos vários aspectos da Questão Judia num único volume? No ensaio que se segue, em parte literário, em parte historiográfico, eu quero que nos juntemos a Raphael na suposição de que o livro fantasmal exista realmente, embora nós o vejamos de um ponto de vista contrário.

Eu imagino que nosso autor faça a introdução do seu volume explanando em termos gerais A necessidade do antissemitismo, apontando a presença dos judeus e de sua influência nas quatro culturas fundamentais que levaram ao declínio branco. Nomeadamente: a cultura da crítica, a cultura da tolerância, a cultura da esterilidade e a cultura da usura.

A cultura da crítica

O capítulo intitulado “A cultura da crítica” é uma piscadela dada a Kevin MacDonald e, também, uma ampliação do trabalho dele. Começando esse capítulo, nosso autor recordaria a famosa observação do historiador judeu Louis Namier (1888-1960), quando lhe perguntaram por que ele não se ocupava da história judaica: “Os judeus não têm uma história, eles têm um martirológio”. Este martirológio é o que jaz no coração da cultura da crítica. Enquanto quase toda nação tem uma história objetiva sob muitos aspectos, só os judeus possuem uma simples semi-história eivada de míticos e esotéricos autoenganos que dão permissão psicológica para os comportamentos sociais mais tribais e subversivos e para as atitudes mais hostis para com outros povos. A cultura da crítica, uma espécie de vingança cultural inspirada no martirológio judaico, é a mais clara expressão da corrosiva natureza das desastrosas relações de judeus com não judeus, as quais o reverendo James Parkes pranteia em desgraçado engano.

Na cabeça do judeu, a corrosiva natureza de sua interação com os povos europeus sempre foi pensada como algo de aspecto heroico. Uma farsa é representada para os próprios judeus, assim como para nós, de sorte que vejamos nessa interação um excepcional e virtuoso questionamento da parte de críticos infiltrados, como de outros do lado de fora, unicamente posicionados para cumprir a providencial finalidade de denunciar as mazelas da cultura ocidental. Os judeus acreditam possuir especiais talentos quanto a isso — talvez possuam mesmo, em certo sentido perverso — mas em todo caso, na grande dissimulação deles, eles estão nos dissolvendo “para o nosso próprio bem”. David Dresser and Lester Friedman, acadêmicos judeus da mídia, argumentam que os cineastas judeus possuem uma singular e indefectível objetividade, a qual atribuem ao seu judaísmo. Eles escrevem que “A marginalidade dos artistas judeus dá-lhes um ponto de vista privilegiado que outros pensadores criativos mais culturalmente integrados não têm”.[2] Isso bate muito bem com o que disse um escritor no Times of Israel, ao comentar as atividades de um político judeu chamado Alan Shatter, que destruiu as bases jurídicas da família na Irlanda, dando conta de que “o judaísmo de Shatter era uma vantagem, pois o libertava do fardo cultural que pesava sobre os seus homólogos católicos”. Exatamente como a Escola de Francforte, esses heróis culturais conhecem-nos melhor do que nós mesmos, o que torna possível que nos ajudem a perceber o quanto nós somos irracionais, malignos, preconceituosos e necessitados da redenção judaica. Nós estamos sempre sendo advertidos pelos nossos tutores judeus de que os ensinamentos que eles nos ministram servem ao próprio bem do Ocidente. Eles nos libertam de nossa “bagagem”.

Na realidade, o que eles querem com tudo isso é a nossa destruição. A Crítica, a que faltam objetivos coerentes para além da vontade de corromper, não termina nunca. Ela está sempre a procura de novas e puras feições da cultura ocidental para cobrir de lama. O “Discurso do rabino”, uma passagem do romance de Hermann Goedsche intitulado Biarritz, publicado em 1868, é uma obra de ficção, mas muitos fatos e instintos inspiraram seu autor. Numa noite, no cemitério dos judeus de Praga, o rabino de Goedsche dirige uma reunião secreta com os chefes das treze tribos de Israel. Ali ele fez a promessa seguinte: “Nós haveremos de extirpar todas as crenças, toda a fé em tudo o que os nossos inimigos cristãos  respeitaram e veneraram até hoje, nós usaremos o encanto das paixões como arma na guerra aberta que moveremos contra tudo o que até hoje mereceu respeito e veneração”.

O espírito da coisa é esse mesmo, mas nem tudo se passa conforme a sugestão de Goedsche. Não há reuniões clandestinas em cemitérios à meia-noite ou encontros dos sábios de Sião, o que existe, em vez disso, é um instinto coletivo que defende com ânimo cáustico interesses compartilhados. E, na realidade, a cultura da crítica não corresponde a declaração de guerra aberta, senão a trabalho de sapa acobertado pelo disfarce da amizade, da medicina, da libertação. [Franz] Boas minou a confiança na cultura ocidental, enquanto alegava que libertava os ocidentais dos erros e fardos do chovinismo. Freud perverteu tudo o que era sagrado em relação ao sexo e ao casamento, chamando o que fez de “terapia”. Marx chamou os trabalhadores do mundo a que se unissem e conseguiu mesmo uni-los — nas filas de comida, nos gulagues e nas fossas coletivas da Ucrânia, onde morriam à míngua. A guerra foi fragorosa e sanguinariamente travada, mas silenciosa e subversivamente declarada.

Na verdade a guerra não terminou ainda, mesmo que eles já tenham derrubado “tudo o que as pessoas respeitam e veneram”. As igrejas estão infiltradas, foram completamente derrotadas e são ridicularizadas e desprezadas. A história da Cristandade foi colocada no moedor de carne que é o aparato intelectual judaico e dessa máquina ela emerge hoje como uma novela sinistra de perseguição e escravismo. Concha esvaziada de sua pérola, a Igreja agora guarda apenas a tolerância ilimitada. Nem as maiores figuras históricas do Ocidente, mesmo quando avessas à religião, sobreviveram à cultura da crítica. E quando, no apanágio de sua perspicácia, os nossos tutores judeus se cansam de bostejar reputações, eles usam os procuradores de sua etnia e começam a derrubar estátuas, remover nomes e queimar retratos. Nenhum aspecto da cultura ocidental quiseram deixar de pé. Sua ciência, sua filosofia e seus sistemas morais foram vilipendiados, ridicularizados e furiosamente atacados; cada soneto, cada concerto ou avanço tecnológico terá servido — de forma meio obscura, mas decisiva — para a instalação de campos de concentração da Segunda Guerra na Polônia, e dizem com ar de seriedade que nesses lugares os passarinhos não cantam até hoje.

Entretanto, visitei o que restou de um desses campos e, ao contrário do que dizem, os passarinhos cantavam, sim. Não há mistério nenhum lá. A vida continua. As crianças que as escolas mandam para lá riam e rabiscavam velhas portas e camas-beliches, enquanto os adultos mostravam preocupação com a possibilidade de estarem sendo observados, procurando parecer solenes e comovidos em sua frieza e sem-graceira.

Nosso autor teria concordado conosco, indicando no livro A necessidade do antissemitismo que as histórias de campos de concentração são a joia da coroa do martirológio judaico e até mesmo o mecanismo da mais avançada forma da cultura da crítica. Passados quase 55 anos desde que foi escrito, o livro de Jerzy Kosiński intitulado O pássaro pintado volta a ser notícia. Trata-se de suas memórias do tempo da Guerra e desses famosos campos da Polônia. O livro está repleto de estupros de crianças, zoofilia e descrições de extrema violência, como a de olhos humanos que são arrancados para alimentar gatos. Na verdade, a obra é uma grande fraude, já bem desmascarada, um alucinado pastiche das fantasias psicossexuais do próprio Kosiński. Mas nada disso impediu que desse livro fizessem um filme bastante elogiado pelos críticos, mesmo que as pessoas vomitassem vendo as cenas, passassem mal e fossem embora dos cinemas. Possivelmente agora, quando prevalece a cultura da crítica, muitos brancos sintam-se agradecidos por terem sido advertidos de quão malvados eles foram em relação aos judeus, aceitando cada condenação como a dose de um remédio. Joanna Siedlecka, jornalista e biógrafa de autores, estudou a vida de Kosiński, tendo chegado à conclusão de que “[O pássaro pintado] não tem nada a ver com a verdadeira infância de Kosiński; ele inventou aqueles horrores, tendo ele mesmo estado muito bem, enquanto os campônios se arriscavam para homiziar toda a família dele. […] Kosiński ainda é tratado como uma vítima, mesmo que agora saibamos muito mais sobre sua biografia. Sabemos, por exemplo, que os poloneses não o torturaram.”

Em A necessidade do antissemitismo, nosso autor escreveria que o exemplo de Kosiński e os judeus corresponde perfeitamente à relação histórica de judeus com europeus. Alguém que estudasse a história desses dois povos poderia tentar mostrar a realidade da situação e, ainda assim, o judeu “continuaria a ser tratado como vítima”. E esta “vítima” arroga-se a condição de árbitro moral e crítico superior a tudo e todos. Armados com o pastiche histórico sadomasoquista bem próprio deles, os ativistas judeus já passaram da crítica à ação para finalmente vencer a guerra racial. Eles negam isso, dizendo que se trata de pérfida teoria conspiratória. Mas, na realidade, eles fazem lembrar aquela história do irlandês que nega ter roubado um balde, acrescentando a injuriosa crítica de que, de qualquer forma, o balde estava furado. Os judeus negam veementemente que tenham alguma coisa a ver com a decadência da cultura ocidental, acrescentando a injuriosa crítica de que, de qualquer forma, a cultura ocidental é podre, doente, racista, intolerante e irracional. Ao negar sua responsabilidade, os judeus acabam por admiti-la. Essa é a essência da cultura da crítica.

A cultura da tolerância

Este capítulo do livro pode começar com a observação de que a cultura da tolerância é filha da cultura da crítica. Quando é que o judeu começou a convocar os brancos para a autoextinção em seus próprios países? Nosso autor pode responder dizendo que a chamada para a morte começou quando foi da primeira penetração judaica na cultura europeia — não penetração no território europeu, mas na cultura europeia. Não foi Moses Mendelssohn (1729–1786) celebrado como o primeiro judeu “assimilado”, o primeiro verdadeiro intelectual judeu a desejar ser “parte da cultura germânica”, o primeiro a pregar pela “tolerância”? Ora, para onde é que Mendelssohn, o primeiro “alemão de fé judaica”, queria realmente conduzir os europeus? Não há dúvida quanto a isso, a resposta está nos registros históricos. Ele, sequiosa e descaradamente, perguntava: “Por quanto mais tempo, por quantos milênios a mais, deverá existir essa distinção entre os nativos de uma terra e os estrangeiros? Não seria melhor para a humanidade e a cultura que fosse obliterada tal distinção?” [3][grifo nosso].

Aí está: a primeira intrusão judaica na cultura ocidental consistiu num chamado pela abolição das fronteiras, pela migração e pelo direito de ocupação reconhecido a estrangeiros.

Desde o seu começo, o ativismo judaico na cultura ocidental buscou solapar a posição dos donos da terra e promover a “tolerância”, conforme convinha aos judeus. Considera-se que a obra de Mendelssohn intitulada Sobre o melhoramento civil dos judeus, de 1781, deu significativa contribuição para a ascensão inicial da “tolerância” na cultura ocidental. Entretanto, a palavra “Tolerância” tem certa acepção que a propaganda esconde. No campo semântico da medicina, essa curiosa palavra significa “O estado imunológico caracterizado pela ausência de resposta a toxina específica ou substância estranha que induz uma imunorreação no organismo, especialmente a produção de anticorpos.”

Não seria isso exatamente o que Mendelssohn preconizou quase 250 anos atrás, ou seja, que os donos da terra sofressem de imunodepressão, que ficassem sem defesa imunológica, mesmo quando toxinas se infiltrassem em seu corpo? Devemos perguntar como a tolerância acabou sendo considerada uma virtude. A resposta é a seguinte: a tolerância tornou-se virtude por força da intrusão judia na cultura ocidental.

Agora a cultura da tolerância já conta mais que dois séculos. Ela amadureceu lentamente, mas não há dúvida de que já chegou à maioridade. O trabalho de Kevin MacDonald demonstrou cabalmente que grupos organizados de judeus financiaram e realizaram a maioria dos trabalhos destinados a derrubar a lei americana da imigração de 1924, que finalmente caiu em 1965. Brenton Sanderson também revelou que os movimentos intelectuais e os ativismos etnopolíticos judeus foram a razão principal para o encerramento da política da Austrália branca — uma mudança política a que se opunha a vasta maioria da população australiana. Eu tenho escrito sobre quão conspícua foi a participação judia nas dramáticas mudanças das leis britânicas sobre cidadania, raça e censura desde 1950 até 1990. Um ministro da Justiça judeu mudou o processo de naturalização de estrangeiros na Irlanda, escancarando o país para africanos e paquistaneses. Atualmente os judeus dominam as ongues por trás das migrações de massa, comprovadamente detendo cargos executivos nas entidades seguintes: International Rescue Committee, International Refugee Assistance Project, American Civil Liberties Union (ACLU), National Immigration Justice Center, Equal Justice Works, The Immigrant Defense Project, National Immigration Law Center, Lawyer’s Committee for Civil Rights Under the Law, Northwest Immigrants Rights Project, the Asylum Advocacy Project, Refugee Council USA, the New York Civil Liberties Union, American Immigration Council, The Immigrant Learning Center, the Open Avenues Foundation, the Political Asylum/Immigration Representation (PAIR) Project, Central American Legal Assistance, Halifax Refugee Clinic e a UK Refugee Law Initiative. Aliás, o conselheiro de política para a imigração da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos não é um católico, mas uma mulher judia.

A emigração de massa do Terceiro Mundo para o Ocidente, para a Europa, especialmente, resulta de um projeto judeu. Este projeto é administrado por judeus, promovido por judeus, explicado e justificado por judeus. Ele tem por causa a necessidade judia — tão antiga quanto o livro de Mendelssohn, se não mais antiga — de defraudar os donos da terra e entregar o solo a estrangeiros em nome de tolerância.

Tal qual fizeram com a cultura da crítica, os judeus oferecem-nos a cultura da tolerância como se por gesto de amizade. Com largos sorrisos e verbosidade melíflua, eles garantem que estaríamos perdidos se não eliminássemos “a distinção entre os donos da terra e os estrangeiros”. Afinal de contas, não é que, felizmente, fomos admoestados sobre o desvalor, a imoralidade, o chovinismo, a corrupção, a falsidade de nossa cultura? Por que não importarmos novas e mais vibrantes culturas? Assim nós poderíamos viver uma vida mais excitante e, melhor ainda, provaríamos que somos moralmente dignos da aceitação por parte dos nossos amigos judeus, os inocentes mártires da humanidade. E devemos acatar as advertências deles, porque o que dizem faz todo o sentido. Afinal de contas, nós precisamos dos desempregados africanos para pagar nossas pensões, precisamos dos terroristas islâmicos para cuidar das nossas populações envelhecidas, precisamos de milhões de imigrantes a mais para resolver o nosso problema de falta de moradia. Nós precisamos de uma maré de trabalho barato para aumentar os nossos salários. Nós precisamos de gente despreparada nos hospitais para fazer cirurgias, recuperar nossa saúde e cometer crimes sexuais. Nós precisamos tolerar a burca para demonstrar quão profundo é o feminismo da nossa sociedade. Nós precisamos expressar o nosso patriotismo, negando que existamos como um povo. Nós precisamos de mais mordaças na lei para garantir o direito à livre expressão. E, mais importante do que tudo, nós precisamos combater o racismo na nossa sociedade para levar a raça branca à extinção em todo lugar.

Nossos prestimosos amigos valem-se de meios diversos para nos passar esse tipo de “orientação”. Na sua “generosidade”, eles lançam sobre nós um bombardeio de lixo televisivo, retratando o multiculturalismo assim como ele não é na realidade. A mágica cinematográfica judaica é uma forma de alquimia cultural. A criminalidade e a hipossuficiência acadêmica dos negros são levadas ao laboratório de Hollywood e, então, assaltantes e estupradores transformam-se em personagens da elite intelectual sob assédio amoroso de ninfas loiras. Alternativamente, Hollywood toma a estabilidade e a tranquilidade das famílias da classe média branca e, então, seus lares demudam-se num antro claustrofóbico de neurose, intolerância e repressão.

Quando num estado de espírito menos generoso, nossos amigos judeus arrogam-se o direito de manipular o currículo escolar de nossos filhos; mas, quando contrariados, ficam furiosos, então cassam o direito à liberdade de expressão e mandam desafetos para a cadeia. Por outro lado, se alguém tentar coibir alguma prática cultural judia, proscrevendo, por exemplo, o rito tribal da circuncisão, eles revidam com algumas das outras armas de sua panóplia: a chantagem, a calúnia, a implacável guerra econômica, conforme ficou demonstrado quando a soberana nação da Islândia sofreu ameaças da ADL. Isso que se passou na Islândia lembra-nos da história do irlandês e do balde. Os judeus negam que tenham influência excessiva, mas acrescentam que, se nalgum país alguém repetir a acusação, o exclusivo clube dos judeus em Nova Iorque deixará esse país de joelhos diante deles.

Embora a cultura da tolerância siga fazendo as cabeças com força total, os judeus ainda não conseguiram resolver o problema de como evitar que crianças brancas continuem a nascer. Nesta altura nosso autor começaria o terceiro capítulo de seu livro.

A cultura da esterilidade

Em toda parte os judeus estão por trás da cultura da esterilidade. Esta é uma expressão adequada para designar o que eminentes estudiosos referem como o “rápido declínio” da natalidade na maioria dos países europeus.[4] Nosso autor iria inicialmente citar o fato de que o contraceptivo oral foi criado pelo judeu Gregory Goodwin Pincus, mas na realidade os judeus de muitos países do Ocidente foram os “pioneiros da indústria clandestina de contraceptivos”, no dizer do historiador judeu Howard Sachar.[5] Por algum plano, coordenação ou simples instinto, os judeus concentraram-se em áreas hostis à natalidade dos brancos, como a contracepção, o aborto, as leis do divórcio, a promoção da pornografia, a homossexualidade, a confusão de gêneros, a promiscuidade.

De acordo com certo estudioso, a relação daqueles na vanguarda das clínicas de aborto, da literatura de prevenção da gravidez para casais, das medidas políticas de controle da natalidade nos Estados Unidos inclui os nomes seguintes: “Anna Samuelson no Bronx; Olga Ginzburg e Rachelle Yarros em Chicago; Sarah Marcus em Cleveland; Nadine Kavinoky e Rochelle Seletz em Los Angeles; Esther Cohen e Golda Nobel na Philadelphia; Hannah Stone, Marie Warner, Cheri Appel, Anna Spielgeman, Naomi Yarmolinsky e Bessie Moses em Baltimore; Elizabeth Kleinman em Boston; Lena Levine em Nova Iorque, Hannah Seitzwick-Robbins em Trento; e Lucile Lord-Heinstein em Massachusetts”.[6] Todas essas mulheres eram judias. Hannah Stone foi especialmente influente, trabalhando em ligação com [Margaret] Sanger, escreveu textos importantes sobre planejamento familiar, como Contraceptive methods of choice (1926), Therapeutic contraception (1928), Contraception and mental hygiene (1933), e Birth control: a practical survey (1937).

Desde 1920 até 1940, Margaret Sanger emprestou sua face de não judia para os movimentos em favor do aborto e da contracepção em Nova Iorque, tendo como seu principal advogado o judeu Morris Ernst. E quando Sanger decidiu patrocinar a legislação federal de controle da natalidade, ela escreveu ao rabino Stephen Wise, em 1931, solicitando a ele que se valesse da influência política judia e de sua própria lista bem extensa de contatos políticos para ajudá-la nesse intento, ao que o rabino respondeu alegremente, prontificando-se para dar conta da honrosa incumbência.[7] Sanger, é claro, casar-se-ia com um judeu e, segundo seu biógrafo, “encerrou-se em círculo de colegas e amigos judeus”.[8] 

Com efeito, a influência judia liga-se tão estreitamente às origens do aborto nos Estados Unidos que o historiador Daniel K. Williams caracterizou o debate sobre o aborto na década a partir de 1930 como um conflito religioso, observando que  “Quase todos os médicos que argumentavam contra o aborto eram católicos, enquanto os outros que arrazoavam sua legalização eram quase todos judeus”. [9] Williams refere ainda o fato de que “Os rabinos do judaísmo reformista foram os primeiros capitães do movimento a favor da lei de liberação do aborto”.[10] A ligação entre organizações judias e outras partes ainda mais sórdidas do submundo da profissão médica — nas quais, aliás, os judeus eram dominantes — tornou-se meridianamente clara durante as investigações de abortos ilegais em Nova Iorque, nas duas décadas desde 1940, conforme o historiador Leslie J. Reagan.[11] Quando Pincus criou a sua pílula, ele sabia que a sociedade poderia associar o antinatalismo ao ativismo judeu. Então, a fim de evitar o perigo do “estigma antissemita”, ele escolheu John Rock, que era católico, para desenvolver um regime anticoncepcional para a mulher, poupando desse encargo os judeus Abraham Stone e Alan Guttmacher, seus colegas de longa data e chefes do movimento antinatalista.[12]

Situações análogas ocorreram em todas as outras nações ocidentais. Alan Shatter decerto atuou como chefe da propaganda do anticoncepcionismo na Irlanda dos anos setentas, mas um século antes das ações de Shatter um membro do clero irlandês reportava o seguinte:

Um judeu chegou de caminhão à cidade […] e ele começou a vender instrumentos abortivos disfarçados de porta-lápis. […] O prior foi informado do negócio ilícito. […] Ele avisou a polícia, que não pôde fazer nada. Então ele mesmo improvisou uma corte, que julgou o delinquente, aplicando-lhe multa de 10 libras. O judeu pagou a multa e escafedeu-se. [13]

Em Nova Iorque, judeus como Moses Jacobi e Morris Glattstine eram especialmente influentes e notórios no mercado clandestino das ferramentas abortivas, já por volta da década desde 1870.[14] Similarmente, no final do século XIX, “Os judeus estiveram entre os campeões da revolução anticoncepcionista no Sul da Alemanha”. [15] Neste país, durante o entreguerras, segundo o acadêmico Harriet Freidenreich, “As médicas judias tiveram participação muito importante na campanha em pró da legalização do aborto. […] Elas estavam sobrerrepresentadas  no movimento da reforma sexual, que promoveu a distribuição mais ampla de meios anticoncepcionais. Essas judias eram notórias na disseminação de dispositivos contraceptivos”. [16]

Na Polônia, durante a Segunda República [1918-1939], a precursora principal da educação sexual, da contracepção, da promoção da homossexualidade e do aborto era Irena Krzywicka (nascida Goldberg). Além de fundadora da Liga Reformy Obyczajów (Liga para a Reforma dos Costumes), Krzywicka era articulista do influente jornal Wiadomosci literackie (Notícias Literárias), no qual ela se batia pelo casamento civil, pelo divórcio e pela contracepção facilitados, pela “liberação sexual” feminina e pelo aborto.[17] Em Antisemitism and Its Opponents in Modern Poland, o historiador Robert Blobaum refere que a “imprensa antissemita” na Polônia estabeleceu a ligação entre os judeus e “a difusão da literatura anticoncepcionalista” e a pornografia, mas muito timidamente ele trata da carreira de Krzywicka ou de seus numerosos colegas judeus. [18] Ronald Modras observa que até os dirigentes não judeus do movimento polonês pela contracepção destacavam-se pelo seu “filossemitismo”. [19]

Na France, a principal entidade por detrás da legalização da contracepção e do aborto era a Choisir (Escolher), fundada pela advogada judia Gisèle Halimi, e a legislação correspondente foi finalmente aprovada quando era ministra da Saúde a judia Simone Veil (nascida Simone Jacob).[20] Nos Estados Unidos, é claro,  Roe v. Wade significou um produto do ativismo da National Association for the Repeal of Abortion Laws [Associação Nacional pela Revogação das Leis do Aborto], fundada pelo judeu Bernard Nathanson. Nathanson participou diretamente da militância pela legislação a favor do aborto, ao lado da feminista judia  Betty Friedan, até o momento quando, no final dos anos setentas, ele sofreu uma crise de consciência, que parece ter sido verdadeira mesmo, depois da qual ele se converteu ao catolicismo. Até então, ele, pessoalmente, tinha feito mais de 60 mil abortos, havendo depois explicado numa entrevista que “Nós éramos desonestos, vivíamos enganando pessoas, inventando estatísticas; nós cooptávamos a imprensa com adulações, agrados, mimos. […] Nós nos apresentávamos como defensores do aborto e do direito de escolha, mas a verdade é que nós gostávamos de abortar”. E com certeza os judeus gostam mesmo do aborto. De acordo com o Pew Research Center, os judeus apoiam o aborto muito mais do que qualquer outro grupo religioso nos Estados Unidos. Na realidade, os judeus gostam tanto de limitar a fertilidade de outras populações que em 2013 Israel reconheceu haver aplicado contraceptivos nos imigrantes que chegavam da Etiópia, sem o consentimento deles.

Nosso autor decerto trataria com mais vagar do assunto referente ao aborto e aos anticoncepcionais somente porque a predominante participação dos judeus nas outras áreas da cultura da esterilidade já está bem documentada. O envolvimento judaico na incipiente sexologia, mediante influentes figuras tais quais Albert Moll, Iwan Bloch, Magnus Hirschfeld, Albert Eulenberg, Hermann Joseph Lowenstein, Julius Wolf, Max Marcuse e Eduard Bernstein ligava-se sempre à pretendida necessidade da “tolerância” e do pluralismo social. O que na verdade eles fizeram foi promover toda sorte das mais aberrantes patologias sexuais, separando o sexo da reprodução, para atacar a coesão social. Hirschfeld, provavelmente quem lançou a propaganda do “Amor é amor”, “subverteu a noção de que o amor romântico deveria estar orientado para a reprodução”, defendendo, ao contrário, a aceitação dos modos de vida homossexuais e de relações sexuais hedonísticas e não reprodutivas em geral.[21]

Nesta altura vale ressaltar que os judeus não se concentraram na promoção da “tolerância” para homossexuais, unissexistas [no original:gender benders],feticidas [no original: abortion-seekers] e travestis por acreditarem autenticamente nos “direitos” e no “valor” desse tipo de gente. Antes, os judeus veem nessas pessoas os perfis que querem promover na sociedade inclusiva, generalizando sua influência, com o que ficaria facilitado seu trabalho de aliciar mais sujeitos para a cultura da tolerância. A sociedade nunca aceitou realmente a homossexualidade e o transgenerismo, mas o que aconteceu foi que a própria sociedade primeiramente tornou-se “homossexual” em algumas de suas características, antes que viesse a tolerar os que de fato eram homossexuais e transexuais. Enquanto o Ocidente foi progressivamente ficando sem crianças e mais promíscuo, mais hedonístico, mais iludido e cheio de si mesmo, a distância entre o normal e o anormal estreitou-se, então ficou parecendo que não havia razão para negar a “igualdade”. As sociedades preocupadas com a própria demografia sofrerão severas consequências por causa da homossexualidade e do aborto/infanticídio. O Ocidente, celebrando ambas as práticas, está com a sua demografia em queda livre, não tem consciência das seriíssimas ameaças à sua sobrevivência racial, e seus povos seguem aceitando uma cultura conducente a seu próprio suicídio demográfico. A homossexualidade nunca antes fora tão aceita. O aborto nunca foi tão fácil e desestigmado. E os brancos nunca como agora estiveram na iminência de deixar o palco da história.

A promiscuidade tomou o lugar do carrinho de bebê. Um rápido olhar para a atual geração dos brancos em idade reprodutiva suscita grave preocupação. As taxas de doenças sexuais nos Estados Unidos nunca foram tão altas. Segundo especialistas da área médica, o Reino Unido está a caminho de uma “crise na saúde sexual.” O mesmo fenômeno tem sido verificado na Austrália, no Canadá, na Irlanda, na  França e na Alemanha. Enquanto isso, o Gatestone Institute informa que:

O aborto assumiu recentemente proporções épicas em países como a Suécia e a França. Na França, são feitos 200 mil abortos por ano. Para efeito de comparação, o número de nascimento na França é de  750 mil por ano. A França, então, está abortando a cada ano 20% de seus bebês/fetos/embriões/aglomerados celulares — que o leitor escolha o termo de acordo com suas convicções pessoais.

Não são os muçulmanos na França que estão abortando seus bebês aos milhares e milhares, o que talvez explique a manifestação dos mafomistas diante do arcebispo de Estrasburgo, para quem eles disseram que “Um dia a França será nossa”.

No livro The Population Bomb (1968), o biólogo judeu Paul Ehrlich escreveu que o melhor método para a redução da população era a legalização do aborto. Isso sem considerar os efeitos do controle da natalidade e a mais geral cultura da esterilidade, que glorifica a pervertida, a vazia visão do “amor” sem filhos. Quando os europeus começaram a legalizar o controle da natalidade e o aborto, 40 anos atrás, alguns anos depois do caso Roe versus Wade (1973), a Igreja Católica alertou contra o perigo de a Europa vir a ser uma “civilização mórbida”. Foi isso mesmo o que aconteceu.

A cultura da usura

Num Ocidente entregue ao mais selvagem materialismo, pode ser difícil ter consciência da extensão da agiotagem judaica. Quando se fala dos agiotas judeus, a maioria das pessoas geralmente pensa na Idade Média. Mas a agiotagem judaica está viva e passa muito bem na modernidade, havendo muitos países na condição de devedores dos prestamistas judeus, que por sua vez repassam sua riqueza para organizações dedicadas à promoção das três outras culturas do declínio branco (Crítica, Tolerância, Esterilidade). Paul Singer, ligado a “fundos de investimento” judaicos, tem sido descrito pela Bloomberg como “o mais temido investidor do mundo”, mas na realidade ele é o mais medonho parasito dos endividados. A República Democrática do Congo deve a Singer e seus colegas judeus 90 milhões de dólares, o Panamá deve-lhes 57 milhões de dólares, o Peru deve-lhes 58 milhões de dólares e a Argentina deve-lhes 1,5 bilhão de dólares. Quando os pagamentos estiveram atrasados, Singer sequestrou e manteve em seu poder um navio da marinha argentina, e quando a Coreia do Sul lutou para evitar que ele controlasse a Samsung, o “abutre” levou o presidente sul-coreano  ao impedimento e à prisão.

Embora esses fatos possam parecer pertinentes apenas às pessoas da alta sociedade, distantes da realidade da vida cotidiana (a não ser que o leitor viva numa cidade do Congo que teve o abastecimento de água suspenso por chantagem de Singer), a caterva de especuladores judeus está por trás de quase toda compra que se faça e de toda guerra em que o leitor pode ser obrigado a morrer. Singer, seu filho Gordin e seus colegas Zion Shohet, Jesse Cohn, Stephen Taub, Elliot Greenberg e Richard Zabel contam com testas de ferro em quase todo país e eles têm forte participação em toda empresa familiar ao leitor, de livrarias a bancos. Com os ganhos de seu parasitismo, eles financiam a cultura da esterilidade, empoderecem a política sionista, investem milhões em segurança para os judeus e promovem guerras por Israel. Singer é um republicano e tem assento na diretoria da Coalizão Judaica Republicana. Ele é ex-membro da direção do Jewish Institute for National Security Affairs, fundou grupos de pesquisa neoconservadores tais quais o Middle East Media Research Institute e o  Center for Security Policy e figura entre os maiores financiadores da organização neoconservadora Foundation for Defense of Democracies. Ele esteve ligado também à banca de advogados denominada Freedom’s Watch [Atalaia da Liberdade], que açulou a guerra contra o Iraque. Como se não bastasse, outro importante projeto de Singer foi o da Foreign Policy Initiative (FPI).Trata-se de grupo de advogados de Washington criado em 2009 por várias figuras influentes da judiaria neoconservadora com o objetivo de desenvolver políticas de guerra no Oriente Médio em favor de Israel. Também nesse caso o numerário de Singer pagou os honorários dos patronos da agressão.

Embora Singer fosse inicialmente contra Trump e este tenha atacado Singer por causa de sua política em pró da imigração (“Paul Singer representa os imigrantes ilegais no nosso país e defende a impunidade deles”), Trump é agora basicamente custeado por três judeus: Singer, Bernard Marcus e Sheldon Adelson, que juntos levantaram $250 milhões para a tesouraria política de Trump. Como retribuição, eles só querem uma guerra para destruir o Irã. Prepostos de Singer  da Elliott Management, empresa de sua propriedade, foram os principais financiadores do senador republicano Tom Cotton, que pressiona Trump para atacar o Irã como vingança dos supostos ataques deste país a dois navios no golfo Pérsico. Esses parasitários financistas judeus alimentam a esperança da guerra com o Irã, eles cabalam pela guerra: o judeu quer a carne. Um analista político comentou que “Esses doadores já externaram suas preferências políticas abertamente em relação ao Irã. Eles aguardam o dividendo dos investimentos que fizeram no partido de Trump”. Quando Adelson e Singer primeiramente acenaram para Marco Rubio, Trump postou na rede que Rubio seria uma “marionete” deles. Trump agora já recebeu numerário desses mesmos marionetistas, mas não cedeu a tudo o que exigiam e até demitiu John Bolton, o favorito da troica judaica. Resta saber como a camarilha judaísta reagirá à desobediência de Trump.

A troica de judeus por detrás de Trump é exemplo perfeito do papel das finanças judaicas e da cultura da usura na sustentação e promoção do poder judeu e sua influência na sociedade contemporânea. Singer encarna a usura e o capitalismo de rapina, Bernard “Home Depot” Marcus atende ao mais desvairado consumismo e Adelson representa a sórdida exploração comercial do vício (jogos de azar). Não há nada de produtivo na atividade de nenhum desses figuros. A enorme riqueza deles vem do parasitismo sociopático, do nepotismo étnico e do desejo da decadência cultural.

Nós sentimos o aprofundar da decadência, porquanto vivemos na sociedade do consumo conspícuo, fundada no endividamento sempre crescente das famílias. Em todo lugar, as pessoas compram coisas de que não precisam com o dinheiro que não têm. A dívida das famílias segue num crescendo mais uma vez nos Estados Unidos. De acordo com a New York Federal Reserve, as famílias americanas devem 13,86 trilhões de dólares, o que é mais do que deviam logo antes da crise econômica de 2008. Na Australia, a dívida das famílias corresponde a 190% de sua renda, uma proporção entre as mais altas do mundo desenvolvido. A mesma situação ocorre no Reino Unido. Os judeus, evidentemente, tiveram participação desproporcional na expansão das lojas de departamento, na indústria da moda, no comércio varejista e em outros setores da sociedade de consumo. [22] No final do século XIX, na Alemanha, como ainda em vários outros países do Ocidente, os judeus deram início à “revolução do consumo” e mantiveram ou, pelo menos, inauguraram a grande maioria das lojas de departamento, de confecções e moda em geral em todo o país”. [23] Naquele tempo, Werner Sombart observou que as lojas de departamento eram o emblema de uma nova e degenerativa cultura econômica, caracterizada pelas “anônimas e reificantes forças do capitalismo e da propaganda”. Os antissemitas da época viam esses centros da cultura econômica como “templos do consumo num duplo sentido: enquanto templos onde se consumia e templos que consumiam — isto é, um lugar de destruição, um Moloque que vorazmente consumia a clientela vulnerável e os negócios da vizinhança”.[24] 

Atualmente, muitas das marcas de luxo de produtos praticamente inúteis pertencem a judeus, são promovidas pela indústria publicitária de judeus e são financiadas por prestamistas judeus. Calvin Klein, Levi Strauss, Ralph Lauren, Michael Kors, Kenneth Cole, Max Factor, Estée Lauder e Marc Jacobs são apenas alguns judeus cujos nomes tornaram-se sinônimos da cultura consumista escorada na dívida e na adesão a modismos cuidadosamente midiados. Outras empresas pertencentes a judeus, como Starbucks, Macy’s, the Gap, American Apparel, Costco, Staples, Home Depot, Ben & Jerry’s, Timberland, Snapple, Häagen-Dazs, Dunkin’ Donuts, Monster Beverages, Mattel e a Toys “R” Us epitomam a produção supérflua e infinita de lixo para o consumo das massas alimentado a crédito.

O templo do consumismo onde arde a chama eterna da dívida vincula-se também às culturas da crítica, da tolerância e da esterilidade. O assim chamado antirracismo, o fomento da confusão de gênero, a celebração da imigração ilimitada e do multiculturalismo tornaram-se o carro-chefe da publicidade contemporânea. Agora, quando chega ao fim a guerra racial, o Ocidente ressona o estertor final de sua agonia.

Talvez alguém fosse perguntar o que é que bolachinhas de tortilha tem a ver com sodomia, mas isso decerto porque essa pessoa sofresse de algum défice de tolerância. O melhor remédio para esse doente seria reconhecer os privilégios da raça branca, comprar um Starbucks e experimentar novas calças de 200 dólares na Macy’s.

Conclusão

A critica, a tolerância, a esterilidade e a usura existem em convergência e se adunam. Nisso reside a necessidade do antissemitismo. Eu me senti assombrado com A necessidade do antissemitismo e também, e na mesma medida, com aquela imagem do rabino de Goedsche que discursa para os treze chefes das tribos judaicas reunidos à noite num cemitério. Isto me assombra porque parece coisa arcaica e ingênua, como se a situação pudesse ter sido tão simples, mas tudo é muito pior. A realidade sempre foi muito mais profunda e infinitamente mais perigosa. Em tudo o que tange à Questão Judia, os judeus sempre perguntaram se isso ou aquilo seria bom para os judeus. Os brancos, por sua vez, e diante disso, deveriam perguntar se os judeus são bons para eles. Ora, a resposta está na correlação entre os judeus e os quatro aspectos do declínio branco de que tratamos e é negativa: os judeus não são bons para os brancos. Portanto, nossa oposição aos judeus, pelo que fazem contra nós, é perfeitamente lógica e moralmente necessária.


Referências

[1] RAPHAEL,F. The Necessity of Anti-Semitism. London: Carcanet, 1997, p. 49.

[2] DRESSER, D.; FRIEDMAN, L. American Jewish Filmmakers. Univ. of Illinois, 2004 p. 7.

[3] MENDELSSOHN, M. “Anmerkung zu des Ritters Michaelis Beurtheilung des ersten Teils von Dohm, über die bürgerliche Verbesserung der Juden” (1783), Moses Mendelssohn gesammelte Schriften, ed. G. B. Mendelssohn (Leipzig, 1843), vol. 3, 367.

[4] KREYENFELD, M. Childlessness in Europe: Contexts, Causes and Consequences.Cham: SpringerOpen, 2017. p. v.

[5] Apud RUSSELL, T. A Renegade History of the United States. New York: Simon & Schuster, 2010.

[6] KLAPPER, M. R. Ballots, Babies, and Banners of Peace: American Jewish Women’s Activism, 1890-1940. New York: New York University Press, 2013. p. 151.

[7] Ibidem, p. 159.

[8] CHESLER, E. Woman of Valor: Margaret Sanger and the Birth Control Movement in America. New York: Simon & Schuster, 2007. p. 51.

[9] WILLIAMS, D. K. Defenders of the Unborn: The Pro-Life Movement Before Roe v Wade. Oxford: Oxford University Press, 2016. p. 27.

[10] Ibidem, p. 66.

[11] REAGAN, L. J. When Abortion Was a Crime: Women, Medicine, and Law in the United States, 1867-1973.Berkeley: University of California Press, 1997. p. 173.

[12] REED, J. The Birth Control Movement and American Society.Princeton: Princeton University Press, 1984. p. 351.

[13] LEONE, M. P. Atlantic Crossings in the Wake of Frederick Douglass.Leiden: Brill, 2017. p. 111.

[14] BRODIE, J. F. Contraception and Abortion in Nineteenth-century America.Ithaca: Cornell University Press, 1994. p.234.

[15] CROMBIE, A. C. (ed). History of Science.Chicago: University of Chicago Press, 1990. p. 371.

[16] FREIDENREICH, H. P. Female, Jewish, and Educated: The Lives of Central European University Women. Bloomington: Indiana University Press, 2002. p. 154.

[17] HASHAMOVA, Y. (ed). Transgressive Women in Modern Russian and East European Cultures: From the Bad to the Blasphemous. New York: Routledge, 2017. p. 16.

[18] BLOBAUM, R. Antisemitism and Its Opponents in Modern Poland. Ithaca: Cornell University Press, 2005. p. 87.

[19] MODRAS, R. The Catholic Church and Antisemitism: Poland, 1933-39. New York: Routledge, 2004. p. 62.

[20] LAS, N. Jewish Voices in Feminism: Transnational Perspectives.Lincoln: University of Nebraska Press, 2015. p. 91.

[21] DICKSON, E. R. Sex, Freedom and Power in Imperial Germany, 1880-1914. Cambridge University Press, 2014. p. 7.

[22] REUVENI, G. Consumer Culture and the Making of Modern Jewish Identity. Cambridge: Cambridge University Press, 2017. p. xiii.

[23] LERNER, P. The Consuming Temple: Jews, Department Stores, and the Consumer Revolution in Germany, 1880-1940. Ithaca: Cornell University Press, 2015. p. 5.

[24] Ibidem, p. 9.

89, the Jewish screenwr

Autoria: Andrew Joyce. Fonte: The Occidental Observer. Título original em inglês: “The Necessity of Anti-Semitism”. Data de publicação do original: 27 de setembro de 2019. Versão brasilesa: Chauke Stephan Filho.

A nação global

20 de julho de 2019

A Idade Moderna, que começou com a chegada de Cristóvão Colombo à América, caracteriza-se pela ligação cada vez maior entre as sociedades do mundo e pela cada vez menor distinção de seus limites. Esse fenômeno vem ganhando intensidade ao longo do tempo com a disparada tecnológica dos meios de transporte e telecomunicação, o que se fez acompanhar de tendências intelectuais em ascensão, como ideologias internacionalistas e antinacionais. Nós podemos definir o globalismo como a inclinação, ao mesmo tempo consciente e inconsciente, para a destruição da diferença e da autonomia das nações e estados, alegadamente em favor de uma sociedade mundial politicamente mais harmoniosa. O globalismo ignora a realidade das diferenças raciais e a poderosa natureza da identidade étnica, fatores que estão na raiz dos conflitos e tensões inevitáveis em toda sociedade multirracial e multiétnica.

Existem elementos materiais vigorosos conducentes à dissolução dos limes nacionais. Ocorrem ganhos de eficiência quando o trabalho e o comércio podem cruzar fronteiras. Há, além disso, bilhões de seres humanos com vontade de deixar as condições miseráveis de onde vivem no Terceiro Mundo e ingressar nos nossos países para gozar vida mais confortável e segura, o que se compreende. Não será pela inércia da situação ou pela nostalgia conservadora que essas pressões poderão ser anuladas. Até o Japão, ainda homogêneo em grande medida, começa a perceber número significativo de imigrantes fenotipicamente diferentes (principalmente indianos e filipinos). Recentemente, aliás, um indiano saiu vitorioso de eleição local em Tóquio. Na verdade, a oposição à imigração exige consciência e doutrina de resistência em nome do bem-estar econômico e social dos nativos, da preservação de sua identidade cultural e genética e da sua soberania.

Depois da II Guerra Mundial, os internacionalistas pretenderam, compreensivelmente, impedir novos conflitos entre os Estados, engajando-os em  instituições internacionais (Nações Unidas, União Europeia…) e redes comerciais, sob hegemonia ideológica liberal-democrática. Esperava-se que isso fosse criar uma comunidade de interesses que fizesse da guerra entre as grandes nações uma coisa impensável.

No pós-guerra, os dirigentes que criaram essas instituições internacionais, gente como Dwight Eisenhower ou Konrad Adenauer, não tinham a intenção de destruir suas respectivas nações. Ao contrário, estando cientes dos terríveis massacres das guerras étnicas na Europa Oriental, esses homens geralmente viam a existência de estados-nações distintos e homogêneos como fator de paz. Os inúmeros conflitos étnicos no Terceiro Mundo, na Iugoslávia ou nas antigas repúblicas soviéticas e as intratáveis tensões e confrontações em toda sociedade multirracial levam a crer que eles tinham razão. Read more